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Estado de Minas CORONAVÍRUS

Em meio à pandemia, comunidades quilombolas de Minas pedem socorro

Presidente da Federação das Comunidades Quilombolas de Minas diz que governos estadual e federal não têm dado suporte em meio à pandemia do coronavírus


postado em 05/05/2020 17:46 / atualizado em 05/05/2020 19:15

Jesus Rosário Araújo, de 41 anos, lamenta falta de apoio às comunidades quilombolas(foto: Federação das Comunidades Quilombolas do Estado de Minas Gerais/Divulgação)
Jesus Rosário Araújo, de 41 anos, lamenta falta de apoio às comunidades quilombolas (foto: Federação das Comunidades Quilombolas do Estado de Minas Gerais/Divulgação)
“O povo Quilombola está ainda mais abandonado, tanto na esfera federal quanto na estadual, depois da crise do coronavírus”. A afirmação é de Jesus Rosário Araújo, de 41 anos, presidente da Federação das Comunidades Quilombolas do Estado de Minas Gerais (N’Golo).

São muitos os problemas que afligem os quilombolas, segundo Jesus. Ele diz que esse é o pior período enfrentado pela comunidade. “Nossa ajuda é pouca ou quase nenhuma, já que os órgãos governamentais praticamente foram extintos. Existem no papel, mas não realmente. A Comissão de Povos e Comunidades Tradicionais, a Comissão de Desenvolvimento Sustentável, o Conselho de Igualdade Racial, o Conselho de Saúde, todos em nível estadual, não mais funcionam e não conseguimos também qualquer apoio a nível federal, pois sequer somos recebidos”.

Segundo ele, os maiores problemas do povo quilombola, hoje, são relacionados à higiene e à alimentação. “O Norte e Nordeste mineiros são os que mais sofrem. Nem higienização, que é fundamental nesse período, conseguimos. Hoje, graças a algumas doações, conseguimos enviar cestas básicas, mas não temos nada referente à higiene. Nessas áreas, principalmente, existe o problema da falta de água”.

Jesus afirma que os maiores problemas do povo quilombola são relativos à higiene e à alimentação(foto: Federação das Comunidades Quilombolas do Estado de Minas Gerais/Divulgação)
Jesus afirma que os maiores problemas do povo quilombola são relativos à higiene e à alimentação (foto: Federação das Comunidades Quilombolas do Estado de Minas Gerais/Divulgação)


Essa falta de água, segundo Jesus, impacta na agricultura familiar. “Não tem como plantar sem água”. Ele diz que algumas pessoas e entidades ajudam, mas sempre com alimento.

E para tentar contornar esse problema, foi criada a “vaquinha virtual”, que segundo Jesus, tem como principal objetivo conseguir solucionar a carência de higienização. Doações de qualquer valor podem ser enviadas para este link.

“Diante do descaso do poder público em prestar assistência de caráter emergencial às comunidades quilombolas do estado no contexto do coronavírus, a (N'Golo) tem somado forças em outras frentes. Nesse contexto, criamos uma vaquinha on-line para arrecadar fundos para aquisição e distribuição de cestas básicas para as comunidades em maior situação de vulnerabilidade socioeconômica”, diz o chamamento do site.

Jesus diz ainda que, desde o início do Governo Bolsonaro, o descaso para com os quilombolas aumentou.

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