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Caso Backer: ''Não foi uma intoxicação, foi um envenenamento''

O engenheiro aposentado Célio Barros, de 59 anos, conta sobre a luta do irmão, Luciano Barros, pela vida. Ele está há mais de dois meses no CTI


postado em 11/02/2020 06:00 / atualizado em 30/04/2020 16:06


O bancário Luciano Barros, de 56 anos, estava internado no Centro de Terapia Intensiva (CTI) de um hospital em Belo Horizonte há um mês quando os rumores sobre a contaminação da cerveja Belorizontina, da Backer, começaram a circular. Foi a partir da divulgação de casos semelhantes ao dele que os médicos chegaram ao diagnóstico da intoxicação por dietilenoglicol. Amante da bebida que é preferência nacional, Luciano foi internado três dias depois de comprar 26 garrafas da marca, em uma promoção da Black Friday. O irmão dele, o engenheiro aposentado Célio Guilherme Barros, de 59 anos, é um entrevistados da série especial de podcast O Caso Backer, publicada desde domingo no Estado de Minas. Na reportagem, em arquivo de áudio digital, ele conta sobre o quadro “violento” que o irmão vem enfrentando. “Ele vai ficar muito chateado quando ficar sabendo que foi intoxicado. Na verdade, isso é um envenenamento, né? Por essa substância, bebendo cerveja, que é a paixão dele”, diz Célio. Confira aqui os principais trechos da entrevista.



Envenenamento

Luciano é um sujeito acredita muito nas pessoas, no ser humano de um modo geral. Ele vai ficar muito chateado quando ficar sabendo que foi intoxicado. Na verdade, isso é um envenenamento, né? Por essa substância, bebendo cerveja, que é a paixão dele. Não tenho dúvida que ele vai ficar muito sem entender porque aconteceu com ele. Não era para acontecer acontecer com ele. Não era para acontecer com ninguém, né?

Uma coisa que você usa como instrumento de lazer, de confraternização pode estar te envenenando.



Black Friday
O Luciano tem 56 anos e, realmente, gosta muito de beber cerveja. È a única bebida alcoólica que ele toma. No decorrer do mês, comprou muita cerveja como sempre, mas no dia 29 de novembro, que era uma sexta-feira, na promoção, ele fez uma compra de 26 cervejas Belorizontina. Ele, na verdade, bebe praticamente cerveja somente em casa. Na terça-feira, terminou de beber todas as cervejas. Então é possível que ele tenha sido um dos primeiros até a ter sido infectado.


Evolução rápida
Isso é muito rápido, tá? Quando era dia 3, quatro dias depois (do consumo), ele já estava com uma dor violenta, aí começa a doer todo o organismo, o estômago. Deu muita dor de cabeça, acho que dia 10 ou 11, ele não conseguia enxergar de um olho e outro foi escurecendo a visão. De uma hora para outra, o fígado começou a inchar, aí não teve jeito. Dia 13, ele foi levado para o CTI e entubado no dia 14. E aí o processo de infecção continua. O nervo ótico é atacado. O paciente fica sedado, mas os olhos estão abertos. E também tem muitos espasmos. Isso dura semanas, depois leva mais alguns dias, uns três ou quatro dias, para acordar, mas ainda conhecimento, sem reconhecer nada.

É muito violento, nunca vimos negócio assim e temos que tomar muito cuidado. Isso não pode repetir de forma alguma



Choque

Eu achava isso um absurdo, improvável, porque é um choque. A cerveja normalmente é uma coisa que está ligada a alguma comemoração, um momento alegre, né? Você vai chamar os amigos e vai beber alguma coisa. Cerveja é em um ambiente desses, né? E uma coisa que você usa como instrumento de lazer, de confraternização pode estar te envenenando.

Gravidade
Às vezes, as pessoas acham que é simplesmente tomar ou comer um negócio, uma coxinha estragada, e está intoxicado. Não... É muito violento, nunca vimos negócio assim e temos que tomar muito cuidado. Isso não pode repetir de forma alguma. É muito importante saber como se deu essa contaminação. Porque pra gente, pra todo mundo, é um prazer tomar cerveja e tudo. A gente não pode correr esse risco mais. Nunca tinha acontecido, mas aconteceu.

Primeiras palavras
Ontem (22 de janeiro) foi uma coisa maravilhosa porque ele pronunciou algumas palavras. Ele deve pensar que tem que ter uns três, quatro dias que ele está ali, mas já tem 47 dias que ele está internado.

 

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