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Estado de Minas INCLUSÃO SOCIAL

ONG busca parceiros para manter atendimento a pessoas com deficiência

Entidade acolhe de bebês prematuros a adultos especiais e seus familiares; mais de 400 pessoas já foram incluídas no mercado de trabalho


21/07/2021 12:56 - atualizado 21/07/2021 17:00

ONG garante atendimento especializado a pessoas especiais, de prematuros a adultos, e seus familiares de toda a região metropolitana. (foto: Jader Rezende/Divulgação)
ONG garante atendimento especializado a pessoas especiais, de prematuros a adultos, e seus familiares de toda a região metropolitana. (foto: Jader Rezende/Divulgação)
Ao comemorar 50 anos, o Centro de Atendimento e Inclusão Social (Cais), em Contagem, na Grande BH, busca retomar as atividades presenciais, mas precisa ampliar e retomar parcerias, que, devido à pandemia, acabaram se afastando. Estima-se que a entidade perdeu em torno de 30% de seu suporte financeiro, mesmo mantendo o atendimento a mais de 500 pessoas especiais e seus familiares. 

A ONG garante atendimento especializado a pessoas especiais, de prematuros a adultos, e seus familiares de toda a região metropolitana. Mais de 400 já foram integrados ao mercado de trabalho. Foi pioneira a se especializar no atendimento a bebês saídos de UTIs neonatais.
Em parceria com o Sistema Único de Saúde (SUS), o Cais prioriza atenção clínica a pessoas com deficiência intelectual e autismo, bebês prematuros ou que sofreram algum tipo de intercorrência durante o parto. Atende também crianças com transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH). Todo o serviço prestado é gratuito.

São 62 funcionários e especialistas nas áreas de saúde, educação e assistência social, que mantiveram acompanhamento online. Os convênios com o poder público correspondem a 45% das receitas e o restante acontece através cursos de qualificação, de contratos e parcerias com empresas, pessoas físicas e atividades como jantares beneficientes , bazares e encontros.

Tudo isso foi reduzido com a pandemia. "Os encontros e cursos cessaram, algumas empresas parceiras deixaram de existir, outras reduziram os valores contratuais e, em alguns casos, os repasses foram suspensos. Mas nossos atendimentos clínicos, educacionais e sociais não pararam", explica a superintendente do Cais, psicanalista Cristina Abranches Mota Batista.
 
Frederico Abreu lembra a emoção vivida há dois anos, ao ser informado da conquista do seu primeiro emprego: ''Muito feliz''(foto: Arquivo pessoal)
Frederico Abreu lembra a emoção vivida há dois anos, ao ser informado da conquista do seu primeiro emprego: ''Muito feliz'' (foto: Arquivo pessoal)
No início da pandemia as equipes se reuniram, visitaram as casas dos assistidos para conhecer as condições, auxilia-los na adaptação para os contatos online e elaboraram um plano de ação para não suspender as atividades e manter o atendimento integrado.  "Nos preparamos até desenvolver um sistema para criar um prontuário eletrônico do trabalho em equipe", conta a superintendente.

A dona de casa Joelma Silveira de Souza, 34 anos, recorreu ao Cais quando seu filho Kelvin, de 3, foi diagnosticado, aos 10 meses, com a síndrome Cri-du-chat, mais conhecida como síndrome do miado de gato. Trata-se de doença genética rara que pode levar ao atraso no desenvolvimento intelectual, neuropsicomotor e até, em casos mais graves, ao comprometimento do coração e dos rins. 
 
Por seis meses, o atendimento de Kelvin foi remoto, e as sessões voltaram a ser presenciais em março deste ano. Segundo a mãe, sem o apoio do Cais, o progresso no acompanhamento do filho jamais teria sido alcançado. "Não temos como custear esse tratamento, seria impossível".
 
Joelma contou que até o diagnóstico de seu filho, jamais ouviu falar da síndrome. E atribui as evoluções piscomotoras e de fala ao tratamento que vem recebendo desde os primeiros meses de vida. "E mais importante, é o apoio que nossa família recebe para entender a doença e saber lidar com ela."
 
Também nas situações de inclusão laboral foram mantidas as intermediações e o apoio na adaptação tanto do trabalhador especial, quanto da empresa que o acolheu. "Algumas empresas e seus funcionários precisam se adaptar para a inclusão. Por parte dos trabalhadores, foi preciso algumas visitas para preparação do ambiente de trabalho em casa, diante da pandemia", conta Cristina Batista.
 

Inclusão rompe fronteiras em empresas

Empresas parceiras do Centro de Atendimento e Inclusão Social (Cais) destacam que o processo de inclusão de pessoas com deficiência em seus quadros rompe a fronteira da inclusão, ao impactar positiva e diretamente a vida de centenas de pessoas.
 
Organização de tecnologia que tem como diferencial a forma como lida com pessoas, a AeC figura entre as parcerias consolidadas com o Cais. O executivo de Pessoas, Alexandre Faria, destaca a importância da ação do Cais na inserção de pessoas com deficiência no mercado de trabalho.
Joelma conseguiu apoio para o filho Kelvin e a família passou a entender e a lidar com a
Joelma conseguiu apoio para o filho Kelvin e a família passou a entender e a lidar com a "síndrome do miado de gato" (foto: Jader Rezende/Divulgação)

"A nossa sinergia com o Cais não é somente importante do ponto de vista da inclusão por si só. Ela é importante porque nos capacita juntamente com os assistidos pelo projeto", afirma Faria.
 
A rede Drogaria Araújo já efetivou em seu quadro de pessoal mais de 20 encaminhados pelo Cais. A analista de recrutamento e seleção da Drogaria Araújo, Lorena Moreira, é mais uma a comprovar que a mudança de paradigmas entre os funcionários é uma das grandes conquistas.

"A receptividade é muito boa. Para chegar a esse comprometimento, promovemos várias ações de sensibilização por meio dos nossos canais de comunicação interna. O Cais também nos auxilia com a atenção a ser dispensada pelo gerente que recebe esse profissional e com o tutor que irá auxiliar no processo de adaptação e trabalho, o que acaba por facilitar esse dinamismo com os demais funcionários", explica Lorena.
 
Acolhido pelo Cais ainda criança, o operador de telemarketing Frederico Goulart Abreu, 23 anos, lembra a emoção vivida em 8 de julho de 2019, ao ser informado da conquista do  seu primeiro emprego. "Fiquei muito feliz. Estava tentando trabalhar fazia tempo. Às vezes me dava um branco nas entrevistas e não conseguia falar direito", conta.
 
A deficiência intelectual de Frederico não o impediu de superar expectativas e seu empenho e dedicação acabaram por destacá-lo no exercício de sua função. Recentemente, ele foi contemplado com o Certificado de Reconhecimento "pela excelente performance nos indicadores e cumprimento de metas" estabelecidas pela empresa, concedido pela equipe de Treinamento da AeC. "Foi uma grande conquista, me deu mais segurança e vontade de trabalhar, de crescer na empresa."


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