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Estado de Minas

Coronavírus: um desafio também dentro do cérebro

Morte de apresentador de TV aos 45 anos chama a atenção para aspecto da doença que intriga médicos: os danos neurológicos, inclusive em pacientes jovens


02/08/2020 04:00 - atualizado 01/08/2020 22:03

Médicos como o neurocirurgião Leonardo Wendling Henriques recomendam atenção com sintomas como sonolência, dor de cabeça intensa, convulsão e confusão mental(foto: Gladyston Rodrigues/Em/D.a press)
Médicos como o neurocirurgião Leonardo Wendling Henriques recomendam atenção com sintomas como sonolência, dor de cabeça intensa, convulsão e confusão mental (foto: Gladyston Rodrigues/Em/D.a press)

 A morte precoce do apresentador Rodrigo Rodrigues, dos canais Sportv, da TV Globo, vítima da COVID-19 aos 45 anos, provocou comoção especialmente entre a imprensa esportiva e torcedores, mas chamou a atenção também para uma consequência da doença ainda pouco estudada e cercada de dúvidas: os reflexos do novo coronavírus sobre o sistema nervoso. Enquanto especialistas no assunto notificam aumento de acidentes vasculares cerebrais (AVCs) entre os infectados, as causas desses derrames ainda é debatida, sobretudo a partir de três hipóteses, todas ligadas à principal causa dessa emergência médica: a formação de coágulos sanguíneos, que entopem veias ou artérias do corpo, prejudicando a circulação de sangue no cérebro.

 

 

Em entrevista ao Estado de Minas, o neurocirurgião Leonardo Augusto Wendling Henriques, vinculado ao Instituto Mário Penna e do corpo médico do Hospital Luxemburgo, em Belo Horizonte, explica que toda a discussão sobre como o coronavírus afeta o sistema nervoso passa um grupo de situações. “Três mecanismos possibilitam que o AVC ocorra em quem está infectado pelo novo coronavírus: a lesão do endotélio (revestimento dos vasos sanguíneos) pela infecção do vírus; o aumento de fatores sanguíneos (proteínas que podem ser alteradas pela virose) que estimulam a trombose; e estase venosa, que é a diminuição da velocidade do fluxo de sangue, o que aumenta a tendência de coagulação”, afirma o especialista.

 

Ainda de acordo com o neurocirurgião, é preciso cautela ao analisar esses três fatores, já que pesquisas sobre os danos provocados pela COVID-19 no sistema nervoso estão em fase inicial. “Não sabe ainda em quais desses fatores a doença interfere mais. Mas, possivelmente, os três estão associados”, pontua.

 

Em pesquisa realizada em abril e publicada no New England Journal of Medicine, o Departamento de Neurocirurgia do Hospital Mount Sinai, dos Estados Unidos, contabilizou cinco casos de AVC num período de duas semanas entre pacientes infectados pela COVID-19. Todos eles tinham em comum o fato de não serem idosos, parcela da população mais afetada pelos derrames.

 

O neurologista cooperado da Unimed-BH Paulo Pereira Christo já percebe um aumento na ocorrência de AVCs entre os mais jovens durante a pandemia. “Uma coisa interessante é que pacientes que têm derrame normalmente são mais idosos, por fatores de risco. Agora, durante a pandemia, temos visto pacientes com AVC mais jovens, alguns em vigência da infecção pela COVID-19”, diz o especialista.

 

Dados da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES/MG), contudo, apontam um cenário de queda no quadro geral de AVCs, no comparativo dos meses em que o estado enfrenta a pandemia e o mesmo período de 2019. Entre março e junho do ano passado, a SES registrou 1.238 mortes causadas por derrames. Neste ano, nos mesmos meses, a pasta computou 1.116 óbitos por essa causa.

 

ALERTAS Amigos do jornalista Rodrigo Rodrigues, do grupo Globo, afirmaram após a morte dele que o apresentador não apresentava sintomas da COVID-19 quando sofreu as complicações causadas pela trombose cerebral. Para os especialistas ouvidos pelo EM, a maneira como ocorreu a morte dele não é comum, mas é preciso que a população infectada pelo novo coronavírus fique atenta aos sinais de derrame em todo o período de manifestação dos sintomas de infecção pelo micro-organismo.

 

“O paciente precisa ficar atento a sintomas como sonolência, dor de cabeça muito forte, crises convulsivas e confusão mental”, enumera Paulo Pereira Christo, da Unimed-BH. O neurocirurgião Leonardo Augusto Wendling Henriques, do Instituto Mário Penna, inclui mais dois sinais: menor sensibilidade do paladar e do olfato, que podem prosseguir mesmo após os 14 dias de manifestação da virose.

 

O que é o coronavírus?

Coronavírus são uma grande família de vírus que causam infecções respiratórias. O novo agente do coronavírus (COVID-19) foi descoberto em dezembro de 2019, na China. A doença pode causar infecções com sintomas inicialmente semelhantes aos resfriados ou gripes leves, mas com risco de se agravarem, podendo resultar em morte.

Como a COVID-19 é transmitida?

A transmissão dos coronavírus costuma ocorrer pelo ar ou por contato pessoal com secreções contaminadas, como gotículas de saliva, espirro, tosse, catarro, contato pessoal próximo, como toque ou aperto de mão, contato com objetos ou superfícies contaminadas, seguido de contato com a boca, nariz ou olhos.

Como se prevenir?

A recomendação é evitar aglomerações, ficar longe de quem apresenta sintomas de infecção respiratória, lavar as mãos com frequência, tossir com o antebraço em frente à boca e frequentemente fazer o uso de água e sabão para lavar as mãos ou álcool em gel após ter contato com superfícies e pessoas. Em casa, tome cuidados extras contra a COVID-19.

Quais os sintomas do coronavírus?

Confira os principais sintomas das pessoas infectadas pela COVID-19:

  • Febre
  • Tosse
  • Falta de ar e dificuldade para respirar
  • Problemas gástricos
  • Diarreia


Em casos graves, as vítimas apresentam:

  • Pneumonia
  • Síndrome respiratória aguda severa
  • Insuficiência renal

Os tipos de sintomas para COVID-19 aumentam a cada semana conforme os pesquisadores avançam na identificação do comportamento do vírus. 

Mitos e verdades sobre o vírus

Nas redes sociais, a propagação da COVID-19 espalhou também boatos sobre como o vírus Sars-CoV-2 é transmitido. E outras dúvidas foram surgindo: O álcool em gel é capaz de matar o vírus? O coronavírus é letal em um nível preocupante? Uma pessoa infectada pode contaminar várias outras? A epidemia vai matar milhares de brasileiros, pois o SUS não teria condições de atender a todos? Fizemos uma reportagem com um médico especialista em infectologia e ele explica todos os mitos e verdades sobre o coronavírus.

Para saber mais sobre o coronavírus, leia também:

 

  

 

 

 


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