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Estado de Minas PATRIMÔNIO

Altar histórico de Belo Horizonte vai ser restaurado

Iepha anuncia restauro de retábulo da matriz de Curral Del-Rey, o arraial que deu origem a BH. Peça com características do rococó mineiro é parte do acervo da Igreja Boa Viagem


28/11/2020 06:00 - atualizado 28/11/2020 07:12

Esculpido em madeira pintada de branco com douramento, o retábulo esteve no Museu Abílio Barreto até 1999, quando foi transferido para o coro do santuário(foto: PADRE MARCELO SILVA/IGREJA BOA VIAGEM/DIVULGAÇÃO)
Esculpido em madeira pintada de branco com douramento, o retábulo esteve no Museu Abílio Barreto até 1999, quando foi transferido para o coro do santuário (foto: PADRE MARCELO SILVA/IGREJA BOA VIAGEM/DIVULGAÇÃO)

Um dos principais símbolos religiosos do antigo Curral Del-Rey, arraial destruído para a construção de Belo Horizonte, que completará 123 anos no próximo dia 12, será restaurado para ajudar a contar melhor a história da cidade e compor o acervo do Santuário Arquidiocesano de Adoração Perpétua (Igreja Boa Viagem). O templo que abriga o altar dedicado à padroeira da capital, localizado na Região Centro-Sul, teve o interior totalmente restaurado após oito anos de obras.
 
De acordo com o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG), foi concluído, pelo órgão vinculado à Secretaria de Estado de Cultura e Turismo, o processo licitatório para contratação de empresa especializada para a restauro do retábulo do Sagrado Coração de Jesus da antiga matriz de BH, denominada Igreja Matriz da Boa Viagem de Curral Del-Rey. "É uma grande alegria, pois o altar poderá receber a padroeira, também restaurada, ou outra imagem de devoção", disse, ontem, o reitor do santuário e titular da Paróquia Nossa Senhora da Boa Viagem, Padre Marcelo Silva.
 
Em nota, a direção do Iepha informa que o projeto executivo para restauração prevê imunização contra cupins, revisão e substituição de peças estruturais ineficientes, recomposição do fundo, forro do camarim e coroamento, limpeza e reintegração da camada pictórica e douramento. O valor do investimento é de R$200 mil, recurso de emenda parlamentar de autoria do deputado estadual Bruno Engler (PRTB).

ROCOCÓ O retábulo é remanescente da antiga matriz, provavelmente datado de fins do século 18, com características do rococó mineiro, apresentando ornamentação em talha dourada representando rocalhas, folhas de acanto, rosas e outros elementos fitomorfos sobre fundo branco.
 
Esculpido em madeira pintada de branco com douramento, o retábulo tem o corpo composto externamente por duas colunas jônicas, marcadas no seu terço inferior por estrias em diagonal. Duas pilastras com forma de duplo modilhão e dispostas em plano recuado estão localizadas internamente. No camarim, o trono escalonado recebe uma réplica em madeira da imagem de Nossa Senhora da Boa Viagem. No coroamento, o arco do camarim é encimado por dossel sustentado por elemento contracurvado inserido em arco superior e arrematado por entablamento retilíneo. As plumadas das colunas externas são arrematadas por fragmentos de cornija. Esse retábulo esteve no Museu Abílio Barreto até 1999, quando foi restaurado e transferido para o coro da igreja da Boa Viagem.
 
A Igreja Nossa Senhora da Boa Viagem passou por várias construções e demolições. A última intervenção ocorreu em 1931 e foi projetada pelo escritório do arquiteto Luís Signorelli. O tombamento estadual data de 1977 e abrange o templo e a praça que o circunda, os bens que compõem o seu interior como a imagem de Nossa Senhora da Boa Viagem, o lavatório da sacristia, a pia batismal, a custódia do Congresso Eucarístico Nacional e os três retábulos da antiga matriz e os dois sinos da catedral, remanescentes da antiga Matriz da Boa Viagem.


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