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Estado de Minas COVID-19

Confinamento melhora qualidade do ar em Belo Horizonte

A exemplo do que vem ocorrendo no mundo, a capital mineira registra queda na poluição por conta das medidas restritivas


postado em 27/03/2020 15:58 / atualizado em 27/03/2020 16:49

Avenida do Contorno praticamente vazia por conta do isolamento para conter o coronavírus(foto: Edésio Ferreira/EM/D.A Press)
Avenida do Contorno praticamente vazia por conta do isolamento para conter o coronavírus (foto: Edésio Ferreira/EM/D.A Press)
 
A adoção de medidas restritivas à circulação de pessoas e o fechamento de indústrias e lojas de comércio em função da pandemia do novo coronavírus provocaram queda vertiginosa da emissão de poluentes em todo o mundo. Em Belo Horizonte não é diferente, segundo dados da Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam).

Em levantamento feito a pedido do Estado de Minas/Portal UAI, a entidade mostra que os níveis de poluição atmosférica caíram até pela metade a partir do momento em que as autoridades aconselharam a população ao isolamento para conter a COVID-19.

As medições foram feitas em dois pontos da capital: as estações PUC São Gabriel (localizada na Rua Walter Ianni, 255, Bairro São Gabriel) e Centro Avenida do Contorno, que fica no número 777 do referido logradouro.

A análise dos dados da qualidade do ar contemplou o mês de março de 2020, e foi dividida em dois períodos considerando o Decreto Municipal que determinou o fechamento do comércio em Belo Horizonte. O primeiro período abrange entre 1° e 19 de março. O segundo, de 20 de março até terça-feira passada.
 
“Foi possível verificar diferenças nos valores médios de concentração horária de alguns poluentes atmosféricos em estações presentes no município de Belo Horizonte, a partir da comparação entre o período anterior e posterior à paralisação de atividades em função de Decreto Municipal”, atesta o órgão, em relatório enviado à redação, e que também traz algumas ressalvas.

“Cabe ressaltar, no entanto, que a qualidade do ar é dependente não só das emissões atmosféricas, mas também das condições meteorológicas, que variaram em cada dia analisado. Além disso, destaca-se que o período após a vigência do decreto é curto para uma avaliação conclusiva do impacto das paralisações na qualidade do ar, sendo possível neste momento somente a percepção de tendências.”

Muito da melhora da qualidade do ar é em relação à diminuição do número de veículos circulando, uma das principais causas de poluição na capital mineira. O relatório detalha: “Após a análise dos dados do monitoramento da qualidade do ar para os dois períodos em questão, observou-se uma menor influência das emissões atmosféricas provenientes de emissões veiculares na Estação PUC Minas São Gabriel, considerando os poluentes PM2,5 (partículas respiráveis) e dióxido de nitrogênio (NO2)”.

Ainda segundo o relatório, as emissões veiculares ocorrem em maior intensidade nos horários de picos, entre 6h e 8h, e, no final da tarde, entre 17h e 19h. No caso das partículas respiráveis, a concentração média horária para às 7h foi de 9,58 µg/m3 durante o primeiro período e reduziu para 5,00 µg/m3 no segundo período, no qual as medidas de restrições já estavam vigentes.

Destaca-se que para todo esse período, o Índice de Qualidade do Ar (IQAr) para esta estação foi classificado como ‘Boa’, ou seja, as concentrações médias diárias de PM2,5 atenderam ao padrão recomendado pela Organização Mundial de Saúde e que equivale ao Padrão Final determinado na Resolução Conama 491 de 2018.

“(...) Quanto ao poluente NO2 (dióxido de nitrogênio), também foi possível observar uma variação nos valores máximos horários entre os dois períodos. Durante o primeiro período, a concentração máxima horária variou entre 8,5 µg/m3 e 26,99 µg/m3, sendo que o maior valor ocorreu às 19h30 de 17 de março. Analisando o segundo período, as concentrações máximas horárias de NO2 variaram entre 9,56 µg/m3 e 16,19 µg/m3. Quanto ao poluente NO2, o IQAR para todos os dias analisados também foi classificado como ‘Boa’.”

O mesmo valeu para a Estação Centro Avenida da Contorno. Nesse local, também foi constatada maior variação na presença do dióxido de enxofre (SO2) no ar do que de partículas respiráveis. “Analisando os dados de NO2, observou-se que a concentração máxima horária para às 19h foi de 23,26 µg/m3 durante o primeiro período e reduziu para 15,2 µg/m3 no segundo período, no qual as medidas de restrições já estavam vigentes. No caso do SO2, observou-se a redução das concentrações médias horárias em diferentes períodos. Isso ocorreu, principalmente porque durante o segundo período analisado os dados de monitoramento registraram concentrações horárias de SO2 com valores iguais a zero, ou seja, abaixo do limite de detecção do equipamento. Entre esses dias, destacam-se 21 e 23 de março. Ressalta-se que a classificação do IQAr para os poluentes discutidos nesta estação, NO2 e SO2, durante todo o período analisado, foi ‘Boa’”, diz o relatório.

No mundo Como ao redor do mundo, agora o perigo é que na retomada da atividade econômica haja explosão na poluição não só do ar, mas também da terra e da água. A expectativa de ambientalistas é que os governos percebam a importância em investir em sustentabilidade.



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