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Estado de Minas ISOLAMENTO

Movimentação de mineiros supera patamares pré-pandêmicos

Índice que usa dados do Google aponta vaivém acelerado no estado em agosto. Em BH, isolamento cai mas ainda tem fôlego


04/09/2021 04:00 - atualizado 04/09/2021 07:07

Pedestres na Praça Sete: afastamento social recuou na capital mineira a partir das flexibilizações, mas movimento ainda é menor do que o anterior à pandemia
Pedestres na Praça Sete: afastamento social recuou na capital mineira a partir das flexibilizações, mas movimento ainda é menor do que o anterior à pandemia (foto: Leandro Couri/EM/D.A Press - 11/8/21)
Agosto foi o mês em que os mineiros menos permaneceram em casa desde o início da pandemia do novo coronavírus (Sars-CoV-2), sendo que, em média, desde julho Minas Gerais já registra volume de movimentações acima dos verificados antes de a COVID-19 se instalar no estado. É o que mostra o Índice de Permanência Domiciliar (IPD), indicador de isolamento social criado depois de a crise da variante P1 do vírus, hoje chamada de Gama, ter devastado Manaus.

A ferramenta foi desenvolvida por especialistas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Instituto Federal do Ceará (IFCE) e Universidade de Brasília (UNB) para auxiliar a tomada de decisões do poder público e de instituições, levando em conta que as aglomerações contribuem para a disseminação da doença em qualquer estágio da pandemia.

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O índice utiliza um algoritmo munido com dados do Google Mobility Report ajustados após a análise dos impactos da linha do tempo dos decretos da pandemia, da incidência de COVID-19 e do número de óbitos entre março de 2020 e janeiro deste ano, em Manaus e Fortaleza, e pode ser usado em qualquer região do Brasil. De acordo com o IPD (veja quadro), o isolamento social brasileiro em 2020 era de 30,93, considerando zero o nível médio pré-pandemia e que marcas negativas indicam circulação acima da apontada como normal antes da COVID-19.

De acordo com os dados, neste ano, o esforço de afastamento já caiu 43%, para um IPD médio de 17,63. Em MG, a queda foi de 36%, de 23,26 para 12,94, sendo que em Belo Horizonte o afastamento caiu 30,9%, mas ainda é superior à média do estado, tendo passado de um IPD de 37,2 em 2020 para 25,7 em 2021 (o dobro do registrado no estado).

Agosto foi o mês com menos afastamento público, de acordo com as medições do IPD. Em Belo Horizonte, o registro foi de 6,6, com 11 capitais brasileiras se retraindo mais, sendo Florianópolis a com o procedimento mais restritivo delas, com uma marca de 37,8. No estado de Minas Gerais como um todo, a situação é diferente. O IPD mineiro chegou a -6,4 no mês, ou seja, há mais pessoas circulando do que antes da pandemia, sendo que outros 14 estados estão praticando mais isolamento, com destaque para Santa Catarina, com 12,8. Com isso, a marca de BH é praticamente o dobro da mineira e se a capital fosse um estado, seria o segundo a mais praticar isolamento, acima de São Paulo (5,7) e atrás apenas de Santa Catarina.

De acordo com o estudo que resultou no desenvolvimento do IPD, denominado “Colapso na Saúde em Manaus: o fardo de não aderir às medidas não farmacológicas de redução da transmissão da COVID-19”, o isolamento é medida crucial para controle enquanto se estiver mergulhado na pandemia. “O IPD é um índice relativo e visa comparar a efetividade das medidas de distanciamento social coordenadas pelo poder público entre localidades. Quanto maior o índice, maior a permanência residencial e menor a circulação de pessoas em áreas públicas, sugerindo uma diminuição da probabilidade de exposição de pessoas suscetíveis ao novo coronavírus”, indica o estudo científico.

Atualmente, de acordo com o IPD, apenas seis estados brasileiros seguem fazendo isolamento social, com os demais registrando em agosto movimentos superiores a índices pré-pandêmicos. Os que ainda conseguem afastamento em meio a retomadas e flexibilizações de atividades, além de Santa Catarina e São Paulo, são Rio Grande do Sul (5,07), Rio de Janeiro (4,5), Bahia (3,4) e Pará (2,5).

Os pesquisadores que desenvolveram o IPD afirmam que a ferramenta tem se provado suficientemente fiel para demonstrar as situações atuais e com isso apontar tendências de relaxamento ou de adesão das populações avaliadas. “A validade e sensibilidade desse novo indicador foi evidente, pois o mesmo responde, de modo rápido, às determinações legais de isolamento e de relaxamento”, avalia o estudo.

TEMPO DE REAÇÃO


Apoiado em outros estudos e com as análises dos efeitos de eventos como as medidas de restrição de circulação e atividades tomadas pelo poder público, esse estudo indica qual o tempo de reação das pessoas e da doença a esses movimentos. “Medidas não farmacológicas isoladas, incluindo fechamento de escola, fechamento de local de trabalho, proibição de eventos públicos, proibição de reuniões de mais de 10 pessoas, condições específicas para sair de casa e limites de movimento interno, estão associadas à transmissão reduzida de SARS-CoV-2. Entretanto, os efeitos da introdução e da intensificação destas medidas não farmacológicas só se manifestam depois de 1–3 semanas de sua implementação. Da mesma forma, o aumento na taxa de transmissão do vírus também sofre um atraso ao se suspender as medidas não farmacológicas, sendo esse efeito ainda mais demorado”, indica o trabalho científico.

Dia de jogo marcou drible no afastamento


O dia de menor isolamento registrado em Belo Horizonte neste ano foi 18 de agosto, uma quarta-feira, data em que o Mineirão recebeu mais de 17 mil pessoas e os bares da capital mineira lotaram para torcedores do Galo assistirem à vitória do Atlético sobre o River Plate, por 3 a 0, pela Copa Libertadores da América, primeira partida liberada depois de março de 2020, quando tiveram início as restrições devido à pandemia do novo coronavírus. O Índice de Permanência Domiciliar (IPD) medido naquele dia foi de 4,84 (zero seria a média antes da pandemia e números negativos acima do normal pré-pandêmico). Mas esse não foi o único evento da data, que registrou, ainda, protestos dos servidores públicos contra a reforma administrativa. Os jogos com público acabaram suspensos pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) depois das aglomerações desta e da partida seguinte, do Cruzeiro, no Estádio Independência, dois dias depois.

Já a data de menor isolamento de Belo Horizonte no em 2020 a partir do início da pandemia, com 4,6 pontos no IPD, foi 21 de março, dia seguinte aos decretos de restrições de atividades e com as aulas já suspensas. Nas primeiras horas daquele sábado, quando entravam em vigor as normas de isolamento, as pessoas esvaziavam as prateleiras de supermercados e farmácias, buscando estocar produtos e sem saber por quanto tempo deveriam se recolher, principalmente porque a Europa já estava em crise provocada pela pandemia havia meses e por lá muitas cidades enfrentavam lockdown.

O mês seguinte – quando empresas adotaram o teletrabalho e a apreensão frente ao desconhecimento em torno da COVID-19 tomava conta dos lares – foi o de maior isolamento dos belo-horizontinos. De acordo com o IPD, a média de afastamento atingiu um índice de 68,23 em abril de 2020, sendo que no mesmo mês deste ano, em pleno colapso hospitalar devido à ação da variante de Manaus, esse esforço de afastamento foi 32,5% menor, ficando em 46,04.

Os dias de abril também foram, disparados, os de maior isolamento registrado pelo IPD quando se considera datas separadamente. O IPD mais alto foi alcançado em 3 de abril de 2020, quando se chegou, em Belo Horizonte, a um patamar de 73,8 pontos. Esse dia caiu em uma sexta-feira. Naquele período, o cenário era assustador no Brasil.

Cartórios registraram mais mortes por novo coronavírus do que por qualquer outra causa, houve congestionamentos de sepultamentos e centenas de covas sendo abertas nos cemitérios deixaram a opinião pública estarrecida.  O Ministério da Saúde convocou às pressas 14 categorias para reforçar ações sanitárias pelo país e ainda se divergia sobre o uso de máscaras, sobretudo caseiras, o que elevava a sensação de insegurança para sair às ruas.

Em 2021, o dia com maior isolamento em 2021, em Belo Horizonte, foi 4 de abril, um domingo de Páscoa atípico, sem os tradicionais tapetes de serragem nas cidades históricas, que permaneciam fechadas aos turistas. Nos templos de BH, cultos só podiam ocorrer virtualmente. Naquele dia, a capital mineira conseguiu marca de 52,6 no IPD.

ALERTAS PÚBLICOS


Tanto a PBH, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMSA), quanto a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) consideram o afastamento fundamental enquanto os mineiros estiverem vivendo sob a pandemia do novo coronavírus. “A SES-MG tem reforçado as recomendações sanitárias como o uso correto de máscaras, lavagem das mãos com frequência e evitar aglomerações”, afirma a pasta estadual. Como prevenção, é imprescindível que a população mantenha as recomendações sanitárias, como o uso correto de máscaras, evitar aglomerações e lavar as mãos com frequência”, orienta a SMSA.


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