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Estado de Minas MEIO AMBIENTE

Amda apresenta estudo com proposta alternativa para Alça Sul do Rodoanel

Análise foi feita pelo Fórum Permanente São Francisco; segundo engenheiro, a proposta é mais sustentável e barata


03/03/2021 18:38 - atualizado 03/03/2021 19:15

Alça 1C é a proposta do governo de Minas; Amda apresentou Alça 1A como alternativa(foto: Amda/Divulgação)
Alça 1C é a proposta do governo de Minas; Amda apresentou Alça 1A como alternativa (foto: Amda/Divulgação)
A Associação Mineira de Defesa do Ambiente (Amda) apresentou nesta quarta-feira (03/02) uma proposta técnica alternativa ao traçado da Alça Sul do Rodoanel, anunciada pelo Governo de Minas. O estudo foi acordado em uma reunião entre a Amda e a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Mobilidade (Seinfra).

 

O estudo foi realizado pelo Fórum Permanente São Francisco, a convite da Amda, e fez uma análise dos documentos disponibilizados pelo Governo de Minas com a proposta de construção da Alça Sul do Rodoanel. Além de uma proposta técnica, baseada no estudo de engenharia civil, com diversos pontos necessários para a construção da rodovia.
 
Segundo Euler Cruz, engenheiro representante do Fórum, o planejamento disponibilizado pelo governo, mesmo que preliminar, é precário e necessita de mais estudo para ‘ficar de pé’: “Não temos dúvidas nenhuma quanto à necessidade dessas soluções para resolver o tráfego das rodovias metropolitanas. As perguntas apresentadas dizem respeito à questão da forma”.
 
“Queremos uma forma mais sustentável, segura, minimizando os impactos ambientais e riscos de acidentes. Precisamos de um projeto que saia do papel e fique de pé, resultando em soluções sustentáveis, com redução expressiva ou eliminação total dos problemas. O que vimos que foi feito até o momento no projeto (do governo) em termos de engenharia, mesmo se tratando de algo preliminar, é um projeto que não fica de pé. Faltam muitos documentos, estudos e há dúvidas”, diz Euler.
 
Em coletiva, foram apresentados possíveis problemas que o projeto poderá acarretar, como prejuízo aos aquíferos da região da Serra do Rola Moça e Serra da Moeda, que têm dois túneis previstos, ambos passando por baixo de rochas importantes na circulação da água. 
 
Fazer escavações nesta região poderá causar um fenômeno chamado de ‘cone de depressão hidráulica’. Ao escavar túneis em camadas aquíferas da terra, forma-se um espaço com pressão negativa, que suga a água ao seu redor. Nesse processo, a água irá infiltrar para dentro do túnel, causando diversos vazamentos. 
 
De acordo com o estudo, há soluções para a situação, entretanto são muito caras e no documento apresentado pelo estado não é possível saber se os custos incluem essa manutenção. Além desse problema, outros como falta de estudo de solo, de riscos geológicos e demais questões ambientais são apresentadas na proposta alternativa. 
 
Apesar dos problemas serem originados em diversas áreas ambientais e técnicas, todos se assemelham por não serem mostrados no projeto do governo do estado para a Alça Sul do Rodoanel, segundo o levantamento da Amda.
 
Como proposta, o estudo apresentou uma rota que já foi, inclusive, cogitada em 2012 em uma das discussões sobre a construção do Rodoanel. Entretanto, esta foi desconsiderada pelo estado e sem explicações dos motivos, de acordo com Euler. 
 
O traçado da proposta alternativa é conhecido por 1A e tem 13km de comprimento. Ele passa pelo Bairro Olhos D’Água, atrás de Ibirité, seguindo bem próximo à Serra do Rola Moça, fora das comunidades e mais na área rural. 
 

 
São três pontes, somando 950m de comprimento, um túnel de 800m de comprimento, que não passa por aquíferos e diminui os riscos e gastos com manutenções devido a infiltrações. O trajeto, de acordo com a Amda será, provavelmente, mais barato que o atual. 
 
Sua extensão e diminuição das complicações de terreno são motivo da redução de custos. A alternativa também teria impacto no Rola Moça, mas em uma área menor e que já é afetada. Segundo a Amda, será em um trecho da unidade de conservação atingido pela ferrovia
 
Entretanto, há formas de reduzir a consequência ambiental no trecho que passa perto do Bairro Mineirão. Neste caso, seria necessário a remoção de 100 residências, mas é uma solução que teria um impacto social maior, já que precisaria da relocação das famílias. 
 
No projeto apresentado pelo estado, são 17km de comprimento, adotando o caminho chamado de 1C. Nele são 1.450m de comprimento das pontes e 7km de túnel. Para construir toda a infraestrutura na região escolhida, o investimento de tempo, dinheiro, estudo e logística é ainda maior, segundo a Amda.
 
O trecho alternativo ainda não tem previsão de gastos, mas Euler garantiu que a estimativa sairá o mais rápido possível e que será mais barata, por ser menos complicada. 
 
*Estagiária sob supervisão do editor Álvaro Duarte


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