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Estado de Minas CASAMENTO COLETIVO

Entre sorrisos, três irmãos se casam no mesmo dia

Cerimônia civil coletiva foi realizada nessa sexta-feira (12/11) para 220 casais, em Muriaé


16/11/2021 20:00 - atualizado 18/11/2021 18:54

Irmãos e suas famílias que casaram em mutirão
Paloma (alto à esq.), Polyane (abaixo à esq.) e Paulo (à dir.), com as respectivas famílias; para eles, o momento foi de alegria compartilhada (foto: Divulgação/TJMG)


Três irmãos, Paloma, Polyane e Paulo receberam as certidões de casamento em uma celebração coletiva nessa sexta-feira (12/11) em Muriaé, na Zona da Mata mineira. Ao todo, os 220 casais participaram da cerimônia que foi realizada pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) em parceria com o Centro Universitário Faminas do município.

A ansiedade dos irmãos na véspera da cerimônia deu lugar a sorrisos. "Estou muito feliz em poder compartilhar minha felicidade com meus irmãos e fazer parte da deles também", comentou Paloma Cruz de Oliveira, a irmã do meio. 

Paulo não conseguiu descrever sua felicidade em palavras. "Se eu fosse sozinho, não teria dado tanta emoção ali como foi com a gente casando juntos. Foi muito especial para mim e para elas."

A irmã mais nova, Polyane, também achou maravilhoso poder se casar no mesmo dia que os irmãos. "Poder compartilhar minha alegria e o meu sonho com meus irmãos foi uma sensação maravilhosa. É uma coisa que nós três já planejávamos há muito tempo. Antes de arrumar namorado a gente já falava que queria casar todo mundo junto para poder compartilhar a nossa alegria e realizar o nosso sonho e o sonho dos nossos pais", declarou.

A mãe dos três irmãos morreu há sete anos e Paloma, Polyane e Paulo sentiram que ela não tenha vivido para ver o dia em que os três filhos compartilharam a felicidade de se casarem na mesma celebração. Mas o pai acompanhou a cerimônia. "Meu pai estava presente, foi uma alegria imensa para ele casar os três filho", disse Polyane. 

Paloma sempre teve o sonho de casar. Ela e o marido, Vladimir Junior, já falavam sobre o assunto, mas não era uma realidade próxima, tendo em vista a condição financeira do casal e a pandemia de COVID-19. "Mas surgiu essa oportunidade e ficamos muito felizes de poder realizar um sonho", falou.

Casal está posando próximo a um bolo de casamento
Polyane e o marido, Áquila na cerimonia de casamento civil coletivo (foto: Arquivo pessoal)
O mesmo aconteceu com Polyane. "Tem muitos anos que a gente pretende se casar. Quando a gente completou seis meses de namoro a gente já estava planejando juntar um dinheirinho para a gente casar. Mas foi ficando difícil porque eu estava desempregada, depois ele ficou desempregado também, mas quando apareceu essa oportunidade a gente aproveitou para poder realizar o nosso sonho", informou.  

O evento não teve custo para os casais. Entre os critérios para participar do mutirão, estavam residir na região de Muriaé e comprovar renda familiar baixa. "Os inscritos deveriam ter renda familiar inferior a dois salários mínimos e estar convivendo em união estável, de fato, há mais de um ano, entre outros requisitos", informou o juiz coordenador do Cejusc de Muriaé, Juliano Veiga.

O irmão mais velho agradeceu a Deus por tornar essa experiência possível. "Deus nos deu essa oportunidade de fazer a comunhão porque para a gente era um sonho distante", disse Paulo.

"O mutirão é um marco para a inclusão social, trazendo benefícios para os casais em situação de hipossuficiência econômica, que não tinham a união oficializada, e resgatando, entre outros aspectos, a autoestima deles", disse Margarida Espósito, coordenadora do curso de Direito da Faminas.

Casal posando após cerimônia civil
Paloma e o marido já haviam conversado sobre casar, mas não tinha dinheiro e a pandemia também foi um empecilho (foto: Arquivo pessoal )


A irmã do meio adorou a cerimônia realizada no salão nobre da Faminas e é grata pelo evento. "Foi uma sensação muito boa poder compartilhar um momento tão importante em nossas vidas com tantas pessoas e poder ver a felicidade de todos. Sou muito grata a Deus por ter nos permitido chegar até aqui", disse. 

O casamento foi realizado em dois turnos, um na parte da tarde e outro na parte da noite, respeitando o limite de pessoas e protocolos sanitários conforme orientado pela prefeitura, mas nem por isso, acabou com a felicidade dos casais. "Graças a Deus deu tudo certo, minha palavra para tudo isso é gratidão". 

Polyane de Oliveira amou o casamento coletivo. "Acabamos encontrando com amigos lá também, que a gente nem esperava encontrar. A cerimônia foi linda. Se pudesse repetir eu repetiria tudo de novo, foi cada palavra linda que foi dita lá no casamento, foi tudo muito bom", comentou. Paulo também toparia se casar novamente para reviver as emoções. "A cerimônia foi uma das melhores da minha vida, porque casar com aquele monte de casais é coisa de outro mundo, são sonhos se realizando juntos e é contagiante."

Processo

O período de inscrições ocorreu em maio e junho. Os interessados fizeram a inscrição no NPJ da Faminas, que encaminhou para o Cejusc os pedidos de conversão de união estável em casamento. Após a análise da documentação, acompanhada da colheita das declarações de duas testemunhas e da manifestação do Ministério Público, foi proferida sentença reconhecendo a união estável com a sua conversão em casamento, com efeitos retroativos ao início da união. "Depois da sentença, o procedimento foi encaminhado para o cartório de registro civil, que lavrou todas as certidões de casamento", informou o magistrado.

História

Família de Paloma posando para foto
Paloma, o marido Valdir Junior e a filha do casal, Milena (foto: Arquivo pessoal )


Paloma conhecia Valdir de vista. "Eu o vi no mercado, quando fui fazer compra com minha mãe", contou. Anos depois, eles se reencontraram no mundo virtual e marcaram de sair. Viram-se em um sábado e, no dia seguinte, estavam namorando. Hoje o casal tem uma filha, Milena, de 4 anos. 

Já Polyane conhece o Áquila há quase 5 anos. Uma colega de igreja chamou os dois para um passeio, onde eles  conversaram e tomaram sorvete. "Depois ela chamou a gente para ir para a casa dela. Começamos a ler a Bíblia, e ela pediu para ele cantar. Ele tem uma voz maravilhosa. Ele começou a cantar, fiquei mais encantada por ele ainda", complementou. Os recém-casados possuem um filho, Benjamin, de 2 anos.

O irmão delas, Paulo Júnior, teve contato inicial com Luana pelas redes sociais, há mais de 4 anos. "Eu a conhecia desde de quando ela timha 14 anos, só que ela não dava moral. Aí se passaram anos e nossos olhares nunca pararam de se cruzar", comentou Paulo. Após várias conversas, há três anos os dois decidiram namorar. Atualmente, a filha do casal, Sofia, tem 7 meses. "Somos o casal fechamento e criamos um canal no YouTube. Hoje somos youtubers e estamos sonhando e evoluindo cada vez mais", contou.  

* Estagiária sob supervisão do editor Benny Cohen


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