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Estado de Minas

'Brincaram com a segurança pública', diz PM sobre show de Marília Mendonça em BH

Organizadores da festa estimaram público de 15 mil quando passou de 50 mil pessoas, segundo Polícia Militar e Prefeitura de Belo Horizonte. Foram 46 registros de ocorrências entre roubos e furtos e 14 prisões


postado em 08/10/2019 12:58 / atualizado em 08/10/2019 18:41

"Brincaram com a Segurança Pública, levando riscos para as pessoas que foram ao evento e transtornos para a cidade", disse o major Flávio Santiago (foto: Mateus Parreiras/EM)
A Polícia Militar e a Prefeitura Municipal de Belo Horizonte (PBH) acusam os responsáveis pelo show de Marília Mendonça de terem declarado estimativa de público mais de três vezes menor do que a previsível na noite desta segunda-feira (7) na Praça da Estação. A estimativa era de 15 mil pessoas, mas compareceram mais de 50 mil, segundo a PM, resultando em arrastões, crimes, depredações e transtornos na mobilidade urbana.

A organização divulgou o evento de surpresa, horas antes do show, sendo que se tratava de uma atração que mobilizaria milhares de pessoas, sem comunicar isso às autoridades, segundo a PM e a PBH. “Não podemos brincar com a segurança pública e foi o que nós vimos aqui (durante o evento). Porque não foi ratificado (a expectativa real de pessoas)? Por uma estratégia de marketing? O marketing não pode envolver a vida das pessoas”, disse o porta-voz da PMMG, major Flávio Santiago, em entrevista coletiva.

A PM informou que vai encaminhar uma denúncia ao Ministério Público, uma vez que a corporação precisou agir com poucas informações, tendo registrado 46 ocorrências, entre elas de roubos e furtos. Houve 14 prisões, sendo cinco delas relacionadas aos arrastões que foram monitorados pela inteligência. “Baderneiros se enfrentaram na Avenida Amazonas, altura do número 105, levando prejuízo e perigo de dano e a Rotam teve de agir”, disse Santiago, que confirmou duas tentativas de homicídio com o uso de lâminas.


Para caber na legislação

O oficial afirma que os responsáveis pelo evento sabiam que mais pessoas viriam, o que poderia ser comprovado pelas alterações no pedido de autorização à corporação e à PBH. “Mentiram (os organizadores), pois previram 20 mil pessoas. Quando souberam que a praça só comportava 15 mil pessoas, reduziram para 15 mil para se adequarem à legislação, mas sabiam que a previsão seria de mais pessoas”, disse o porta-voz da PMMG. “Eles podem responder penal, civil e administrativamente. Por danos, qualquer prejuízo com depredações que seja detectado pela prefeitura municipal. E podem ser responsabilizados, ainda, pelo perigo à saúde e à vida das pessoas que ali estavam”.

A Polícia Militar informou que só foi informada no final da semana, com “pouquíssimo tempo hábil para um planejamento”. “Basta imaginar que temos um evento como o carnaval sendo planejado desde agora. Ante isso, veja a irresponsabilidade em se fazer os eventos sem a devida comunicação necessária. Quando não passo informações oficiais eu inibo que o poder público se prepare com toda a efetividade para um evento dessa magnitude”, disse o militar. “Trabalhamos com a restauração da ordem pública e com redução de danos. Fizemos um trabalho rápido e que se não fosse essa ação conjunta com a prefeitura, talvez tivéssemos um evento catastrófico”, classificou.

Ver galeria . 9 Fotos Evento gratuito arrastou milhares de pessoas, que curtiram o show da cantora na noite desta segunda. Ocorrências policiais e trânsito são pontos negativos Marcos Vieira/EM/D.A Press
Evento gratuito arrastou milhares de pessoas, que curtiram o show da cantora na noite desta segunda. Ocorrências policiais e trânsito são pontos negativos (foto: Marcos Vieira/EM/D.A Press )


Caso tivesse tempo hábil a informação do público real estimado, o porta-voz indicou que a PM poderia ter exigido cercamentos, pontos de bloqueios, revistas de todas as pessoas e a possibilidade de vetar o evento. “Se vetássemos, teríamos, por conta das redes sociais, que lidar com pessoas indo até o local como forma de protesto. Massas insatisfeitas que por nossa experiência poderiam promover quebradeiras”, justifica. 

Falta de comunicação 

O subsecretário de fiscalização da Secretaria Municipal de Política Urbana, José Mauro Gomes, afirma que, antes de liberar um evento, a administração municipal checa sempre se a PMMG e os Bombeiros foram comunicados, se há responsável técnico. “Colocaram um público no limite dos 15 mil quando se sabe que será maior. Para um show daquela magnitude ocorrer, teria de se fazer com outros pré-requisitos de segurança, mobilidade urbana. Não previram, por exemplo, o fechamento da Andradas, que causou transtornos ao tráfego e ao transporte coletivo”, disse. Segundo ele, a legislação de eventos está sendo reformulada. “Teremos cuidados maiores e vamos procurar pedir antecedência maior do que apenas dois dias”.

Por outro lado

Por meio de nota, a assessoria de imprensa do evento informou que a produção local do show surpresa que a cantora Marília Mendonça “adotou todos os procedimentos necessários para a realização do evento na Praça da Estação, como, cercamento dos jardins, montagem de barricadas para garantir a segurança do público e profissionais que estavam trabalhando no local, contratação de empresa de segurança privada, acionamento dos órgãos de segurança pública, contratação de empresa de limpeza privada”.

A nota destaca que “a Praça da Estação foi entregue limpa ainda na madrugada após o evento”. O dimensionamento de público 15 mil pessoas teria ocorrido “conforme ocorreu nas outras 15 capitais que receberam a turnê anteriormente. Ademais o evento foi divulgado apenas pelas redes sociais da cantora e do produtor local, horas antes do show, em plena segunda-feira”. 


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