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Estado de Minas PREOCUPAÇÃO À VISTA

Sindicato dos médicos de Minas Gerais denuncia falta de sedativos em BH

Laboratórios farmacêuticos não tem dado conta da demanda pelos medicamentos usados no tratamento de pacientes com coronavírus


postado em 23/06/2020 19:35 / atualizado em 23/06/2020 21:44

Para solucionar o problema da falta de sedativos, médicos têm usado outros medicamentos similares, o que traz maior risco de efeitos colaterais(foto: Reprodução)
Para solucionar o problema da falta de sedativos, médicos têm usado outros medicamentos similares, o que traz maior risco de efeitos colaterais (foto: Reprodução)
Não bastasse a preocupação com a rápida ocupação de leitos de UTI e enfermaria, os hospitais públicos e particulares de Belo Horizonte se deparam com mais uma dificuldade no período de expansão do coronavírus. A falta de sedativos e relaxantes musculares para o tratamento de pacientes já é um problema grave frequentemente enfrentado pelos médicos da capital mineira na luta diária para salvar vidas. 
 
De acordo com o Sindicato dos Médicos de Minas Gerais (Sinmed-MG), as indústrias farmacêuticas que fornecem os medicamentos às unidades de saúde de BH já não conseguem atender a demanda diante do aumento de casos e mortes por COVID-19. Para suprir a ausência nos estoques, médicos vem substituindo os sedativos por outras drogas similares, com aumento da chance de efeitos colaterais. 

Os sedativos em falta nos hospitais são o Midazolan, Fentanil, Cetamina e alguns bloqueadores neuromusculares. Os remédios similares na maioria das vezes não tem a mesma eficácia e custam mais caro.
 
 
De acordo com Maurício Meireles Góes, médico intensivista e diretor-jurídico Associativo do Sinmed-MG, os medicamentos são necessários para a entubação e na manutenção da ventilação mecânica dos pacientes: “O problema se não resolvido pode aumentar a mortalidade dos quadros de insuficiência respiratória grave, inclusive da Covid-19, levando a óbitos que poderiam ser evitados”.

Já o presidente do Sinmed-MG, Fernando Mendonça, mostra-se preocupado com o avanço da doença na capital com a flexibilização das medidas de isolamento social: “Mesmo a gente ainda sabendo que a maioria das pessoas não vai ter sintomas graves, a questão é aqueles 15% que vão precisar de um atendimento hospitalar e, desses, talvez 5% precisariam de um leito de CTI. E o que acontece? Se um grande número de pessoas ficarem doentes ao mesmo tempo, não terá vaga para todo mundo”. 
 
Taxa de ocupação dos leitos de UTI e enfermarias na capital disparou, com índice de 86%(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)
Taxa de ocupação dos leitos de UTI e enfermarias na capital disparou, com índice de 86% (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)
 
Belo Horizonte chegou a números alarmantes de ocupação de leitos, atingindo porcentagem de 86% nas unidades de terapia intensiva, maior índice desde que a cidade entrou em quarentena. Com o aumento de respiradores ocupados, o prefeito Alexandre Kalil (PSD) cogita adotar o lockdown (fechamento total das atividades comerciais) para evitar a expansão da doença. 
 

Mensagem em conjunto 


Na noite desta terça-feira, vários médicos de Belo Horizonte divulgaram uma carta em conjunto para alertar a população sobre a gravidade da situação de infectados na capital. No texto, assinado por mais de 30 profissionais, eles pedem apoio e compreensão e pedem que as pessoas façam sua parte na luta contra a COVID-19. 

“O número de pacientes internados em UTI ao fim dessa terceira semana de junho é mais que o dobro que 30 dias atrás. O número de pacientes em ventilação mecânica artificial também é mais que o quádruplo do que a 30 dias atrás. Isso mostra que tem aumentado muito o número e a gravidade dos casos que estamos atendendo. É certo que o risco de uma pessoa se infectar está aumentando nessa mesma proporção. Por isso, para que não cheguemos a uma situação de colapso, é absolutamente essencial que aumentemos nossos cuidados e medidas de prevenção para conseguir reduzir a velocidade atual de transmissão”, diz a nota.


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