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Estado de Minas SANTA LUZIA

'Herdeiro do tráfico' vinha crescendo após substituir o irmão, diz polícia

A trama surpreendeu as autoridades, que disseram ser incomum deixar o 'legado' para o familiar


postado em 02/10/2019 06:00 / atualizado em 02/10/2019 09:10

A delegada Bianca Prado acredita que a prisão vai frear o crime(foto: Edésio Ferreira/EM/DA Press)
A delegada Bianca Prado acredita que a prisão vai frear o crime (foto: Edésio Ferreira/EM/DA Press)


"Ele vinha crescendo no crime depois que o irmão deixou o tráfico de drogas." Foi o que a delegada Bianca Prado disse sobre homem preso em flagrante considerado um dos maiores traficantes de facção criminosa na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Welisson Ramos Natividade, de 40 anos, conhecido por Índio, é suspeito de “herdar” o comércio ilegal do irmão, que atuou por muitos anos em Santa Luzia, na Grande BH. O irmão deixou a vida do crime e hoje trabalha de forma lícita como motorista de aplicativo. A trama surpreendeu as autoridades, que disseram ser incomum deixar o “legado” para o familiar. Welisson ainda é investigado por quatro homicídios e teria ligação com uma das principais facções criminosas do estado de São Paulo.

A investigação começou no início deste ano, mas a prisão ocorreu em Santa Luzia, em um ferro-velho, na semana passada. Em abril, a polícia prendeu o primeiro gerente do tráfico que trabalhava para Welisson. “Prendemos um dos gerentes dele com uma grande quantidade de droga, que nos chamou a atenção: maconha, cocaína e crack. Ele vendia grande variedade de droga e em toda Santa Luzia e regiões próximos. Acreditamos que  é um dos maiores traficantes de Minas Gerais”, explicou a delegada responsável pelo caso, Bianca Prado. Em maio, outro suspeito de ser funcionário do tráfico foi preso. Já em julho, foi expedido o mandando de prisão de Índio. E ele desapareceu. “Só entrava na cidade durante a madrugada ou nos fins de semana, o que dificultou os trabalhos da polícia”, disse a delegada.

Na terça-feira, o homem terminou preso durante uma reunião com um gerente do tráfico, num encontro que tinha como objetivo contabilizar as drogas e o dinheiro arrecadado. “Foi uma prisão um pouco complicada porque eles tinham feito uso de drogas e estavam bastante alterados”, disse a delegada. Com o suspeito foram encontradas duas armas de fogo, munições, drogas, dinheiro e anotações da contabilidade do tráfico. Ainda foram apreendidos um carro e uma moto, que seriam utilizados no comércio ilegal de entorpecentes. Ele usava a CNH do irmão quando foi detido.

O irmão dele é M.R.P. Muito conhecido na região, atuou por muitos anos como traficante. Em 2016,  foi preso em operação da Polícia Civil chamada Dilúvio. Na ocasião, foram expedidos 40 mandados de prisão para prender integrantes de organizações criminosas em Santa luzia. M.R.P foi um deles. “Hoje, está em liberdade. Ele cumpriu pena e não é mais investigado. Continuamos tendo notícias dele, mas apenas com atividades lícitas”, disse a delegada. Tudo indica que ele largou a vida de bandido e se restabeleceu. Ele trabalha como motorista de aplicativo de transporte. “Welisson herdou as bocas de fumo do irmão, que abandonou o tráfico há três anos”, acrescentou.

As apurações da polícia indicaram que Welisson auxiliou o irmão nos anos 1990. Chegou a ser preso e investigado em 2005. Cumpriu pena de sete meses e saiu das páginas policiais. Neste ano, voltou a ser investigado e, mais que isso, se tornou o principal alvo das polícias da Grande BH. “Mesmo com grandes apreensões de drogas feitas pela polícia, o comércio de Welisson era muito lucrativo, pois continuava distribuindo entorpecentes”, explicou a delegada. “Com a prisão dele, acredito que vamos frear o tráfico de drogas em Santa Luzia”, finalizou.


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