Publicidade

Estado de Minas CORONAVÍRUS EM MINAS

Coronavírus: costureiras de BH fazem máscaras para doação

Amigos, familiares e até um hospital recebem os itens de proteção


postado em 27/03/2020 17:20 / atualizado em 30/03/2020 15:20

A costureira Cleusa Maria está fazendo máscara de tecido para doação(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press. )
A costureira Cleusa Maria está fazendo máscara de tecido para doação (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press. )

Por causa da pandemia do coronavírus, a procura por máscaras cirúrgicas está alta e o produto está em falta em várias lojas, farmácias e distribuidoras. Assim, pessoas dos grupos de risco ficam expostas ao COVID-19. Para amenizar a situação, costureiras de Belo Horizonte se dispuseram a produzir máscaras de pano e doar a quem precisa.

Usando retalhos que já tinha em casa, a costureira Cleusa Maria começou a confeccionar as máscaras. “Primeiro,  fiz uma para mim, já que sou do grupo de risco, e para o meu filho, que ainda está trabalhando”, contou. Agora, Cleusa faz os produtos e doa para pessoas próximas, como vizinhos, colegas e parentes. “Eu devo fazer umas cinco ou seis por dia. Já fiz umas 30”.

Apesar de ser uma boa iniciativa, a costureira informa que as máscaras caseiras não protegem totalmente contra o coronavírus. Segundo ela, esse produto tem que ser usado em situações específicas, como ao sair para deixar o lixo na rua ou buscar algo no portão, pois a manufatura tem um efeito de proteção imediato. Além disso, após o uso, as peças têm que ser lavadas para evitar a propagação de algum vírus dentro de casa.

Cleusa
afirma que está tomando todas as medidas protetivas, como evitar sair de casa, manter-se a pelo menos um metro de distância de outras pessoas e lavar as mãos. “Só assim vou me proteger do coronavírus”, conclui.

Ajuda aos hospitais


O Hospital Sofia Feldman, de Belo Horizonte, também passa por situação delicada: sem estoque de máscaras cirúrgicas e sob risco de reduzir atendimentos, passou a contar com  a ajuda de um grupo de idosas se ofereceu para confeccionar máscaras cirúrgicas.

Em alguns casos, as costureiras entram a mão de obra e maternidade doa o TNT especial, tecido que é uma versão “plastificada” do pano e que é mais eficaz contra o vírus. “A gente faz a quantidade que dá. Fazemos o máximo", contou Dona Ordélia Fulgêncio.

Outras costureiras, como é o caso da Dona Ordélia, preferem comprar os materiais e, também, fazer as máscaras. "Estamos demorando mais tempo pois, como os aviamentos (elásticos) estão faltando nas lojas, temos de fazer tudo com o tecido”, contou Dona Ordélia. Mesmo assim, a senhora e três amigas esperam entregar 150 peças à maternidade.

Dessa forma, dois tipos de máscaras são entregues ao hospital: as feitas com o TNT disponibilizado pelo hospital, e as com o tecido comprado pelas costureiras. “As máscaras confeccionadas com TNT oferecem uma boa proteção tanto para o profissional de saúde como para a paciente. As de tecido comum oferecem uma proteção menor. Existem máscaras cirúrgicas com duas camadas de tecido (TNT) e um outro elemento filtrante entre as duas camadas", afirma o Diretor Clínico do Hospital,  João Batista Marinho de Castro Lima.

De acordo com a gestora da linha de políticas institucionais, Tatiana Coelho Lopes, as peças feitas com tecido vão ser higienizadas na autoclave e entregues aos acompanhantes dos pacientes. “Se o acompanhante não apresenta sintomas, a máscara de tecido comum funciona bem", completa  Castro Lima.

Lopes
afirma que os pacientes e os profissionais vão receber as máscaras cirurgicas industriais, pois elas tem filtro, conforme as recomendações do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. “Essa questão de máscaras, se temos poucas, vamos deixar para os enfermeiros, médicos. Se for para sair e ir até a unidade de saúde para confirmar, usa uma máscara de pano, confecciona a sua máscara. Eu digo assim, poupe o material de saúde para os enfermeiros e médicos. Eles são as pessoas mais importantes da cidade hoje, o pessoal da Saúde”, afirmou Mandetta.

 

* Estagiária sob supervisão da editora Liliane Corrêa

Compartilhe no Facebook
*Apenas para assinantes do Estado de Minas

Publicidade