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Estado de Minas

Deslizamento de área de 600m² reforça expectativa de acomodação de talude em cava

Apesar do susto, a porção que rolou do paredão, de 20m de largura por 30m de altura, não provocou abalo na instável barragem Sul Superior da Mina Gongo Soco. Monitoramento continua sendo feito 24h por dia em Barão de Cocais


postado em 01/06/2019 06:00 / atualizado em 01/06/2019 08:00

Área bloqueada pela Defesa Civil em Barão de Cocais: cidade está em alerta devido ao risco de queda do talude da mina e do rompimento de barragem(foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)
Área bloqueada pela Defesa Civil em Barão de Cocais: cidade está em alerta devido ao risco de queda do talude da mina e do rompimento de barragem (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)


Um alento em meio à apreensão que tomou conta de Barão de Cocais, na Região Central do estado, há mais de uma semana. Na madrugada de ontem, uma pequena porção do talude norte da Mina de Gongo Soco, administrada pela Vale na cidade, se esfarelou e caiu dentro da cava do complexo minerário. De acordo com geotécnicos da mineradora, a placa que se descolou tem 20 metros de largura por 30 metros de altura.


Apesar do susto, o rolamento de terra não impactou a Barragem Sul Superior, em risco iminente de rompimento, o nível 3, desde 22 de março, segundo a empresa. A boa notícia é que a queda de menor proporção indica que a encosta deverá se desfazer aos poucos, sem maiores abalos que poderiam se propagar até o barramento em estado crítico, ainda de acordo com a mineradora. A distância entre as duas estruturas em risco é de 1,5 quilômetro.

Segundo o tenente-coronel Flávio Godinho, da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec), o que o órgão classificou como desplacamento ocorreu por volta das 5h. “Foi um desprendimento de uma parte insignificante, segundo a Vale, que caiu dentro da cava e ali ele foi acondicionado e não trouxe nenhuma característica de gatilho ou possível tremor que viesse a ter consequências na Barragem Sul Superior”, destacou.


Ainda de acordo com Godinho, o desplacamento não altera em nada os trabalhos da Vale e da Defesa Civil, que vão continuar monitorando tanto o talude quanto a barragem hoje. “Continuam as ações de monitorar, de acompanhar cada situação. Já era previsto que esse talude poderia se romper na sua totalidade ou em partes e isso vem se concretizando a cada dia que aumenta a velocidade do deslocamento”, pontuou o militar. Segundo a Vale, a Mina Gongo Soco é monitorada de forma remota 24 horas por dia, a partir de drones, radares e uma estação robótica. Esses dois últimos são capazes de detectar movimentações milimétricas, segundo a Vale.


A cava, que é o local de onde se extraiu o minério, tem cerca de 110 metros de profundidade, sendo que a água acumulada dos lençóis freáticos e chuva está ao nível de 50 metros. O paredão em movimento apresenta inúmeras erosões, trincas e fissuras. Uma boa parte se encontra submersa.

Por meio de nota, a Vale se posicionou sobre a queda de parte do talude. “Esses blocos se acomodaram no fundo da cava. As primeiras avaliações indicam que o material está deslizando de forma gradual, o que até o momento corrobora as estimativas de que o desprendimento do talude deverá ocorrer sem maiores consequências”, informou a Vale, por meio de nota.


O talude que está ameaçando ruir tem 10 milhões de metros cúbicos. Segundo a Cedec, cálculos dos
engenheiros contratados pela Vale para o monitoramento dessa estrutura mostram que a cava da mina pode comportar duas vezes e meia o volume do paredão. O pior cenário é um descolamento repentino da placa, que pode causar uma onda de choque capaz de fazer com que os rejeitos da Barragem Sul Superior entrem em processo de liquefação e o represamento se rompa.

Os cerca de 400 moradores da Zona de Autossalvamento (ZAS) da Mina Gongo Soco foram evacuados em 8 de fevereiro, quando a represa entrou no nível 2 de instabilidade. A preocupação fica, agora, com a Zona Secundária de Segurança (ZSS), que já passou por dois treinamentos de emergência. Em caso de colapso de Sul Superior, a onda de rejeitos chegaria à ZSS em uma hora e 12 minutos. Além disso, um possível desastre também contaminaria o Rio Doce, já arrasado pela tragédia de Mariana, em novembro de 2015.


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