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Estado de Minas

Adolescente de 15 anos morta em Nova Lima já havia sido ameaçada por namorado

Testemunhas contaram em depoimento à Polícia Civil que Micaele da Silva Santos viveu quatro anos de relacionamento abusivo com o principal suspeito, João Vitor Raimundo Silva


postado em 30/10/2019 15:34 / atualizado em 30/10/2019 17:06

Crime é investigado na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher de Nova Lima(foto: Google Street View/Reprodução)
Crime é investigado na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher de Nova Lima (foto: Google Street View/Reprodução)
feminicídio muitas vezes se anuncia antes mesmo de apresentar sinais de violência contra a mulher. João Vitor Raimundo Silva, de 19 anos, preso na manhã de terça-feira em cumprimento de mandado de prisão temporária, já havia ameaçado a namorada antes de matá-la. É o que apontam as investigações da Polícia Civil sobre o crime que vitimou Micaele da Silva Santos, de 15 anos, que há quatro vivia em um relacionamento abusivo.

O crime ocorreu na última terça-feira em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Os dois eram vizinhos, moradores do Conjunto Habitacional Padre Marcelino. A vítima, que estava internada no Hospital João XXIII em estado gravíssimo, morreu neste domingo.

De acordo com a delegada responsável pelo caso, a prisão foi solicitada após diversos depoimentos de pessoas que estavam próximas ao apartamento do rapaz onde houve o homicídio qualificado. “Foram muitas provas testemunhais, inclusive de testemunha presencial que chegou segundos depois dos disparos – de arma de fogo – e viu João Vitor com a arma do crime na mão”, disse Karina Resende.

Segundo testemunhas que prestaram depoimento, a adolescente – que completaria 16 anos em 29 de novembro – vinha sofrendo constantes ameaças. “Ele era possessivo e ciumento, inclusive já havia ameaçado a adolescente com arma de fogo, mas ela não houve registro policial”, afirmou a delegada.

A arma utilizada ainda não foi localizada. Durante o processo de reunião dos depoimentos, o acusado preferiu se manter em silêncio e não quis dar sua versão à delegada. Com isso, as investigações não conseguiram apurar o que teria motivado o crime.

A delegada ainda contou que os familiares dele afirmam que os disparos foram acidentais. No boletim de ocorrência, a irmã de João Vitor disse aos militares que o namoro dos dois estava bem e que o irmão estava armado por causa de ameaças de morte que vinha recebendo. Ela não soube dizer quem o ameaçava, mas sustentou ainda que ficou sabendo que ele próprio gritou por socorro, tentou ajudar a adolescente, mas estava “tomado pelo desespero” e saiu correndo. Entretanto, a delegada descartou esta possibilidade pois a testemunha não estava no local e não conseguiu comprovar sua versão.

De acordo com o boletim de ocorrência registrado em 22 de outubro, quando os policiais militares chegaram ao apartamento, Micaele já havia sido socorrida e o local estava limpo, porém, não se sabe quem apagou os vestígios do crime. Sobre isto, a delegada informou que a perícia esteve no local e deve concluir o laudo em até 30 dias.

João Victor já tinha passagens policiais por porte ilegal de arma de fogo e ameaça. O crime contra Micaele é investigado como feminicídio consumado. O inquérito pode ser concluído em até 30 dias, mas a delegada acredita que até sexta-feira todas as provas tenham sido reunidas.

Denúncia

A delegada Karina Resende encoraja as mulheres a denunciarem. “Em qualquer sinal de violência contra a mulher, procure a delegacia e faça o registro, faça o uso da Lei Maria da Penha. Se ela tivesse denunciado o desfecho, poderia ter sido diferente”, disse.

Para denunciar qualquer forma de violência doméstica e familiar, seja física, psicológica, sexual, moral ou patrimonial, ligue para 180, na Central de Atendimento à Mulher.
 
* Estagiária sob supervisão da subeditora Ellen Cristie. 


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