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Estado de Minas

Famílias ficam desalojadas após desmoronamento de barranco em Pouso Alegre

Áreas de serviço de dois imóveis desabaram. Segundo moradores, estruturas foram danificadas por obras de uma construtora de prédios nos fundos da rua


postado em 21/08/2019 13:59

(foto: Magson Gomes/Portal Terra do Mandu/Divulgação)
(foto: Magson Gomes/Portal Terra do Mandu/Divulgação)

O motorista Francisco teve que sair às pressas com a família de sua casa própria, no conjunto habitacional Jardim Brasil 2, em Pouso Alegre, Sul de Minas. Na tarde desta terça-feira (20) o muro do imóvel desabou, levando junto toda área de serviço. Os objetos desceram cerca de cinco metros, formando um abismo na porta da cozinha.

“Levou minha área de serviço e a frente da cozinha. O resto da casa ficou cheio de rachaduras, trincas. A Defesa Civil já até condenou a casa”, lamenta Francisco que diz que investiu R$ 70 mil no imóvel.

Além da casa de Francisco, outras 10 residências da Rua Florentina Ribeiro da Silva também foram interditadas pela Defesa Civil. Os imóveis do Jardim Brasil II foram construídos através de programa habitacional da Caixa Econômica Federal para famílias de baixa renda.

O vendedor Rafael dos Santos morava com mais seis pessoas no número 90, a esposa, o avô de 80 anos e quatro filhos do casal. “Está tudo interditado e a gente não tem para onde correr, para morar agora”.

De acordo com os moradores, o problema surgiu há mais de um ano, assim que começaram as obras para construção de prédios residenciais no terreno que faz fundo com as casas. Rafael filmou as máquinas da construtora tirando terra bem próximo do muro da casa dele.

(foto: Magson Gomes/Portal Terra do Mandu/Divulgação)
(foto: Magson Gomes/Portal Terra do Mandu/Divulgação)


“No sábado eles estavam com máquinas pesadas tirando terra, batendo nos tabules e começou a tremer a nossa casa”, conta Rafael que também diz que já tinham alertado Defesa Civil e a construtora. Mas a obra continuava.

Autoridades

Quando houve o desabamento dos taludes dos imóveis, a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros estavam vistoriando a área. As famílias que tiveram as casas interditadas foram para casas de parentes e para abrigos municipais.

“Ano passado nós tivemos aqui, fizemos uma vistoria. Apresentava trincas em todo o terreno. Algumas residências apresentavam fissuras e trincas e uma delas foi interditada. E nesta data teve as consequências que a gente vê aí”, explicou o coordenador da Defesa Civil Municipal, Aylton de Souza Alves.

(foto: Magson Gomes/Portal Terra do Mandu/Divulgação)
(foto: Magson Gomes/Portal Terra do Mandu/Divulgação)
Sobre a alegação dos moradores, o coordenador da Defesa Civil fala que não é possível afirmar que o problema foi causado pelas obras no terreno no fundo da rua. “Isso depende de um estudo geológico, um estudo técnico específico do conselho de engenharia para verificar a causa do problema. Mas, a princípio, o tabule foi cortado, perdeu a sustentação e trouxe a baixo o quintal de duas residências”

O que diz a construtora

A reportagem entrou em contato com a advogada que representa a construtora que mexe no terreno nos fundos da rua. De acordo com Mariana Gianini, a construtora tem todos os documentos que autorizam o andamento da obra. A advogada afirmou que a empresa possui laudos e alvará da prefeitura, além de uma perícia judicial respaldando o serviço que era feito no local.

Ainda de acordo com a advogada, o problema do desmoronamento não teria a ver com a nova obra e sim com o serviço realizado na construção do conjunto habitacional, com aterro sem base de concreto ou fundação.

A assessoria de comunicação da Caixa foi procurada, mas até a publicação da matéria não houve retorno.

Algumas dessas famílias da Rua Florentina já contrataram um advogado que está entrando com ações na justiça contra a Caixa e contra a construtora responsável pela nova obra nos fundos dos imóveis.

Magson Gomes, especial para o EM


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