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Estado de Minas COVID-19

Mães se mobilizam para vacinação de adolescentes não parar em BH e MG

Movimento começou por um grupo de mães ligadas a uma escola particular e já conta com participação até de escolas de ocupações


18/09/2021 13:40 - atualizado 18/09/2021 19:34

Vacinação de adolescentes sem comorbidades tinha sido autorizada em setembro pelo Ministério da Saúde
Vacinação de adolescentes sem comorbidades tinha sido autorizada em setembro pelo Ministério da Saúde (foto: Juarez Rodrigues/EM/DA Press)
O fato de o  Ministério da Saúde recuar e não indicar, na última quinta-feira (16/09), a vacinação contra a COVID-19 em adolescentes  gerou discussão em todo o Brasil. Em Belo Horizonte, mães se mobilizaram pela imunização das pessoas abaixo dos 18 anos. O movimento segue mesmo com os anúncios da Prefeitura de BH e do governo do estado  de que seguirão vacinando os jovens, ao contrário do agora defendido pelo governo federal.

A mobilização começou em um grupo de mães de estudantes do Colégio Loyola, escola particular de classe média-alta situada no Bairro Cidade Jardim, Região Centro-Sul de BH, mas já conta com mães e pais de escolas públicas e até de escolas de ocupações, segundo Stella de Araújo, de 58 anos. Ela, que é médica clínica e sanitarista, é uma das mulheres que compõem o grupo ligado inicialmente ao Loyola e faz coro na pressão para que a imunização aos adolescentes aconteça.

"Resolvemos fazer uma carta para as mães e os pais que queiram assinar, para ajudar a pressionar. Minas e BH já falaram que vão vacinar se tiver vacina, e vamos pressionar para ter vacina também, pois São Paulo e Rio de Janeiro nem colocaram esse porém, só continuaram ignoraram o informe federal", disse, ao Estado de Minas .

O manifesto, chamado "Mães mineiras pela vacinação dos adolescentes" também busca o apoio das autoridades. "Vamos tentar falar com parlamentares para que esse aporte chegue, a gente não defende a vacinação ou de adolescente ou de idosos. Queremos somar as doses suficientes para terceira dose e para adolescentes, vamos monitorar isso. Na próxima semana, vamos marcar uma conversa com autoridades e ficar em cima até o último adolescnete ser vacinado em BH e, porque não, em Minas", completou Stella. 

Marta Maia tem uma filha que estuda na Escola Estadual Leopoldo de Miranda, no Bairro Santo Antônio, também na Região Centro-Sul da capital mineira, e é outra a participar do coro pela vacinação dos adolescentes. A professora da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) relembra que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recomendou, no dia seguinte à posição do Ministério da Saúde, a manutenção da imunização das pessoas com menos de 18 anos.

"O Brasil precisa continuar essa vacinação para poder reduzir os índices; BH, inclusive, voltou a crescer. Se a Anvisa autorizou, não tem porquê o ministro da Saúde, a partir de um presidente que não segue recomendações pelo fato de não usar máscara, aglomerar e criticar vacinas, não seguir a orientação da Anvisa. Não sou médica, e mesmo que fosse, quem define isso são os órgãos reguladores.  A vacinação tem que continuar, esses boatos que surgem de mortes de adolescentes já foram comprovados que não têm relação com a vacina, e isso só prejudica", diz Marta.

Outra mãe na corrente pela vacinação dos adolescentes é a professora Mariana Dias, de 38 anos, que tem duas crianças no Centro Múltiplo de Interação e Cultura. "Queremos recuperar o direito à escola, e estamos conversando para criar o ambiente ideal. A vacinação dos adolescentes, ainda mais agora com as variantes Delta e Mu, é algo que precisa acontecer. As infraestruturas de escola infantil pública são favoráveis, mas alguns colégios do fundamental são mais precários, tanto da prefeitura quanto do estado. A vacinação de adolescentes já avançou em alguns lugares e já debatem até sobre imunização de crianças. Como isso, há também o direito do adolescente, para que ele volte a frequentar e utilizar seus espaços".

Imunização de adolescentes em BH e Minas


Minas Gerais informou nessa sexta-feira (17/8), após o comunicado da Anvisa, que continuaria com a imunização dos adolescentes entre 12 e 17 anos de idade. A decisão se baseou justamente no anúncio da agência reguladora, que vai contra o estabelecido pelo ministério - em setembro, a pasta tinha autorizado a imunização, mas voltou atrás porque a Organização Mundial da Saúde (OMS) não deixa claramente definida esta imunização, mas não a proíbe.

"A Anvisa afirmou que não existe nenhuma restrição técnica da vacina para este grupo. Diante disso, Minas está liberando pela deliberação que já existia, a vacinação de todos os adolescentes, com ou sem comorbidades", disse o secretário de Saúde de Minas, Fábio Baccheretti.

Jackson Machado, secretário de saúde belo-horizontino, também se manifestou após informar que a capital seguiria as normas da Anvisa. "A nossa ideia é imunizar pessoas ainda mais jovens, porque sabemos que vacinar este público é extremamente importante para poder controlar a transmissão, pois também circulam pela cidade, e são pessoas importantes a serem vacinadas". 

Imunização no Brasil

Ao menos 18 estados e o Distrito Federal se posicionaram favoráveis à vacinação contra COVID-19 de adolescentes de 12 a 17 anos. Veja a lista 
  1. São Paulo
  2. Minas Gerais
  3. Santa Catarina
  4. Piauí
  5. Amapá
  6. Amazonas
  7. Espírito Santo
  8. Distrito Federal
  9. Sergipe
  10. Pernambuco
  11. Rio de Janeiro
  12. Rio Grande do Sul
  13. Ceará
  14. Pará
  15. Rio Grande do Norte
  16. Bahia
  17. Roraima
  18. Acre
  19. Distrito Federal
A vacinação dos adolescentes de Salvador, Porto Velho e Manaus retornou neste sábado (18). Os outros estados não se pronunciaram, preferiram seguir a orientação do Ministério da Saúde ou não iniciaram a vacinação desta faixa etária. 


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