UAI
Publicidade

Estado de Minas TEMPO E TRÂNSITO

Chuvas elevam risco na volta do feriadão em Minas

Série de acidentes dos últimos dias alerta para perigos que tendem a ser multiplicados pelas chuvas e movimento intenso nas rodovias na volta do feriadão


12/10/2021 06:00 - atualizado 12/10/2021 10:40

Fluxo de veículos em Belo Horizonte na saída para o feriado de Nossa Senhora Aparecida
O alto fluxo de veículos na saída do feriadão, na sexta-feira, é prenúncio para o movimento que deverá ser registrado entre hoje e amanhã. Momento é de atenção redobrada nas rodovias (foto: Marcos Vieira/EM/D.A Press)
A combinação formada pelas chuvas e o retorno do feriado prolongado vai exigir cuidado redobrado dos motoristas que passarem pelas rodovias mineiras entre hoje e as primeiras horas de amanhã. O alerta é dado, sobretudo, por acidentes ocorridos nos últimos dias. Ontem, as vias escorregadias geraram transtornos no trânsito de Belo Horizonte. No domingo, foram registradas mortes em Montes Claros, na BR-135, e na BR-040, em Ewbank da Câmara, na Zona da Mata. Perto dali, outra ocorrência: uma colisão entre dois carros deixou cinco feridos.
 
O acidente na BR-135 ocorreu na noite de anteontem, em meio ao temporal que assolava a região. Um carro, guiado por um motorista inabilitado, se chocou com um caminhão.  O condutor do caminhão, de 28 anos, contou estar seguindo de Bocaiuva a Montes Claros quando avistou um veículo, no sentido contrário, perder o controle e rodar. Ele tentou tirar o veículo pesado do caminho, mas não conseguiu. Desgovernado, o automóvel onde estavam Flávio André de Jesus Batista, 28, a esposa, Tatiane dos Santos Fernandes, de 30, e dois filhos do casal, de 2 e 3 anos, atingiu fortemente a lateral do caminhão. O casal já estava sem vida quando socorristas do Corpo de Bombeiros chegaram ao local; as crianças foram salvas.
 
Na Zona da Mata, os moradores de Ewbank da Câmara ficaram impressionados com o capotamento de um ônibus, que seguia na direção do Rio de Janeiro, na madrugada do domingo. No quilômetro 760 da BR-040, o coletivo atingiu a canaleta da estrada, o que fez o motorista perder o controle da direção. Uma mulher morreu e houve 44 feridos. Poucas horas depois, na mesma rodovia, mas alguns quilômetros antes, uma batida frontal entre dois carros deixou cinco feridos. Uma criança compõe a lista de atingidos.
 
Na capital, ontem, a cidade amanheceu lidando com os reflexos da chuva da madrugada. Um Toyota Etios chegou a derrubar um poste de iluminação na Via do Minério, na altura do Bairro Betânia, no Oeste belo-horizontino. A colisão ocorreu nas proximidades do viaduto que corta o Anel Rodoviário. Na Avenida Presidente Carlos Luz, no Caiçara (Região Noroeste), uma pick-up colidiu com uma árvore.
 
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) prevê chuvas com raios e rajadas de vento até hoje para as regiões Sul, Campo das Vertentes, Oeste, Triângulo, Zona da Mata e Metropolitana, Leste e Norte de Minas. “As chuvas, como alertamos no início do feriado, só trazem prejuízos aos motoristas. (A) pista (fica) escorregadia e compromete a visibilidade. Vai exigir cuidado muito maior dos motoristas, principalmente com o início da movimentação de volta, que vai acontecer principalmente hoje”, diz o inspetor Aristides Júnior, porta-voz da Polícia Rodoviária Federal (PRF) em Minas Gerais. O balanço do impacto dos últimos dias nas estradas do estado deve ser divulgado pela PRF ao fim do feriadão.
 
Aristides lembra que, além dos temporais, o alto fluxo de veículos nas próximas horas também demanda atenção. “Com as rodovias mais cheias, o motorista precisa ter muito cuidado com as chuvas, que não aconteceram na saída, mas vão acontecer na volta”

CAMINHÕES TOMBAM NO INTERIOR Os motoristas que passaram pela BR-262 entre Jaguaraí e Reduto, no Leste de Minas, ontem, se depararam com a interdição da pista. A interrupção do tráfego ocorreu após uma carreta tombar na tarde de domingo e derramar óleo na via. O motorista Jefferson Alves dos Santos, ficou preso às ferragens; depois, foi socorrido e levado a uma casa de saúde em Manhuaçu.
 
Em Juiz de Fora, na Zona da Mata, na madrugada de ontem, outro acidente envolvendo um automóvel de carga. Um caminhão que transportava carne suína rompeu a proteção da ponte que dá acesso a um bairro da cidade e caiu no Rio Paraibuna. O motorista, também preso às ferragens, esperou por socorro na boleia. Foi preciso utilizar um equipamento desencarcerador para removê-lo em segurança.
Anteontem, em Betim, na Região Metropolitana, onde chovia forte, uma carreta baú bateu na traseira de outro veículo articulado de cargas. O condutor do automóvel trafegava atrás não conseguiu parar a tempo e bateu na carreta da frente. A cabine foi esmagada e ele ficou preso, prensado entre os dois veículos. Para retirá-lo das ferragens, foram necessárias duas horas


EMBRIAGUEZ O recesso foi marcado, ainda, por acidente provocado pela mistura entre bebida alcoólica e volante. Na noite de anteontem, um motorista com sinais de embriaguez capotou o carro na Avenida Cristiano Machado, na altura do Vila Suzana, na Pampulha. À Polícia Militar, o homem disse que foi fechado por um veículo, cujo modelo ele não soube informar, e que para evitar um acidente teve que desviar seu carro para a direita, quando subiu na alça do viaduto que liga a Cristiano Machado até a Estação São Gabriel e a Via 240. O filho do motorista, de 4 anos, também estava no banco de trás. A criança saiu ilesa, por causa da cadeirinha. O equipamento estava preso ao cinto de segurança.


Deslizamentos são ameaça na capital

Calorão insuportável, friozinho de bater os dentes. Longo período de estiagem, fortes chuvas com volume inesperado. Essa tem sido a tônica do clima em Belo Horizonte nos últimos dias. Para se ter uma ideia, os termômetros despencaram de máxima de 36,4°C no fim de setembro  para uma mínima 15°C, ontem. E a meteorologia avisa: vai continuar assim. Ontem,  véspera do feriado de Nossa Senhora Aparecida, a cidade registrou, segundo o meteorologista Ruibram dos Reis do Climatempo, a menor temperatura máxima da cidade, de 19,5°C. As chuvas colocam a cidade em risco de deslizamentos até as 23 horas de hoje.
 
O recorde inusitado já era esperado no início do dia, com previsão de máxima ainda menor, de 18°C, que não se confirmou.  Para hoje, a expectativa do meteorologista Claudemir Azevedo, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), não é muito diferente de ontem: chuvinha durante o dia todo, com mínima de 14°C e máxima de 20°C.
 
O tempo vai continuar instável. Se ontem os termômetros marcaram mínima 15°C, daqui a três dias podem voltar a se aproximar de máxima em torno dos 30°C novamente. Claudemir Azevedo prevê temperatura máxima de 28°C na quinta e na sexta-feira. E o que parecia mais improvável ontem, com a chuvinha sem trégua na cidade: não deve haver nenhuma precipitação na quinta.
 
Vista de BH sob chuva a partir do Bairro Pirineus
Vista de Belo Horizonte ontem sob chuva: calorão de setembro foi substituído por friozinho, mas termômetros devem voltar a subir ao longo da semana (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)
Enquanto os fãs do calor “brigam” com os adeptos do friozinho, a notícia que agrada a todos: com esse tempo nublado, a umidade em BH ontem estava em 80%, longe do índice inferior a 60% prejudicial à saúde, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Para hoje, a expectativa do Inmet é de umidade entre 63% e 86%.
 
ACIMA DA MÉDIA Belo Horizonte já superou o volume de chuva esperado para todo o mês de outubro. “A média de chuvas para o mês é de 104,7 milímetros (mm). Nas estações da Pampulha e do Cercadinho, desde o dia 5 até ontem, o Inmet registrou aproximadamente 106,8mm de chuva”, informa Claudemir Azevedo. Vale lembrar que no fim de setembro, mais precisamente no dia 25, a capital mineira completou 38 dias sem chuva alguma. Naquele dia, uma chuva colocou fim ao período de estiagem e deu início a uma sequência de aguaceiro.
 
De acordo com a Defesa Civil, a Região Noroeste já acumulou 134,4mm de chuva neste mês. Ou seja, 128,4% do esperado. Em seguida, está a Região do Barreiro com 104,6 milímetros (99.9%), a Região da Pampulha com 97,6 milímetros (93.2%) e a Região Centro-Sul  com 89,5 milímetros (85.5%). Os números foram atualizados às 18h34 de ontem.
Ontem, foi a Região Centro-Sul que registrou maior precipitação: 27,4mm (26,2%).  Apesar do grande volume de chuvas, não houve ocorrências graves na cidade. Ontem, os bombeiros receberam 22 chamadas referentes ao corte de árvores em Belo Horizonte e na Região Metropolitana. No estado, os bombeiros receberam 166 chamadas para corte de árvores, mas nenhuma ocorrência de destaque.

EM ALERTA A Defesa Civil municipal emitiu um alerta válido até hoje com o risco de tempestade com ventos de até 50km/h Além disso, há risco geológico, válido até as 23 horas de hoje.  Já no restante do estado, o Inmet emitiu alerta de perigo para mais de 300 cidades mineiras, das quais 33 com risco de tempestade de granizo ontem e hoje.  
Em Uberaba, no Triângulo Mineiro, uma mulher de 35 anos morreu após ser levada com o próprio carro por uma enxurrada. Ao todo, as chuvas já desalojaram 340 pessoas em Minas Gerais neste atual período chuvoso – 280 em Ribeirão das Neves e 60 em Betim.
 
*Estagiária sob supervisão do subeditor Thiago Ricci 



FIQUE LIGADO
Confira as temperaturas máximas previstas para BH e se proteja contra a chuva


19,5°C
foi a máxima registrada ontem na capital, a menor em 2021

Hoje: 20°C
Amanhã: 24°C
Quinta-feira: 28°C
Sexta-feira: 28°C


Acumulado de chuvas (mm)
De 1º de outubro às 18h24 de ontem e percentual sobre a média histórica por região da capital

Barreiro: 104,6 (99,9%)
Centro-Sul: 89,5 (85,5%)
Leste: 87,2 (83,3%)
Nordeste: 75,4 (72,0%)
Noroeste: 134,4 (128,4%)
Norte: 50,6 (48,3%)
Oeste: 101 (96,5%)
Pampulha: 97,6  (93,2%)
Venda Nova: 79,8 (76,2%)

Média Climatológica outubro: 104,7mm.


Em caso de forte chuva, a Defesa Civil recomenda:

» Evite áreas de inundação e não trafegue em ruas sujeitas a alagamentos ou perto de córregos e ribeirões nos momentos de forte chuva

» Se notar rachaduras nas paredes das casas ou o surgimento de fendas, depressões ou minas d’água no terreno, avise imediatamente a Defesa Civil

» Nunca se aproxime de cabos elétricos rompidos. Ligue imediatamente para a Cemig (116) ou Defesa Civil (199)

» Atenção especial para áreas de encostas e morros

» Não se abrigue nem estacione veículos debaixo de árvores

» Não atravesse ruas alagadas nem deixe crianças brincando nas enxurradas e próximo a córregos

Fontes: Climatempo, Inmet e Defesa Civil de Belo Horizonte


receba nossa newsletter

Comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Cadastro realizado com sucesso!

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade