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Estado de Minas

Expectativa em torno de mina e talude deixa população de Barão de Cocais apreensiva

Defesa Civil, bombeiros e PM fazem plantão para agir caso barragem se rompa após colapso do talude norte de Gongo Soco, previsto para ocorrer até sábado. Vale monitora a mina


postado em 20/05/2019 06:00 / atualizado em 20/05/2019 08:01

Placa indica a mina onde talude em movimento ameaça ruir e barragem se encontra em estado crítico, com risco de rompimento(foto: Tulio Santos/EM/D.A Press)
Placa indica a mina onde talude em movimento ameaça ruir e barragem se encontra em estado crítico, com risco de rompimento (foto: Tulio Santos/EM/D.A Press)

Semana decisiva para a Mina Gongo Soco e a apreensiva população de Barão de Cocais, na Região Central de Minas Gerais. Começou ontem e termina no sábado o período previsto para o colapso do talude norte da mina administrada pela Vale. A encosta que dá sustentação ao complexo minerário vem se movimentando e, em caso de escorregamento, cairia na cava da mina, que tem cerca de 100 metros de profundidade.

O temor é que o impacto desencadeie um desastre: o rompimento da Barragem Sul Superior, em nível 3 de alerta desde 22 de março, data anterior à detecção dos problemas no talude. Esse nível significa vazamento iminente. Ontem, a mineradora divulgou vídeo com informações sobre as condições da estrutura. As defesas civis estadual e municipal, o Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar (PM) permanecem de plantão em Barão de Cocais para atendimento em caso de emergência. A força-tarefa mantém contato constante com a Vale, exigindo relatórios técnicos para apurar a real situação da Mina Gongo Soco.

O material divulgado pela Vale busca atender à recomendação feita pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) para que a mineradora mantenha a população informada sobre os riscos a que está sujeita em caso de ruptura da barragem. As explicações foram também uma das reivindicações mais recorrentes dos cocaienses que participaram do simulado de emergência da Defesa Civil estadual no sábado.

No vídeo, a empresa usa imagens para explicar que o talude – “terrenos inclinados que dão sustentação à cava da mina” – está a 1,5 quilômetro da barragem em estado crítico. A empresa ressalta no material que “identificou uma movimentação” na estrutura. Porém, descarta que haja “elementos técnicos para se afirmar que o eventual deslizamento provocará ruptura da Barragem Sul Superior”.

No sábado, muitos moradores de Barão de Cocais que participaram do treinamento da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec) reclamaram da falta de informes sobre a situação do complexo minerário. “Não chegou nada de informação para a gente. Só chegou pela imprensa. Não penso em me mudar de Barão de Cocais porque sou criada aqui e pertenço a esta cidade. Mas a falta de informação complica para a gente”, disse Maria de Fátima, de 60 anos, ao Estado de Minas. No dia do treino, a Vale realizou uma reunião com a população em uma universidade da região. Contudo, pessoas que participaram do evento disseram que os representantes da companhia não responderam claramente a muitas perguntas feitas.

Segundo a Agência Nacional de Mineração (ANM), o talude se movimentava 10 centímetros por ano desde 2012, medida aceitável para uma cava profunda. Contudo, desde o fim de abril, a velocidade do deslocamento aumentou para cinco centímetros por dia. Segundo laudos citados pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e pela ANM, se esta aceleração continuar, o rompimento do talude pode ocorrer até sábado.

Para evitar maiores danos à população da Zona Secundária de Segurança (ZSS) de Barão de Cocais – cerca de 6 mil moradores dos bairros Centro, São Geraldo, São Benedito, Três Moinhos e Vila Regina –, a empresa adotou algumas medidas. Entre elas está o monitoramento por radar e por uma estação robótica do talude. O videomonitoramento é feito em tempo real pela sala de controle em Gongo Soco e no Centro de Monitoramento Geotécnico (CMG). Quatro equipamentos estão localizados na sala de controle em Gongo Soco e outros dois no CMG. Além disso, a mineradora deu início à terraplanagem para construir um muro de concreto a seis quilômetros da represa e posicionar telas metálicas e blocos de granito a jusante da barragem.

ANIMAIS A Vale firmou compromisso com o Ministério Público de que vai recolher, a pedido dos tutores, animais domésticos e silvestres ainda remanescentes nas zonas de Autossalvamento (ZAS) e de Segurança Secundária (ZSS) da Barragem Sul Superior. Para o recolhimento, o interessado deve acionar a empresa pelo telefone 0800 031 0831. Foi determinado, ainda, que a empresa forneça provisão de alimento, água e cuidados veterinários aos animais que aguardam resgate.

Desde 14 de fevereiro, a mineradora está obrigada a executar plano de ação para proteção à fauna em Barão de Cocais. De acordo a decisão, a empresa ficou obrigada a, entre outras medidas, localizar, resgatar e cuidar dos animais deixados nas áreas de risco, depois da evacuação dos moradores das comunidades de Socorro, Tabuleiro e Piteiras em 8 de fevereiro.

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