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Estado de Minas COVID-19

Pousadas e restaurantes de Tiradentes suspendem contratos de trabalho durante pandemia

Crise econômica atinge empresários da cidade do Campo das Vertentes, cuja principal atividade é o turismo


postado em 20/04/2020 14:40 / atualizado em 20/04/2020 17:52

Com a pandemia, as ruas do município ficaram vazias desde o decreto emitido pela prefeitura(foto: Prefeitura de Tiradentes/Divulgação)
Com a pandemia, as ruas do município ficaram vazias desde o decreto emitido pela prefeitura (foto: Prefeitura de Tiradentes/Divulgação)
Uma cidade deserta, sem o característico turismo e com forte preocupação com a economia. Os efeitos da crise provocado pela expansão do coronavírus se tornarão ainda mais evidentes na cidade de Tiradentes neste 21 de abril, data que o município celebrará o aniversário de morte do mártir de mesmo nome, principal personagem da Inconfidência Mineira no século XVIII. Com as barreiras sanitárias e os decretos impostos pela prefeitura para conter a aglomeração de pessoas, o turismo na cidade perdeu fôlego nesta feriado prolongado com o fechamento de restaurantes, hotéis e pousadas.
 
Para evitar maiores prejuízos, muitos empresários já aderiram à Medida Provisória 936 sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro, que suspende temporariamente os contratos de trabalho durante o período de recessão econômica. De acordo com dado da secretaria de Turismo, março e abril estão entre os meses que Tiradentes mais recebe visitantes, com 90% da ocupação total dos estabelecimentos, muito impulsionado pela série de eventos, como a semana santa. O momento esperado nesta terça-feira era semelhante, já que muitos turistas aproveitariam os quatro dias para conhecer as atrações do município de pouco mais de 7 mil habitantes, que fica no Campo das Vertentes.
 
O secretário de turismo, Henrique Rohrmann, lamenta a perda no comércio local nessa quarentena: "Recebemos muitos visitantes que se hospedam vários dias seguidos. Havia grande expectativa pelo feriado de 21 de abril, por ser prolongado, em que teríamos boa ocupação na cidade. Sentimos muito por essas datas, até porque já havíamos perdido turistas durante a semana santa, que foi cancelada. E todos nossos eventos foram remarcados para agosto, inicialmente. Mas, enquanto a pandemia não estiver totalmente controlada, nosso acesso ficará restrito. Aguardamos instruções das autoridades do estado e do país para reabirmos para a economia". 

Preocupada com a situação, a presidente da Associação Empresarial de Tiradentes, Rejane Cunha, afirma que a cidade não tem outra opção senão a exploração da atividade turística: “Estamos contratando empresas de consultoria para avaliarmos o tamanho do impacto econômico para a cidade e ver a possibilidade de reabrir as atividades pouco a pouco. Essa perda é enorme, porque nossa cidade não possui indústrias que possam fomentar a economia. A situação é mais complexa do que de uma cidade que contém uma indústria têxtil, por exemplo”.  

Atualmente, são cerca de 120 empresários cadastrados na associação, divididos entre os setores de restaurantes, hotelarias e serviços, como agências de turismo. Mas estima-se que são mais de mil empreendedores na cidade que vivem exclusivamente do turismo na região. 

A prefeitura também lançou um novo decreto recentemente que liberou a abertura dos lava-jatos, papelarias e salões de beleza, desde que evitassem aglomerações. Anteriormente, o município já tinha autorizado também o funcionamento das lojas de construção para minimizar os impactos da recessão. “Como temos muitos restaurantes e hoteis sem funcionar, seus donos podem aproveitar esse momento para fazer reformas que antes eram inviáveis. Assim podemos aquecer a economia local”, ressalta o prefeito Zé Antônio do Pacu, que é um dos milhares de empresários afetados em Tiradentes, já que possui uma pousada que emprega oito funcionários. 

Dono de um restaurante na cidade, Francisco Rodrigues inicialmente deu férias aos 10 funcionários e posteriormente suspendeu os contratos por dois meses para tentar preservar os empregos. Enquanto isso, ele aproveita para fazer manutenção no espaço para ampliar o movimento de turistas no futuro. “O mundo todo está lidando com essa crise. Não temos muito o que fazer nesse momento senão seguir as determinações no município. Estou hoje trabalhando praticamente sozinho, fazendo a limpeza e fazendo uma reforma na cozinha. Esperamos que esse período possa passar, afirma o empresário.  

A crise se tornou devastadora para todos os tipos de empresários, até mesmo quem possui pequenas empresas. Gilvânia Gonçalves é proprietária de uma pousada familiar, que emprega somente duas pessoas. Mas ela terá problemas para arcar com o aluguel em torno de R$ 5 mil do espaço que fica na área central de Tiradentes. “A nossa situação é muito difícil. Outros setores da economia estão voltando aos poucos, mas nosso caso é particular. Trabalhamos para turistas, mas a cidade hoje não tem turistas. Fica difícil para honrar os compromissos, por isso temos que negociar, de repente pagando 50% do aluguel e dividindo o resto em parcelas. Ainda assim, mesmo com os gastos, acredito que ainda podemos segurar um pouco para evitar que a pandemia se espalhe pela cidade”, afirma a empresária.   


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