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Estado de Minas

Por causa da dengue, mais postos de saúde podem ser abertos aos sábados em BH

PBH faz balanço da procura para decidir se novos centros de saúde serão abertos no sábado para atender pacientes com sintomas da doença. Unidade de hidratação reforça o sistema


postado em 21/04/2019 06:00 / atualizado em 24/04/2019 19:43

 

A procura de centros de saúde de Belo Horizonte aos sábados por pacientes com suspeita de dengue na cidade pode levar a Prefeitura de BH a continuar ampliando o número de unidades abertas nesse dia no próximo fim de semana. No segundo sábado em que a PBH colocou em prática esse procedimento, a busca de atendimento foi grande por pessoas, em sua maioria, com os sintomas clássicos da doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, como dores pelo corpo, febre e manchas na pele. A intenção da PBH é anunciar uma possível ampliação o quanto antes, para dar tempo de a população receber a informação. O andamento da movimentação das Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) no início da semana é que apontará a necessidade de abertura de mais postos de saúde. Amanhã, a administração municipal inaugura a Unidade de Reposição Volêmica, espaço destinado para hidratação venosa enquanto pacientes permanecem em observação e refazem o exame de sangue. O local vai funcionar na UPA Centro-Sul e terá 25 leitos. O objetivo é liberar as vagas nas UPAs para garantir a rotatividade de pacientes.

Quase todos os lugares de espera estavam ocupados no Centro de Saúde São Paulo, na Região da Pampulha(foto: fotos: Edésio Ferreira/EM/D.A PRESS )
Quase todos os lugares de espera estavam ocupados no Centro de Saúde São Paulo, na Região da Pampulha (foto: fotos: Edésio Ferreira/EM/D.A PRESS )


No primeiro sábado em que a PBH abriu postos de saúde para desafogar a demanda da dengue foram três unidades contempladas. Ontem, esse número subiu para quatro. As regiões escolhidas pela PBH para terem centros de saúde funcionando foram Nordeste, Venda Nova, Barreiro e Pampulha. Nesta última, a unidade escolhida foi o Centro de Saúde Santa Terezinha, que recebeu vários pacientes ao longo do dia. Uma delas foi a dona de casa Marlene Gomes Ferraz, de 75 anos. Quem a levou até o posto foi o filho Emerson Gomes Ferraz, de 48. “Ela já foi ao posto do Alípio de Melo e confirmou que está com dengue. Eles pediram para voltar em cinco dias, então viemos aqui neste posto que abriu hoje (ontem). Acho que essa ação ajudou bastante, porque se fosse na UPA, a gente não sabe a que horas ela seria atendida”, diz Emerson. Quem também procurou o Centro de Saúde Santa Terezinha ontem foi a vendedora Aliene de Cássia, de 26. Ela levou o filho Guilherme Henrique, de 2. “Ele reclamou de dor no corpo, está empolado e teve febre alta. A UPA Pampulha estava muito cheia, então não me animei a esperar. Moramos no Bairro Paquetá e com esse posto aberto eu fico bem mais aliviada”, disse ela enquanto aguardava o atendimento da criança.

Quase todos os lugares de espera estavam ocupados no Centro de Saúde São Paulo, que fica no bairro de mesmo nome, na Região Nordeste da capital. A abertura da unidade serviu para Gilvânio de Deus Souza, de 41, levar a filha Giovanna, de 10, para uma consulta médica. Ela está com dores nos olhos e manchas pelo corpo e a mãe dela está com dengue confirmada. “Fui com minha esposa à UPA anteontem (quinta-feira) às 14h e saímos às 17h. Ela piorou e voltamos às 20h, quando estava bem mais lotado. Só consegui sair de novo às 4h, então trazer minha filha aqui ao posto está bem mais tranquilo. Acho que essa iniciativa poderia se repetir outros dias”, afirma o pai. Enquanto aguardava atendimento, a técnica em análise Denise da Silva, de 35, também elogiou a abertura do posto no sábado. “Pelo menos não ficamos horas esperando e aumenta nossa tranquilidade”, disse ela, que suspeitava de dengue com dores do corpo, nos olhos, calafrios e manchas vermelhas no corpo.

O gerente de Atenção Primária à Saúde da PBH, Fabiano Guimarães, destaca que é possível que no próximo sábado mais unidades abram as portas. “No primeiro sábado, por exemplo, abrimos três centros, mas a quantidade de atendimentos na UPA Venda Nova durante a semana pesou para abrirmos mais uma unidade na região. Para o próximo fim de semana, vamos avaliar e pode ser que a gente abra mais”, afirma. O movimento da semana nas UPAs será o termômetro, mas a prefeitura não quer demorar para fazer esse anúncio, até para facilitar a vida das pessoas.

Nesse contexto, o gerente lembra a população de que todos os 152 centros de saúde da capital mineira podem ser procurados durante a semana por quem apresentar sintomas suspeitos de dengue. A grande maioria dos pacientes que buscam uma UPA com esse quadro é classificada com a cor verde, que indica menor risco. Por isso, esses pacientes têm todas as condições de ser atendidos em um centro de saúde. “Também é importante dizer que se algum caso grave chegar aos centros de saúde, o paciente será encaminhado pela prefeitura para uma UPA. As pessoas podem procurar tranquilamente os centros de saúde da cidade para as suspeitas de dengue”, acrescenta Fabiano.

MAIS VAGAS

 Será inaugurada amanhã, às 19h, uma Unidade de Reposição Volêmica da Prefeitura de Belo Horizonte para atender pacientes com dengue encaminhados pelas Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) de BH. O espaço será implantado na UPA Centro-Sul, terá 25 leitos e será exclusivo para os casos em que for necessário fazer a hidratação venosa. De acordo com o gerente de Atenção Primária à Saúde da Secretaria Municipal de Saúde de BH, Fabiano Guimarães, o objetivo é receber aqueles pacientes que precisam de hidratação mais intensa enquanto ficam em observação para repetir o exame de sangue e avaliar o andamento do tratamento. “A unidade vai funcionar 24 horas e é importante mencionar que os casos serão sempre encaminhados pelas UPAs, não é um local que vai receber diretamente os pacientes”, afirma Fabiano. Ele também destaca que o objetivo é aliviar as vagas nas UPAs, aumentando a chance de rotatividade para entrada de novos pacientes.

CASOS 

Em apenas uma semana, quase mil novas notificações foram confirmadas. Segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde, o número chegou a 4.185 na quarta-feira, contra os 3.217 registrados até sete dias antes. Outras 14.271 notificações estão pendentes de resultados, enquanto 4.144 foram investigadas e descartadas. Na última semana, a prefeitura abriu um chamamento público para a contratação de médicos e outros profissionais da saúde para reforçar o atendimento. Porém, nem todas as vagas foram preenchidas. “Do dia 11 ao dia 17, a Secretaria Municipal de Saúde contratou 70 profissionais de saúde, sendo 37 médicos. Há ainda 68 vagas em aberto para médicos e 87 para outras categorias que atuam na área da saúde”, informou o órgão.

Boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria de Estado da Saúde (SES) na semana passada aponta 121.699 casos prováveis de dengue – suspeitos e confirmados – desde o início do ano em Minas Gerais, número já superior ao registado na epidemia de 2010. Houve 14 mortes provocadas pela doença, seis das quais em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), duas em Uberlândia, no Triângulo Mineiro e o mesmo número em Unaí, no Noroeste de Minas. Registraram uma morte cada um os municípios de Arcos, na Região Centro-Oeste, Paracatu, Região Noroeste, Frutal, no Triângulo, e Ibirité, na Grande BH.

 

A DOENÇA EM BH


4.185

casos de dengue foram confirmados na capital mineira desde o início
do ano



14.271

registros estão pendentes
de resultados



4.144
ocorrências foram investigadas
e descartadas

Fonte: SMS

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