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Estado de Minas DETALHES DA TRAGÉDIA

'Que prova é essa?', indaga advogado da família de menina morta em ritual

Busca pela cura de uma tosse persistente teria sido o motivo para que a família da pequena Maria Fernanda de Camargo, de 5 anos, procurasse um médium de Umbanda


28/04/2022 15:34 - atualizado 28/04/2022 16:17


O advogado José Rodrigo Almeida, durante entrevista à TV Rio Grande, na última terça-feira (26/4).
O advogado José Rodrigo Almeida, durante entrevista à TV Rio Grande, na última terça-feira (26/4) (foto: TV Rio Grande/Reprodução)

A busca pela cura para uma tosse persistente: esse teria sido o motivo para que a família da pequena Maria Fernanda de Camargo, de 5 anos, procurasse um médium de Umbanda para realizar um ritual que terminou com a morte dela, no final de março em Frutal, no Triângulo Mineiro. A afirmação é do advogado de defesa da mãe, avós maternos e tia da vítima, José Rodrigo Almeida, durante entrevista à TV Rio Grande.

Maria Fernanda teve quase 100% do corpo queimado na noite de 23 de março na casa dos avós e morreu na madrugada seguinte em um hospital de São José do Rio Preto (SP), cidade a cerca de 100 km de Frutal.

"O ritual foi de cura. Onde é que está a prova que o ritual era maligno, que prova é essa? Não aconteceu ritual de sacrifício satânico. Eles (a família) não são monstros. Os depoimentos dos suspeitos ao delegado coincidem. Ninguém queria matar a criança", destacou o advogado de defesa da família de Maria Fernanda.

O advogado disse ainda a avó da menina é adepta da Umbanda há anos. "No ano passado, os tios da Maria Fernanda tiveram COVID, foram internados e entubados. A família chamou o guia espiritual e, após um ritual, tiveram uma melhora na saúde. Eles acreditam na religião, por isso tiveram essa iniciativa com a criança ", complementou.


Advogado disse que menina morreu em um segundo ritual


Conforme José Rodrigo, inicialmente, os familiares de Maria Fernanda chamaram o guia espiritual para fazer um ritual com o intuito de curar uma tosse que não passava. "Outra pessoa que estava com o médium e que vai ser ouvido pelo delegado essa semana, agiu como auxiliar dele", comenta.

Em seguida, ainda conforme relato de José Rodrigo, o guia, também chamado de médium, incorporou uma entidade, fez os trabalhos e terminou a primeira etapa.

"Depois disso, ele disse que iria fazer um segundo ritual. O médium teria dito 'vou fazer um ritual de limpeza e me tragam uma bacia'. Então, ele pediu para que a menina segurasse uma vela apagada, depois passou o álcool com ervas na cabeça da criança e derramou o produto nos ombros. E a mãe disse: 'álcool assim sufoca'. 
 
O advogado continua: "A família nunca imaginou que ele (o médium) fosse agir assim. Tudo foi muito rápido e o que se viu é que ele se aproximou da criança com outra vela, foi quando ela começou a pegar fogo", detalha.

"A família errou ao dar o álcool, sendo que tinha vela no quarto e errou ao deixar o guia derramar álcool na criança", considerou o advogado que ainda contou que depois que a mãe e os avós apagaram o fogo usando tapetes, a criança ainda estava conversando e andando. Maria Fernanda foi encaminhada, primeiramente, ao Hospital Municipal Frei Gabriel, em Frutal.

"O problema dessa situação foi a família, por medo, não ter contado a verdade desde o início. Quando fui contratado, a história de acidente doméstico com churrasqueira já havia sido contada à polícia", finalizou o advogado.

O delegado responsável pelo caso, Murilo Cézar Antonini Pereira, disse que as investigações demonstraram que a vítima teria participado de ritual de evocação e incorporação de espíritos malignos, na companhia dos avós, da tia e da mãe, sendo que um líder espiritual teria jogado álcool com ervas no corpo da criança e, posteriormente ateado fogo, usando uma vela e queimando-a viva.

Um pedido de prisão domiciliar para o avô da menina, de 71 anos, foi protocolado pelo advogado nessa quarta-feira (27/4). Ele disse que o idoso tem problemas de saúde como diabetes e hipertensão.


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