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Estado de Minas CRIME EM BETIM

Na Grande BH, polícia desarticula milícia que era coordenada da Nelson Hungria

Criminosos recrutavam adolescentes para extorquir comerciantes e moradores da região. Quem não pagava, se tornava alvo de crimes da quadrilha


postado em 03/06/2020 19:02 / atualizado em 03/06/2020 19:17

Adolescentes ajudavam milícia a extorquir comerciantes e moradores em Betim(foto: Reprodução/Polícia Civil)
Adolescentes ajudavam milícia a extorquir comerciantes e moradores em Betim (foto: Reprodução/Polícia Civil)

 

Uma milícia que operava desde outubro do ano passado em Betim, na Grande BH, foi desarticulada pela Polícia Civil nesta quarta-feira (3). A instituição cumpriu oito mandados de busca e apreensão e três de prisão no Bairro Jardim Teresópolis.

 

Segundo a polícia, tudo era comandado de dentro do complexo penitenciário Nelson Hungria, em Contagem, também na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Condenado a mais de 13 anos de prisão, o detento conhecido como "Dru Black", de 36 anos, usava comparsas e adolescentes para manter o controle do tráfico de drogas na região.

 

De acordo com o delegado Thiago Machado, titular da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas, Dru Black tinha dois braços-direitos em Betim: um de nome Vanderson, 24, que foi preso pela Polícia Militar durante as investigações, e Douglas Henrique Moreira da Silva, o “Gordinho”, 26, foragido.

 

Gordinho, segundo a polícia, coordenava a milícia. Ele convenceu adolescentes a extorquirem comerciantes e moradores do Jardim Teresópolis.

 

Douglas Henrique Moreira da Silva, conhecido como %u201CGordinho%u201D ou %u201CDogão%u201D, continua foragido. Ele era o braço-direito de Dru Black em Betim(foto: Reprodução/Polícia Civil)
Douglas Henrique Moreira da Silva, conhecido como %u201CGordinho%u201D ou %u201CDogão%u201D, continua foragido. Ele era o braço-direito de Dru Black em Betim (foto: Reprodução/Polícia Civil)
 

 

O grupo pedia R$ 15 por dia aos empresários e R$ 10 aos residentes. A promessa era que com a quitação da “mensalidade” essas pessoas teriam proteção garantida de outro grupo criminoso que atua na região, porém no tráfico de drogas.

 

"Pagar a atividade (a milícia), entendeu? Pagar para ninguém roubar suas lojas. Coisas que vocês acham que a polícia que vigia. Polícia vigia nada não. Cai a madrugada aí, quem vigia o morro é (sic) nós, você entendeu? Quinze reais por dia não vai (sic) afetar ninguém", ameaçou Gordinho, ainda foragido, por meio de áudio compartilhado no WhatsApp.

 

Mandados

 

Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), do Departamento Estadual de Operações Especiais, conduziu a operação(foto: Divulgação/Polícia Civil)
Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), do Departamento Estadual de Operações Especiais, conduziu a operação (foto: Divulgação/Polícia Civil)
 

 

Durante a operação, a polícia apreendeu celulares que podem ajudar nas investigações. A suspeita é de que a mãe de Dru Black, que está preso na Nelson Hungria por diversos crimes, inclusive homicídio e tráfico de drogas, também esteja envolvida.

 

Os agentes também apreenderam dois adolescentes. Um deles, de 16 anos, já foi alvo da polícia em outras oportunidades. Era ele o responsável por executar crimes contra os comerciantes, como colocar fogo em estabelecimentos que não pagavam a milícia.

 

Apesar das tentativas, o delegado Thiago Machado garante que, até o presente o momento, não há evidências de que a milícia conseguiu dinheiro de moradores e comerciantes do Jardim Teresópolis.

 

Os trabalhos seguem agora para tentar encontrar Douglas Henrique Moreira da Silva, o Gordinho, e ouvir mais testemunhas dos crimes. A delegacia já entrevistou quatro comerciantes da região até o momento.

 

Guerra

 

O Bairro Jardim Teresópolis, em Betim, vive uma verdadeira guerra entre facções criminosas. De um lado, está o grupo de Dru Black, que tenta manter o poder do tráfico de drogas na região.

 

De outro, está um grupo de criminosos que tenta aproveitar a prisão do traficante detido na Nelson Hungria para controlar a venda de entorpecentes no local.

 

Durante o conflito, um adolescente do grupo que atualmente controla o tráfico chegou a ser morto com 20 tiros, segundo a polícia.

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