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Estado de Minas BARRAGEM EM EMERGÊNCIA

Trincas em barragem da AngloGold em Santa Bárbara trazem medo a comunidades

As trincas surgiram em meio a obras de reforço da estrutura, e ainda não é necessário que a população abaixo seja evacuada


08/10/2022 10:14 - atualizado 08/10/2022 17:18
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Mina Córrego do Sítio, em Santa Bárbara, onde a barragem CDS II apresentou avarias rio pilha
Mina Córrego do Sítio, em Santa Bárbara, onde a barragem CDS II apresentou avarias (foto: Mateus Parreiras/EM/D.A.Press)


Por Mateus Parreiras 

O surgimento de trincas na barragem CDS II da Mina Córrego do Sítio, da mineradora AngloGold Ashanti, em Santa Bárbara, trouxe medo e desconfiança às comunidades que vivem abaixo da estrutura que comporta 10 milhões de metros cúbicos de rejeitos, quase o mesmo da barragem rompida em Brumadinho. A empresa afirma que acionamento é preventivo.

Informações divulgadas pela empresa dão conta de que a estrutura passa por obras de reforço e que uma trinca de centímetros teria surgio, o que classificaram como "normal" durante esse processo. Santa Bárbara tem 31.873 habitantes e fica na região Central de Minas, a 108 quilômetros de Belo Horizonte.

A reportagem do Estado de Minas mostrou que nessa mesma mina ocorreu risco de rompimento por extensas erosões na Pilha de Sapê que é o depósito de rejeitos do processo de extração mineral feito a seco pela empresa. A estrutura passou por obras e os funcionários chegaram a ser removidos preventivamente do local.

Como no início do ano, moradores do povoado de Brumal relataram à reportagem um sentimento de insegurança e medo com a segunda necessidade de intervenções de engenharia nas estruturas de armazenamento de rejeitos da mineradora sul-africana. A comunidade tem cerca de 2 mil pessoas e pertence a Santa Bárbara. No caminho dos rejeitos, em caso de rompimento, passam também os rios Santa Bárbara e Caraça.

De acordo com a ANM a barragem apresentou a "existência de trincas, abatimentos ou escorregamentos, com potencial de comprometimento da segurança da estrutura", o que acionou o nível 1 de emergência do Programa de Segurança de Barragens, que ocorre quando a estrutura tem danos que necessitam de obras de reparo urgentes.

Imagem da barragem que está sob obras e apresentou trincas próximo ao povoado de Brumal Mina Córrego do Sítio, em Santa Bárbara, onde a barragem CDS II apresentou avarias rio pilha
Imagem da barragem que está sob obras e apresentou trincas próximo ao povoado de Brumal (foto: Reprodução/Google Earth)
Nesse estágio, ainda não é necessária a evacuação de querm vive nas áreas alagáveis, em caso de rompimento, as chamadas Zonas de Auto-Salvamento (ZAS), onde cada pessoa deve fugir sozinha em caso de tragédia, pois não há tempo de equipes de resgate as socorrerem e parar para ajudar outra pessoa pode significar a morte.

A barragem CDS II tem 82 metros de altura e 538 metrtos de comprimento, ocupando área de 370 mil metros quadrados e retém rejeitos de minério de ouro primário. Foi construída pelo método de alteamento por linha de centro, que não é tão perigosa quanto a técnica de ampliação à montante, a mesma de Mariana (2015) e Brumadinho (2019).

Contudo, a ANM informa que há de 1001 a 5 mil pessoas que podem ser afetadas em caso de rompimento da barragem. Os impactos ambientais são considerados muito significativos devido à toxicidade dos rejeitos, pois "a barragem armazena rejeitos ou resíduos sólidos classificados na Classe II A - Não Inertes, segundo a NBR 10004/2004)", segundo a ANM.

Já os impactos sócio-econômicos foram considerados baixos, uma vez que, segundo a agência que regula o setor, "existe pequena concentração de instalações residenciais, agrícolas, industriais ou de infraestrutura de relevância sócio-econômico-cultural na área afetada a jusante (abaixo) da barragem".

Por meio de nota, a AngloGold Ashanti informou que, "de forma preventiva, foi estabelecido alerta nível 1 para a barragem CDS II, localizada em Santa Bárbara (MG). A decisão segue o PAEBM – Plano de Ação de Emergência para Barragens de Mineração. Neste nível, não é necessário o acionamento de sirenes ou a evacuação da zona de autossalvamento, pois não há risco iminente de rompimento.Salientamos que as autoridades competentes estão sendo envolvidas". 

 

Ainda segundo a empresa, "após inspeção de rotina, a equipe técnica identificou trinca, de centímetros de largura, na barragem, o que é comum em uma estrutura que passa por obras de reforço. A barragem recebeu na tarde desta sexta-feira (7/10) a vistoria de técnicos da Agência Nacional de Mineração (ANM), que acompanham o caso". 

 

A mudança para nível 1, de acordo com a AngloGold Ashanti "é preventiva e seguirá até a apresentação dos estudos e análises da auditoria externa especializada, confirmando a segurança e estabilidade da barragem, à ANM. Ressaltamos que a barragem CDS II conta com todas as licenças legais, além da declaração de condição de estabilidade emitida por auditoria externa em setembro de 2022".

A empresa destaca que a declaração e outras informações sobre a barragem podem ser consultados no site da empresa: www.anglogoldashanti.com.br/barragens/nossas-barragens/barragem-cds-ii/ Em caso de dúvidas, os moradores da região podem entrar em contato com o canal de relacionamento: 0800 72 71 500. 


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