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Estado de Minas

Ingestão de um grama de dietilenoglicol por quilo pode ser letal

O Estado de Minas conversou com professores de química que explicam que a ingestão, mesmo de pequenas quantidades, causa intoxicação


postado em 10/01/2020 12:04 / atualizado em 10/01/2020 14:38

(foto: Gladyston Rodrigues/EM/DA PRESS)
(foto: Gladyston Rodrigues/EM/DA PRESS)
O dietilenoglicol é um composto orgânico que causa intoxicação se ingerido. De acordo com a quantidade, a ingestão pode levar à morte, conforme alertam os professores de química da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Bruno Gonçalves Botelho e Cláudio Luís Donnici.
 
Dietilenoglicol, cujo nome oficial é 3-Oxa-1,5-pentanediol, é um líquido, viscoso, incolor, inodoro e tóxico muito usado como componente em vários produtos químicos e tem sido responsável por diversas epidemias de envenenamento.

O análogo  mais simples o etilenoglicol é comumente usado como anticongelante, e o derivado mais complexo o dietilenoglicol pode estar presente como subproduto na produção do etilenoglicol. A dose tóxica mínima é estimada do dietilenoglico de 0,14 miligrama por quilo de peso corporal e a dose letal está entre 1 e 1,63 grama por quilo de peso corporal.

A ingestão de  grandes quantidades tanto de dietilenoglicol  pode ser fatal. De acordo com o professor Claudio Donnici, a dose letal são 786 miligramas de etilenoglicol por quilo e  de 1,0 a 1,63 mg/Kg de dietilenoglicol  para humanos. "Isso significa que uma pessoa de 80 quilos tem que ingerir 80 gramas para ser fatal. A quantidade é muito alta", argumenta. Mas, temos que lembrar que o dietilenoglicol é metabolizado no fígado gerando outros compostos como 2-hidroxietoxi-acetaldeido e ácido 2-hidróxi-acético", afirma.

Em 1985 em Viena, na Áustria, foi reportado um caso de vinho contaminado com altas doses de dietilenoglicol e que levou o governo austríaco na época a retirar milhões de garrafa de vinho do comércio. Esse caso foi bem divulgado nos Estados Unidos pelo jornal The New York Times.
 
Os professores lembram que o composto dietilenoglicol não faz parte da produção da cerveja", afirma Claudio Donnici. Por essa razão, o professor lembra que é importante investigar todo o processo de produção e mesmo da refrigeração da cerveja consumida pelos oito homens que apresentam sintomas de intoxicação para ver se estava contaminado." 

Bruno fez uma pesquisa em artigos publicados sobre o composto e não encontrou nenhum caso de contaminação de cerveja. "Fiz uma busca na literatura e não encontrei nada descrito para cerveja. Os casos reportados ocorreram com xaropes infantil e pasta de dente. Ele reforça o caso de Viena, quando foi detectada contaminação de vinho contendo o dietilenoglicol. "Foi uma adição intencional", afirmou Bruno. Os produtores usavam o composto para deixar o vinho mais doce, sem terem ideia dos danos que poderia causar à saúde.


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