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Estado de Minas

Grafite em BH: um mapa colaborativo

Este é um guia visual em construção para a galeria a céu aberto que se tornou Belo Horizonte


postado em 07/06/2019 17:44 / atualizado em 07/06/2019 19:24


Belo Horizonte cada vez mais faz jus ao título de galeria a céu aberto. As cores que recebeu nos últimos cinco anos não passam despercebidas por quem vive na capital mineira ou a visita. Os traços de artistas locais, nacionais e internacionais enfeitam muros, espaços públicos e imóveis particulares, num processo que ganhou o carinho dos moradores. Para valorizar a crescente cena de arte urbana na cidade, o Estado de Minas lança hoje o projeto #GrafiteEMBH, um guia visual por alguns dos principais trabalhos que colorem a cidade, criado com a ajuda da curadora e produtora cultural Juliana Flores. 


O mapa interativo, feito a partir de levantamento exclusivo, reúne dezenas de obras dos movimentos que, em parceria com o poder público ou por meio de ações individuais, construíram uma nova paisagem para BH.
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Na edição de domingo, 9 de junho de 2019, o jornal publica um guia de bolso, a versão física do projeto, com o que coube no mapa até agora.


Campanha digital
A partir de hoje, os leitores do Estado de Minas podem contribuir com o guia interativo de algumas artes de rua de Belo Horizonte. Para participar, basta postar a foto no Instagram com a hashtag #GrafiteEMBH, marcando o perfil do @emimagem, indicando o endereço e (se possível) o autor do grafite.

Ver galeria . 34 Fotos Grafite em BHGladyston Rodrigues/EM
Grafite em BH (foto: Gladyston Rodrigues/EM )


As imagens serão incluídas no mapa, que já conta com mais de 50 obras. Além disso, as imagens mais curtidas serão republicadas nas redes sociais do Estado de Minas e ganharão destaque em reportagem especial que vai encerrar o projeto.

A iniciativa visa gerar mapa colaborativo, retrato da arte urbana da capital, inclusive com a finalidade de catalogação de obras que, porventura, sofram apagamento, como ocorreu com o mural das Minas de Minas, com imagem da atriz Teuda Bara, na Rua Guiacurus, marcado em nosso mapa original. Com a pintura da parede na cor negra, atualizamos nosso mapa digital, indicando que ali, um dia, existiu uma obra de arte.

Memória em registro

A preocupação de registrar essa memória das artes de rua da capital mineira ganhou força na semana passada, quando o painel feito em 2017 pelo grupo Minas de Minas com o retrato da atriz Teuda Bara, do Grupo Galpão, foi coberto por tinta preta, na Rua Guaicurus, no Hipercentro. 

A remoção da obra, contudo, vai na contramão do acolhimento que os grafites têm entre os belo-horizontinos, que pode ser mensurado pelo aumento de permissões dadas pelos donos de imóveis para que sejam usados espaços privados para pintura.

“A maioria dos meus trabalhos é de pessoas que me chamam. Faço muito os muros externos das casas. Tanto que espalhei meu trabalho pela cidade”, comenta Iron, artista visual de 38 anos. Uma característica das obras dele são animais inseridos na cadeia alimentar, como a garça enlaçada por uma cobra sob um dos viadutos do Complexo da Lagoinha.

A arte urbana muda o ritmo de quem passa, como podemos observar na passarela que liga o terminal rodoviário à Praça Vaz de Melo. O lugar testemunha passos apressados de quem pega o metrô muito cedo, mas quando se deparam com a natureza ali representada, muitos param para admirar.

“A arte urbana, grafites e murais, faz a gente olhar com novo olhar o lugar de sempre. Outra perspectiva para um lugar que nem se reparava mais. Interrompe rotina e te faz reparar”, diz Juliana Flores, uma das idealizadoras do Circuito de Arte Urbana (CURA). 

E apreciação não é necessariamente de aprovação. “Você pode estranhar, achar diferente. É maravilhoso quando as pessoas começam a identificar, perceber que tem cena, perceber o traço do artista. Ver um pássaro do Iron e depois um polvo e perceber que é o mesmo traço”, avalia.

Se no Centro os murais gigantes chamam a atenção, nas periferias não deixam de trazer impacto visual. Com 16 metros, a imagem da mulher negra com o filho no colo na empena de um prédio captura o olhar de quem chega ao Morro das Pedras, na Região Oeste.



“A escolha do lugar é política. Fazia grafites no Centro e nos bairros, mas meu interesse são as comunidades, contar a história dos moradores”, diz o artista Dagson Silva, que nasceu na comunidade e atualmente faz mestrado em artes na cidade de Marseille, na França.

Nosso beco do Batman

Os locais onde a arte chega se transformam em pontos de visitação. A Rua Américo Scott, no Bairro Serra, caminha para se transformar também em ponto turístico. A via, perto da Avenida do Contorno, reúne trabalhos de importantes nomes da arte urbana de BH e informalmente foi apelidada de Beco do Batman, em referência ao famoso corredor de grafites em São Paulo. 



“BH desponta como espaço muito criativo para a arte urbana. São projetos que tornam visíveis pesquisas pequenas e múltiplas para ocupar a cidade. É a conquista, em grande formato, da luta que acontece nas ruas há muito tempo”, diz Bernardo Biagioni, curador da Galeria Quartoamado e criador do projeto Pedalar, que incluiu a Rua Américo Scott no roteiro dos passeios de bicicletas que promove pela cidade.

Movimento

Um dos projetos pioneiros de grafite em BH, o Telas Urbanas abriu espaço para os artistas paulistas Onesto, Mag Magrela e Paulo Ito e para os mineiros Hyper, DMS e Dalata. 

O CURA, em três edições, trouxe para empenas de edifícios do Centro trabalhos de artistas como Thiago Mazza, Criola e Priscila Amoni, que ganharam destaque internacional, e artistas que despontam nacionalmente, como Comum e DMS. Fizeram parte das intervenções ainda Acidum Project, do Ceará, Hyuro e Milu Correch, da Argentina, e Marina Capdevila, da Espanha. 

O CURA recuperou ainda o histórico das intervenções em BH, ao recuperar imagens do francês Hugues Desmázieres, considerado o pioneiro na cidade na pintura de murais.

O Território Arte Urbana (TAU) levou para o Bairro Santa Tereza os traços de Clara Valente, Binho, o artista paulista Cris Rodrigues. O Morro Arte Mural mudou a paisagem do Alto Vera Cruz foram pintadas 43 casas, formando um macromural que dá face para a Avenida dos Andradas, dos Cosmic Boys (Zeh Palito, de São Paulo, e Rimon Guimarães, do Paraná).

O projeto Arte urbana – Gentileza, da Prefeitura de Belo Horizonte, espalhou murais por todas as regionais da cidade, com destaques para trabalhos de Dagson Silva. Em maio, os belo-horizontinos Clara Valente, João Gabriel dos Santos Araújo e Gabriel Dias, e a italiana Alice Pasquini mudaram a paisagem do entorno do terminal rodoviário e da estação do metrô na Lagoinha. 

O Museu de Rua fez, recentemente, intervenção convocando artistas para pintura na Esplanada do Mineirão. Somam-se a esses projetos trabalhos individuais dos artistas, alguns muito populares, como o Bolinho, criação da artista Maria Raquel Alves Couto Ramiro.

Você sabia?

Aos poucos, as pessoas percebem que arte urbana é um termo que abarca diversas formas de expressão artística, com diferentes técnicas e origens. Muito gente usa o termo grafite para definir todas as pinturas, mas nem todos são. O grafite é uma das vertentes do movimento hip-hop, inscrições que ganharam as ruas de Nova York, nos Estados Unidos. O muralismo já é um movimento artístico acadêmico, que teve como um dos precursores o pintor mexicano Diego Rivera (1886-1957).



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