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Estado de Minas CHUVA NA GRANDE BH

Belo Horizonte e região registram alagamentos e desabamentos nesta sexta

Avenidas Cristiano Machado, Sebastião de Brito, Tereza Cristina e Otacílio Negrão de Lima tiveram interdições pela manhã. Há desabamentos na Grande BH


postado em 24/01/2020 08:03 / atualizado em 24/01/2020 12:35

Alagamento entre as avenida Cristiano Machado e Sebastião de Brito, em BH(foto: Reprodução da internet/WhatsApp)
Alagamento entre as avenida Cristiano Machado e Sebastião de Brito, em BH (foto: Reprodução da internet/WhatsApp)


Chove sem parar em Belo Horizonte desde a manhã de ontem e o cenário na manhã desta sexta-feira ainda é o mesmo. Desde a madrugada, a capital mineira e a região metropolitana já registraram alagamentos e desabamentos. Há vias interditadas. A Defesa Civil e a BHTrans usam as redes sociais para divulgar atualizações. 

Ver galeria . 33 Fotos Alagamento na Avenida Otacílio Negrão de Lima, próximo ao número 7.400, Bairro Bandeirantes, na Região da PampulhaPaulo Filgueiras/EM/DA Press
Alagamento na Avenida Otacílio Negrão de Lima, próximo ao número 7.400, Bairro Bandeirantes, na Região da Pampulha (foto: Paulo Filgueiras/EM/DA Press )


O trecho do cruzamento das avenidas Sebastião de Brito e Cristiano Machado, entre os bairros Dona Clara e Primeiro de Maio, estava interditado por volta das 7h30. Mais cedo, a Cristiano Machado, um dos principais corredores que liga as regiões Norte, Venda Nova, Vespasiano, Santa Luzia e o Aeroporto de Confins ao Centro da capital, estava alagada. O volume de água baixou e passou a se concentrar na Sebastião de Brito. 



Às 7h, a Avenida Otacílio Negrão de Lima, na Pampulha, precisou ser interditada por conta de alagamentos entre a Rua Orsi Conceição de Minas e Avenida Antônio Francisco Lisboa, e entre a Avenida Braúnas e Rua Arnaldo Cathoudi. Agentes da BHTrans monitoram o local. 



A empresa de trânsito também informou que o cruzamento das avenidas Tereza Cristina e Dom João VI foi fechado em função das chuvas. No último domingo, as pistas da primeira avenida foram muito danificadas após o transbordamento do Ribeirão Arrudas. Mais cedo, às 7h22, a BHTrans publicou no Twitter que a Tereza Cristina estava interditada entre a Via 210 e a Avenida Presidente Castelo Branco, no sentido Bairro. O trânsito seguia normalmente no sentido Centro. Também há outro ponto de interdição no retorno após a Rua Maggi Salomon, no sentido Bairro. 



Uma árvore caiu na Avenida Raja Gabaglia, altura da Rua Josafá Belo, interditando duas faixas da esquerda em ambos os sentidos. 

Veja a situação do trânsito em BH


Houve um deslizamento de terra na região do Anel Rodoviário nesta manhã. O problema ocorreu na marginal do sentido Rio de Janeiro, altura do km 463.

A Polícia Militar Rodoviária (PMRv) também registrou quedas de árvores na MGC-262, em Sabará, e na MG-060, em Esmeraldas. O trânsito chegou a ser interditado, mas as árvores foram removidas e o fluxo estava livre por volta das 5h20. 

Desabamentos e deslizamentos


O Corpo de Bombeiros atendeu ocorrências de imóveis em risco, danificados e alagamentos no município de Raposos, na Região Metropolitana de BH. No início da madrugada, parte do telhado de uma casa no Bairro Varela cedeu e desabou. Um casal de idosos mora no local. Ninguém se feriu e a Defesa Civil foi acionada. Na Rua Herval Silva, Bairro Matadouro, os militares foram acionadas por conta do risco de desabamento do muro de outra casa. 

No Bairro Morro das Bicas, parte da cozinha de uma casa desabou. O acidente também não deixou vítimas. Às 3h50, os bombeiros socorreram adultos e crianças que estavam ilhados na Rua São Paulo, Bairro Várzea do Sítio. O risco no local era ainda maior, já que havia fios energizados rompidos tocando. Eles usaram um barco para transportar as pessoas. 



Em Ibirité, também na Região Metropolitana de Belo Horizonte, parte de um barranco cedeu sobre um casa. Quatro pessoas estavam presas no imóvel porque a terra estava bloqueando os acessos. Não há feridos. O imóvel fica na Rua Rio Comprido, no Bairro Durval de Barros. 

Em Contagem, parte de uma residência desabou na Rua Antônio Pires, Bairro Santa Maria. Não houve vítimas. A Cemig também foi acionada porque um poste caiu na via. 

Temperatura baixa é barreira para temporal


Chuvas contínuas, sem grandes temporais, devem se repetir hoje. Essa é a previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) para a capital mineira, que atravessou o “dilúvio” de ontem em meio a uma onda de boatos, que foram do fechamento do metrô à decretação de ponto facultativo em Belo Horizonte, desmentidos pelas autoridades o longo do dia. “A expectativa é de céu encoberto a nublado com pancadas de chuva a qualquer hora do dia. Ou seja, esperamos precipitações mais contínuas, como as de hoje (ontem)”, disse a meteorologista do Inmet Anete Fernandes. Segundo ela, embora não haja como assegurar a intensidade das chuvas, mesmo com monitoramento diário, grandes tempestades ocorrem quando as temperaturas estão mais altas, o que não é esperado hoje. “As temperaturas se mantêm amenas, entre 18 e 23 graus”, projetou. A média histórica para o mês de janeiro é de volume de chuva de 329mm na capital mineira. Ontem, todas as regiões de Belo Horizonte já haviam superado essa marca. O volume de chuvas acumulado mais alto é o da Região Centro-Sul, com 627mm, 91% acima da média histórica da cidade.



Já na manhã de ontem, o clima era de tensão entre moradores do entorno da Avenida Tereza Cristina, um dos trechos críticos para alagamentos em Belo Horizonte, onde seis caminhões da prefeitura estavam de prontidão. Deocacina Luiza da Silva, de 73 anos, vive no trecho que está sendo monitorado. “Estou com muito medo. No domingo, já perdi muita coisa: guarda-roupa, freezer, geladeira, cama”, contou. Apesar do medo de que o episódio se repita, ela disse que se sentia um pouco mais segura com monitoramento.

Mário Lúcio da Silva, de 56, comerciante, por sua vez, minimizava os riscos. “Tenho comércio aqui há quatro anos e moro há 50 na região. Já vi muita chuva forte por aqui. Todo ano é a mesma história. Acredito que é conversa fiada, muita fake news rodando no WhatsApp”, disse, sobre a possibilidade de precipitações históricas.

Boatos


Em parte, ele tinha razão. Não faltaram boatos ontem nas redes sociais. Um exemplo: um áudio circulou pelo WhatsApp prevendo um cenário de caos, falando em ponto facultativo no serviço público em geral e até no fechamento do metrô. “Não há previsão de ponto facultativo na Prefeitura de Belo Horizonte”, informou a assessoria do Executivo municipal ontem. A Defesa Civil de Minas Gerais também desmentiu o áudio ao longo da manhã de ontem. Diante da repercussão, até a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU-BH) se manifestou para esclarecer que “não existe qualquer paralisação prevista para as operações do metrô nesta quinta e sexta-feira (23 e 24/1) e o sistema segue operando normalmente, das 5h15 às 23h, com todas as estações abertas à população”.

Mas houve quem preferiu não esperar para ver. Funcionária de uma loja de empadas, Aparecida Andrade, de 56, contou que o estabelecimento será fechado às 12h de hoje. “Não vamos pagar para ver. Todo ano temos problemas com chuva, mas acho que essa vai ser mais tensa. As lojas do lado também pretendem fechar mais cedo para a segurança dos funcionários”, garantiu. Ontem, ela estava a postos, com as chaves na mão, caso a precipitação piorasse.

De qualquer forma, a recomendação é que as pessoas evitem transitar em locais perigosos no momento da chuva. “Poderemos ter o acréscimo de chuva pontual em alguns lugares específicos. Vamos informar através das nossas redes oficiais e SMS. Espere diminuir a chuva para sair do trabalho, evite avenidas que historicamente alagam se estiver chovendo”, recomenda o coordenador adjunto da Defesa Civil de Minas Gerais, tenente-coronel Flávio Godinho.
 


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