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Estado de Minas Oncologia

Mutirão vai diagnosticar tumores intraoculares em crianças

O retinoblastoma foi o primeiro câncer a ser descrito como uma doença genética. Se confirmado o diagnóstico, o paciente iniciará o tratamento com os profissionais da Santa Casa BH


09/09/2020 15:29 - atualizado 11/09/2020 13:18

Carla luta para conseguir recursos para a prótese da filha caçula, Ester(foto: Tuilo Santos/EM DA Press )
Carla luta para conseguir recursos para a prótese da filha caçula, Ester (foto: Tuilo Santos/EM DA Press )

Um mutirão de atendimento para diagnóstico do retinoblastoma, o câncer intraocular mais comum na infância, acontecerá, a partir das 8h30 na sexta-feira (18), no Ambulatório Oftalmológico da Santa Casa de Misericórdia de BH, na avenida Francisco Sales, 1.113 – Santa Efigênia. A iniciativa é uma das ações da campanha Setembro Dourado e marca o “Dia Nacional de Incentivo ao Diagnóstico Precoce do Retinoblastoma”. 

Serão disponibilizadas 40 vagas. Os pais e responsáveis interessados devem enviar pelo WhatsApp (31) 99904-2349 uma mensagem com #retinoblastoma. Se confirmado, o paciente iniciará o tratamento com os profissionais da Santa Casa BH.

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o retinoblastoma é o tumor intraocular mais comum da infância e corresponde entre 2,5% a 4% de todos os tumores pediátricos. Foi o primeiro câncer a ser descrito como uma doença genética. Ocorre na criança pequena, sendo que dois terços dos casos são diagnósticados antes dos 2 anos e 95% antes dos 5 anos. 
 
A oncologista ocular da Santa Casa, Dra. Rafaela Caixeta, explica que o retinoblastoma é a principal causa de remoção do globo ocular em crianças. “É um câncer com altos índices de cura, desde que diagnosticado precocemente e adequadamente tratado. Cerca de 80% dos casos da doença são descobertos antes dos 4 anos. A detecção do primeiro sinal é percebida, na maioria dos casos, por um familiar da criança ou pelo pediatra. Diante de qualquer suspeita, é imprescindível encaminhá-las para um serviço de referência como o da Santa Casa BH”.
 
"O sinal mais comum é a leucocoria ou reflexo pupilar branco (olho de gato), seguido do estrabismo. Outras formas de apresentação menos frequentes são inflamação, irritação ocular, glaucoma, massa em órbita e proptose (olhos proeminente). Em casos avançados, podem ocorrer sintomas de comprometimento do sistema nervoso central (cefaleia e vômitos) e da medula óssea (dor óssea)."
 

'Junta médica'

 
A auxiliar de cozinha Carla Roberta Pereira da Silva, 33 anos, conta que seu "calvário" iniciou-se em janeiro, quando a filha adotiva Ester, com pouco menos de 2 anos, apresentou apresentou uma inflamação ocular. "Fui ao posto de saúde e a pediatra recomendou que me dirigisse ao setor de oftalmologia da Santa Casa." 
 
Carla conta que a filha passou por diversos especialistas, “uma verdadeira junta médica”, e incontáveis exames, até que foi diagnosticado o tumor. Disse que entrou em desespero, uma vez qua não se sabia a extensão do problema. "Ficamos em pânico (ela tem mais três filhos adolescentes) e o pior ainda estava por vir, pois fui informada que o olho deveria ser extraído e somente depois da cirurgia é que poderiam avaliar se antingiu o olho esquerdo ou o cérebro". 
 
Uma semana após o diganóstico a garota foi submetida à cirurgia de subtração do olho direito. Por problemas de cicatrização, 20 dias depois passou por nova cirurgia. Ontem (8/9) Ester foi examinada e liberada para a colocação de uma prótese. Segundo a mãe, recebeu no hospital duas indicações para confecção do olho postiço, uma particular e outra para o SUS, seguida da informação de ser "quase impossível" conseguir a prótese pelo sistema público. Ela já acionou o Conselho Tutelar do Barreiro, onde mora, que ficou de acompanhar o processo, em caso de negativa ou demora. 
 
Com o contrato de trabalho suspenso Carla diz "não ser um opção" procurar o serviço particular, que custaria entre R$ 2.500 e R$ 3 mil. "Além dessa preocupação, o que mais me deixa ansiosa é ainda não ter o resultado sobre a profundidade do tumor e se houve sequelas ou comprometimentos de outros órgãos. Também não sabemos se haverá necessidade de quimioterapia". A consulta para avaliação do outro olho está marcada para a próxima semana.

Novo serviços em BH

 
Inaugurado em abril de 2019, o Serviço de Diagnóstico e Tratamento do Retinoblastoma da instituição é o único da capital mineira.  Até então, as crianças diagnosticadas com o câncer intraocular eram encaminhadas para tratamento em São Paulo. Com o novo serviço, os pacientes passaram a receber atendimento integral pelo SUS em Belo Horizonte. Para funcionamento do serviço, foi fundamental a aquisição do RetCam,  um moderno e avançado sistema de mapeamento e avaliação da retina baseado em imagens fotográficas digitais de alta resolução, que permite diagnósticos precisos das mais diversas patologias oculares. 
 
De acordo com o INCA o retinoblastoma pode ter como apresentação duas formas clínicas: bilateral ou multifocal, hereditária, correspondente a 25% de todos os casos, caracterizada pela presença de mutações do gene RB1, ou ser resultado de uma nova mutação germinativa (75%). Ja a unilateral ou unifocal, que representa 75% de todos os casos, são considerados esporáticos e em 90% não são hereditários. Em  10%, os diagnósticos apresentam casos germinativos (das células que originam os ovários e os testículos) unilaterais e unifocais.
 

Campanha Setembro Dourado 


A campanha Setembro Dourado do Grupo Santa Casa BH promoverá ao longo do mês diversas ações informativas para ampliar o debate e esclarecer dúvidas a respeito do tema. Em 2020, a instituição adotou o lema “Nossas Crianças São Feras!”, destacando história de jovens que enfrentaram esse processo "com muita garra e coragem." Foi realizada uma live e produzido um podcast falando sobre como os pacientes passaram pelo tratamento, o trabalho da equipe multiprofissional e abordando dúvidas sobre cada tipo de câncer, os sintomas e o diagnóstico.
 
O câncer infantojuvenil corresponde a um grupo de várias doenças que têm em comum a proliferação descontrolada de células anormais e que pode ocorrer em qualquer local do organismo. Diferentemente do câncer do adulto, o câncer infantojuvenil geralmente afeta as células do sistema sanguíneo e os tecidos de sustentação. Por serem predominantemente de natureza embrionária, tumores na criança e no adolescente são constituídos de células indiferenciadas, o que proporciona melhor resposta aos tratamentos atuais.
 
Os tumores mais frequentes na infância e na adolescência são as leucemias, afetando os glóbulos brancos, os que atingem o sistema nervoso central e os linfomas (sistema linfático). Também acometem crianças e adolescentes o neuroblastoma, tumor de células do sistema nervoso periférico, frequentemente de localização abdominal, tumor de Wilms, nos rins, retinoblastoma  que afeta a retina, fundo do olho, tumor germinativo, das células que originam os ovários e os testículos, osteossarcoma que é o tumor ósseo e sarcomas, com ocorrência nas partes moles.
 
Segundo o Inca, assim como nos países desenvolvidos, no Brasil, o câncer já representa a primeira causa de morte (8% do total) por doença entre crianças e adolescentes de 1 a 19 anos. Nas últimas quatro décadas houve progressos, chegando em torno de 80% de curados, se diagnosticados precocemente e tratados em centros especializados. A estimativa de novos casos em 2020, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer é de  8.460 casos, sendo 4.310 para o sexo masculino e 4.150 para o sexo feminino.


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