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Estado de Minas

Em ato na porta do Magnum, suspeito de abusos se defende: 'Não podemos deixar injustiças como esta'

Pais e alunos organizaram manifestação no fim da manhã desta sexta-feira em apoio ao estagiário que, segundo denúncias, teria abusado de alunos do colégio de BH


postado em 11/10/2019 12:31 / atualizado em 11/10/2019 20:27

Ver galeria . 14 Fotos Paulo Filgueiras /EM/D.A. Press
(foto: Paulo Filgueiras /EM/D.A. Press )
"Somos e estamos a favor da unidade e da paz. Recebam nosso carinho". "Acreditamos na verdade!! Hudson, estamos com você". "Magnum, essa luta é nossa! Nossa escola, nossa família!". Essas são algumas das frases estampadas em cartazes produzidos por pais, filhos e alunos do Colégio Magnum, localizado no Bairro Cidade Nova, na Região Nordeste de Belo Horizonte. O ato foi programado para homenagear os professores e funcionários, e para demonstrar apoio à escola, devido às denúncias de abuso sexual por parte de educadores.

As grades da entrada do colégio, na Rua São Gonçalo, foram tomadas por cartazes com mensagens de apoio e de homenagens. Por volta das 11h, pais e alunos já se concentravam e faziam os últimos ajustes para realizar um ato, que começou às 12h. 

Antes mesmo de começar a homenagem, a emoção tomou conta de alguns funcionários. Eles passaram lendo os cartazes feitos pelas crianças e pais. Em silêncio, olharam, leram e saíram emocionados. Alguns pararam perto dos organizadores e agradeceram, com os olhos marejados. 

Motoristas que passavam em frente ao colégio também se mostraram a favor do ato, usando buzinas e as crianças cantaram o hino da escola em frente aos cartazes.

(foto: Paulo Filgueiras /EM/D.A. Press )
(foto: Paulo Filgueiras /EM/D.A. Press )
A advogada Renata Porto, de 39 anos, uma das idealizadoras do ato, afirma que houve uma mobilização dos pais e alunos, “A ideia hoje é homenagear os professores do Magnum, a segurança que a gente acredita que nossos filhos têm dentro da escola”, afirmou. “Aqui é uma escola tradicional da cidade. Por isso, decidimos fazer o ato, tendo em vista que professores estão sendo, no nosso entendimento, acusados indevidamente”, disse.

A acusação veio a tona na última semana. Funcionários foram denunciados por abusar de crianças na escola. O caso ainda está sendo investigado pela Polícia Civil. Um inquérito foi aberto e as apurações estão em andamentos. O principal suspeito é Hudson Nunes de Freitas, de 22 anos, que nega as acusações. A polícia fez buscas em sua casa e apreendeu o celular para contribuir nas investigações.

Apoio 

Ele foi recebido no ato com aplausos por pais e alunos que gritavam seu nome. Hudson foi abraçado pelas crianças e ainda cercado por elas e agradeceu a todos. “Sentimento de gratidão poder ser reconhecido por tudo que já fiz no colégio. Acho que as coisas vão esclarecer. Estou disposto a colaborar por qualquer coisa. Não me escondo, não podemos deixar acontecerem injustiças como esta.”  

Hudson, que está sem trabalhar desde que surgiram as denúncias, afirma que está recebendo doações de cestas básicas e apoio dos pais de alunos. “Recebi doações, além de mensagens por cartas e bilhetes”, completou.

Uma ex-professora chegou durante o ato e ficou emocionada. Depois de dar um longo abraço em Hudson, teve que ser amparada, pois começou a sentir dores na cabeça. Ela dava aula para o jovem quando ele tinha seis anos.

Pessoas de fora da comunidade escolar, como alunos da escolinha de futebol César, onde Hudson trabalhava, também deram apoio ao estagiário, assim como colegas e professores de faculdade dele.

Advogados no ato

Os advogados que defendem Hudson participaram da manifestação. Brenda Winter, que faz parte da defesa, afirma que, nessa quinta-feira,  aproximadamente 50 famílias foram ouvidas pela equipe.

“Em todos os depoimentos, Hudson foi tratado como uma pessoa respeitadora, cuidadora, bondosa. O perfil dele é bem nítido e qualquer pessoa consegue ver”, comentou. “Este ato voluntário demonstra que há indícios fortes que ele não é culpado”, completou.

Posicionamento do colégio

O Colégio Magnum se manifestou por meio de nota. No documento, a escola agradece “às manifestações de carinho de educadores de todo o país, das famílias, alunos e ex-alunos”. “Esclarecemos que o movimento realizado no entorno da escola hoje, 11 de outubro, em apoio a nossa instituição e colaboradores, foi legitimamente espontâneo. Permanecemos centrados no apoio psicológico e jurídico a todos os envolvidos, reafirmando nossa crença na verdade, no princípio da Justiça e à disposição das autoridades competentes para que a verdade seja revelada”.


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