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Estado de Minas CANCELAMENTO

Pela primeira vez, Ritápolis fechará Santuário de Santa Rita

Isolamento social por causa da COVID-19 obriga município de 4,6 mil habitantes a cancelar grande parte dos festejos em homenagem à padroeira, que dá nome à cidade


postado em 21/05/2020 14:20 / atualizado em 20/06/2020 20:39

Cidade ficará vazia em 2020, com as homenagens à Santa Rita sendo feitas pelas redes sociais(foto: Gabriel Freire/Divulgação)
Cidade ficará vazia em 2020, com as homenagens à Santa Rita sendo feitas pelas redes sociais (foto: Gabriel Freire/Divulgação)

Quem já frequentou as ruas do pequeno município de Ritápolis, no Campo das Vertentes, em 22 de maio, jamais vai imaginar o vazio que a população de apenas 4,6 mil habitantes viverá nesta sexta-feira, quando se celebra o dia da padroeira Santa Rita de Cássia, inspiradora do nome da cidade. Pela primeira vez na história, a paróquia fechará o santuário para as dezenas de milhares de devotos em virtude da expansão do coronavírus, o que causará impacto financeiro negativo em 2020.

 

 

Diante da impossibilidade de receber fiéis de todo o país, a própria igreja se organizou para transmitir missas e novenas pelas redes sociais. Nesta sexta-feira, a paróquia realizará apenas duas celebrações, novamente veiculadas pela internet, mas sem a tradicional procissão luminosa à noite, que percorre toda a cidade, distante 210 quilômetros de Belo Horizonte.

Outros eventos também foram cancelados, como as visitas da imagem aos povoados, a procissão motorizada e o leilão de gados, uma das principais fontes de receita da festa.

 

O pároco da cidade, Adriano Tércio de Oliveira, entende que o mais importante é homenagear a padroeira em seu dia, mesmo com todos os esforços em controlar a COVID-19: "Está sendo uma experiência muito diferente, desafiadora, tendo que celebrar as atividades e as missas com portas fechadas, sem a participação dos fiéis. Aqui há um centro de peregrinação de um grande número de pessoas que vem ao santuário para agradecer, fazer seus pedidos e pagar suas promessas. É uma experiência única, que chega a ser triste, porque não temos a presença dos devotos, mas é um aprendizado para todos nós. Temos que tirar lições de crescimento, de amadurecimento, da nossa forma de viver a fé. Não estamos deixando de celebrar Santa Rita mesmo nesses tempos difíceis".

 

Paróquia foi criada em 28 de abril de 1854, mais de um século antes da emancipação política de Ritápolis(foto: Gabriel Freire/Divulgação)
Paróquia foi criada em 28 de abril de 1854, mais de um século antes da emancipação política de Ritápolis (foto: Gabriel Freire/Divulgação)
 

Com a suspensão das celebrações, a perda de arrecadação em todo o município – que vive essencialmente da pecuária, do artesanato e dos ganhos com a própria festa – torna-se uma preocupação. Em 2019, toda a festa gerou renda bruta superior a R$ 160 mil, recursos usados para a reforma da igreja e outras despesas da paróquia. A cidade recebe anualmente de 15 a 20 mil romeiros de várias partes do país.


Padre Adriano ressalta que, além da própria paróquia, várias pessoas da cidade perdem economicamente sem os festejos: "Temos um impacto grande para a paróquia e para a cidade como um todo. Se não for a maior, esta é uma das maiores do município, que gera uma renda muito grande. Neste ano, não teve nenhum tipo de atividade econômica. Aqui vem vendedores ambulantes, barraqueiros, leilões que ocorrem. O comércio também dobra suas vendas. Tudo foi prejudicado".


Para os devotos, o tempo é de celebrar o dia da padroeira de forma peculiar. José Benedito da Trindade, de 71 anos, é um dos músicos nas missas há mais de duas décadas e também toca na banda da cidade desde o começo dos anos 1960. Para ele, Ritápolis vive um clima jamais visto: "A festa é uma das mais importantes da região, no período em que recebemos um grande movimento de pessoas. Estamos há praticamente dois meses com a igreja fechada. As missas só têm a participação do pessoal da cerimônia. As pessoas que gostam da festa estão boquiabertas, com toda essa situação de não poder ir ao santuário. A cidade está vazia. Hoje é aquela coisa morta, sentida... O pessoal está sentindo muito".


O professor Otávio Augusto de Oliveira Vieira, de 40, vê pela primeira vez um ambiente sombrio nesta época do ano: "Maio é um mês muito cheio, com várias atividades, com leilão, visitas aos povoados com a imagem de Santa Rita e novenas. E este não está ocorrendo nada. As pessoas não podem vir ao santuário. Elas assistem às missas de suas casas. Ritápolis é uma cidade pequena, mas o movimento caiu totalmente com essa pandemia. O clima é muito ruim e triste".


Na visão da advogada Chimenne Gumarães, de 40, as orações serão fundamentais para superar o difícil momento do coronavírus, mesmo sendo feitas distante do santuário: "Todos estão tendo que viver um período diferente e demonstrar sua fé de dentro de suas casas. É um momento muito difícil onde todos queriam agradecer pelas graças alcançadas. Mas elas terão que ser feitas sem ir ao santuário, com muita fé e esperança para que tudo volte ao normal".

 

Registros antigos

 

Curiosamente, a paróquia de Santa Rita de Cássia é mais antiga que a própria emancipação política de Ritápolis, ocorrida em 1º de março de 1963. Registros históricos mostram que havia uma capela de Santa Rita no ano de 1726, quando o então povoado se chamava Santa Rita do Rio Abaixo e pertencia a São João del-Rei. A data oficial de criação da paróquia é 28 de abril de 1854. Em 2003, a matriz da cidade foi elevada a santuário.

 

Sem casos confirmados 


Ritápolis não registrou casos de coronavírus até o momento, mas a prefeitura vem controlando o acesso de visitantes de outras cidades por meio de barreira sanitária. O município também bloqueou várias outras entradas que servem de acesso para as comunidades rurais.


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