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Estado de Minas CÓRREGO DO FEIJÃO

Tragédia em Brumadinho: vítima é identificada após mais de 2 anos

Rompimento da barragem em janeiro de 2019 deixou 272 mortos e o trabalho de buscas segue à procura de outras oito 'jóias'


06/10/2021 16:22 - atualizado 06/10/2021 18:55

Bombeiros militares no meio da lama em busca de vítimas
Corpo de Bombeiros ainda trabalha nas buscas por oito vítimas (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A. Press - 28/01/2021)
Mesmo após mais de 2 anos e 8 meses no rompimento da Barragem B1, da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho , Região Metropolitana de Belo Horizonte, mais uma vítima foi identificada.

A Polícia Civil informou que trata-se de Angelita Cristiane Freitas de Assis, que morreu aos 37 anos. Ela trabalhava como técnica de enfermagem do trabalho, era casada e tinha dois filhos. De acordo com a Polícia Civil, a família foi comunicada sobre a identificação por volta das 15h.

O corpo de Angelita foi localizado em 5 de agosto. O médico-legista do setor de Antropologia Forense do Instituto-Médico Legal (IML) e destacado para acompanhamento da força-tarefa em Brumadinho, Ricardo Moreira Araújo, explicou que a identificação foi feita por meio de DNA.

“Esse caso foi examinado no mínimo três vezes. Teve a perícia no local de encontro, a perícia no IML, determinação de sexo, estimativa de idade, e a identificação foi possível por meio do DNA que se concretizou hoje no exame de prova e contraprova”, informou.


Ao todo, 262 pessoas que morreram em decorrência do rompimento da barragem já foram identificadas. Oito vítimas continuam desaparecidas. São elas:

  • Cristiane Antunes Campos
  • Lecilda de Oliveira
  • Luis Felipe Alves
  • Maria de Lurdes da Costa Bueno
  • Nathalia de Oliveira Porto Araujo
  • Olimpio Gomes Pinto
  • Tiago Tadeu Mendes da Silva
  • Uberlandio Antonio da Silva

De acordo com o perito, o IML já recebeu mais de 950 materiais biológicos para identificação e 870 deles foram solucionados – identificados ou descartados. “Existe um trabalho de controle de todo esse material. Temos cerca de um caso por dia vindo das frentes de busca, isso em uma estimativa média”, disse. “Recebemos esses materiais biológicos na fase da decomposição que responde ao tempo, são mais de dois anos e meio de tragédia.”



O governador Romeu Zema (Novo) também se manifestou pelas redes sociais. No Twitter ele escreveu o lema usado para lembrar da tragédia – repetida, como em Mariana – : "Nunca esqueceremos Brumadinho"

Último corpo encontrado

No último sábado (2/10), militares do  Corpo de Bombeiros localizaram mais um corpo na área de buscas . O corpo foi encaminhado no mesmo dia para o IML que tenta definir se os restos mortais são de alguma das oito vítimas que ainda permanecem desaparecidas.

De acordo com os bombeiros, o corpo foi encontrado na região conhecida como Ferteco 1. “Localizamos uma das vítimas do desastre, com estrutura óssea preservada”, informou o major Ivan Neto, que comanda os trabalhos de buscas no local.

Angelita Cristiane Freitas de Assis, vítima da tragédia de Brumadinho
Angelita Cristiane Freitas de Assis é a 262ª vítima identificada (foto: Arquivo Pessoal)


O médico-legista explicou que o segmento está sendo processado, mas as equipes encontram dificuldade em achar material biológico para comparação.

“Foi um segmento corpóreo muito representativo, muito rico em material para identificação, que encontra-se ainda sob análise, mas não foi identificado porque não tem material rico para compará-lo”, disse Ricardo Moreira Araújo. “Apesar do corpo ser rico em elementos para identificação, o que não temos é o material em vida para compará-lo”, explicou.


A tentativa, agora, é buscar outras alternativas. “Estamos contactando clínicas odontológicas e imagens hospitalares para tentar fortalecer esse banco de dados”, disse o médico. 

Embora ainda não tenha sido concluída a identificação deste novo corpo, já foi possível excluir algumas vítimas. “Das oito que faltam, a gente sabe que não pertence a sete”, afirmou. “Não significa que pertencerá a outra identificação, pois pode se tratar de re-identificação. Está sendo estudado”, completou.


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