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Estado de Minas

Chuva em Minas faz vizinhos de barragens reviverem medo de rompimento

Moradores de Macacos, Barão de Cocais e Ouro Preto, onde barragens entraram em alerta máximo, vivem apreensão com risco de novas tragédias


postado em 24/01/2020 19:33 / atualizado em 25/01/2020 01:16

Uma das vias de acesso ao distrito de Macacos ficou parcialmente interditada com o deslizamento de terra (foto: Divulgação)
Uma das vias de acesso ao distrito de Macacos ficou parcialmente interditada com o deslizamento de terra (foto: Divulgação)
As chuvas das últimas 48 horas deixaram milhares de moradores vizinhos de barragens na Grande BH apreensivos com o risco de novos rompimentos.

 

 


Ainda na noite quinta-feira (23), a Agência Nacional de Mineração (ANM) emitiu alerta para que empresas donas de barragens reforçassem equipes de segurança e monitoramento das barragens.

Segundo o órgão, são 25 barragens em estado de alerta em Minas, sendo quatro delas no nível três, quando há risco de rompimento – as quatro da mineradora Vale.

Em São Sebastião das Águas Claras (Macacos), distrito de Nova Lima, alagamentos e deslizamentos de terra em lugares próximos da barragem B3/B4 da Mina Mar Azul, deixaram moradores angustiados durante as chuvas.

Muitas pessoas relataram o fechamento das principais vias de acesso em Macacos. O alerta máximo foi comunicado também para moradores de Ouro Preto (Forquilha I e III) e Barão de Cocais (Sul Superior).

“Em Macacos estão todos muito preocupados por conta das chuvas. Sabemos que a barragem está em nível três, mas não temos detalhes por parte da Vale sobre os reais riscos de rompimento. Nas últimas horas vemos as vias de acesso completamente caóticas. Três estão interrompidas por causa de queda de árvores e risco de deslizamento de terra. O acesso principal está funcionando em uma faixa só, com a outra parte do asfalto em péssimas condições. Praticamente não temos como sair daqui”, contou Melina Neves Borges, da Associação Comunitária de Macacos.

De acordo com a prefeitura de Nova Lima, a rota que leva ao distrito, que vai do trevo na BR-040, seguindo pela AMG-160, se encontra obstruída por galhos de árvores e lama.

“Porém, há técnicos no local trabalhando para a retirada. A ponte no bairro também requer cuidados, pois há obstrução da passagem, que segue monitorada”, informou a prefeitura na noite desta sexta-feira (24).

A população do distrito também se preocupa com um muro de 34 metros de altura que está sendo construído para conter os rejeitos da barragem em caso de rompimento.

Com o excesso de água, o local ficou completamente alagado e moradores do bairro Capela Velha temem que a água chegue até as casas de mais de 90 famílias. A Vale informou que a contenção não sofreu alterações, não transbordou e que o acúmulo de águas não alcança as residências do bairro, uma vez que ele até acima do nível do muro.

Em Barão de Cocais, além do rápido aumento do volume das águas nos rios que cortam a cidade, moradores também ficaram em estado de alerta com o risco de rompimento na barragem Sul Superior, na Mina de Congo Soco.

Desde o ano passado, a barragem tem causado transtornos para a população dos bairros vizinhos. Em fevereiro, semanas após o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, 452 moradores deixaram suas casas às pressas com uma ameaça eminente de rompimento.

A ANM também emitiu alerta para barragens em Goiás, Espírito Santo e Rio de Janeiro, que assim como Minas Gerais registraram chuvas acima de 10 mm/dia nas últimas 72 horas. “Em caso de qualquer situação de anormalidade, o Plano de Ação de Emergência para Barragens de Mineração deverá ser acionado e o Sistema Integrado de Gestão de Seguranças de Barragens tem que ser imediatamente informado”, diz o comunicado a agência.


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