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Estado de Minas

Abandono do Mineirinho facilita criadouros do mosquito da dengue

Mineirinho passa por aplicação emergencial de inseticidas contra o Aedes, às vésperas de final de vôlei. Água em calha facilita infestação, notada durante treinos e até em missa


postado em 20/04/2019 06:00 / atualizado em 24/04/2019 19:43

Agentes da prefeitura fizeram aplicação de inseticida no entorno do ginásio nessa sexta-feira(foto: Edesio Ferreira/EM/D.A Press)
Agentes da prefeitura fizeram aplicação de inseticida no entorno do ginásio nessa sexta-feira (foto: Edesio Ferreira/EM/D.A Press)

Falhas estruturais que permitem o acúmulo de água parada e a presença constante de lixo e objetos inservíveis que também reservam o líquido em um contexto de epidemia de dengue em Belo Horizonte. Essa é a situação do ginásio do Mineirinho às vésperas da decisão da Superliga Feminina de V ôlei, que deve levar cerca de 12 mil pessoas à quadra, que é considerada um dos templos do esporte mundial, mas sofre com o abandono. Na semana que termina hoje, a infestação de mosquitos no ginásio chamou a atenção das jogadoras do Minas Tênis Clube durante os treinamentos para a final e também de religiosos que participaram da Missa da Unidade, celebração que marca a quinta-feira santa. Cerca de 15 mil fiéis lotaram as cadeiras e arquibancadas para acompanhar a missa presidida pelo arcebispo metropolitano de BH, dom Walmor Oliveira de Azevedo. A alta concentração de pessoas que já passaram e ainda vão passar pelo Mineirinho motivou uma ação emergencial da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) contra a dengue. Agentes de controle de endemias fizeram aplicação de inseticidas tanto para eliminar as larvas quanto o mosquito adulto, na intenção de evitar a infecção de mais pessoas.

BH já tem 4.185 casos confirmados de dengue e a Região da Pampulha é a quarta em número de diagnósticos confirmados, com 520, perdendo para Barreiro, Venda Nova e Nordeste. Outros 1.124 são considerados suspeitos na Pampulha. Ponto de atenção especial da prefeitura, o Mineirinho recebe vistorias de 15 em 15 dias. O foco, segundo o diretor da Zoonoses da Secretaria Municipal de Saúde, Eduardo Viana, é o acompanhamento de uma situação estrutural da calha que recolhe água pluvial no entorno do ginásio, mas também da deposição de lixo e objetos inservíveis com potencial de acumular água, como copos plásticos. “Com relação ao problema da calha, sempre são feitos relatórios e informamos à autoridade competente. Enquanto a situação não é resolvida, fazemos o combate químico. O que dificulta muito é o hábito dos frequentadores de depositar o lixo fora dos locais de coleta. Embalagens podem acumular água e se transformarem em criadouros”, afirma Viana.



A reportagem flagrou os dois exemplos no Mineirinho. O que mais chama a atenção de forma visual é o acúmulo de água na calha que circunda o ginásio e recolhe a chuva. Ontem, essa calha estava cheia em alguns pontos e por isso recebeu larvicida. Nas paredes em volta também foi aplicado o inseticida para matar mosquitos adultos. Foram vistos ainda objetos depositados fora do lixo, como copos que podem acumular água. Na quarta-feira, quando as atletas do Minas Tênis Clube chegaram para o treino, a maioria teve que usar repelentes para se defender da quantidade de mosquitos. O medo da dengue incomodou a meio de rede Mara: “Já pensou ficar doente logo agora e perder a disputa do título? Melhor prevenir do que ficar de fora”, disse ela na ocasião. O problema também incomodou religiosos que participaram da Missa da Unidade, na quinta-feira. Segundo a Arquidiocese de BH, 15 mil pessoas participaram da celebração. A dona de casa Valéria Rodrigues, de 58 anos, se assustou com os mosquitos. “Tomara que não seja nenhum da dengue”, disse ela na quinta.

(foto: Arte)
(foto: Arte)


O próprio Minas, preocupado com a saúde das atletas tanto do clube quanto de seu adversário, o Praia Clube de Uberlândia, e dos cerca de 12 mil torcedores esperados para o jogo, acionou a Prefeitura de BH informando sobre a situação, o que gerou a ação emergencial flagrada pela reportagem do EM. Vestidos com roupas especiais, agentes de combate a endemias da Gerência de Controle de Zoonoses da Reginal Pampulha da PBH percorreram todo o entorno do ginásio em busca de focos do Aedes aegypti aplicando inseticida ao redor da estrutura. O objetivo da ação foi matar o mosquito adulto, por meio do uso de um adulticida, segundo os técnicos. Na quinta-feira, o objetivo foi aplicar o chamado larvicida, para combater a fase de larva do mosquito em pontos de água parada. A calha que circunda o ginásio e acumula muita água de forma crônica no Mineirinho foi o foco principal do larvicida e também do inseticida para mosquitos adultos.

Espaço interno


A intenção da PBH era fazer a aplicação, inclusive, na área interna do ginásio, onde ficam a quadra, arquibancada e cadeiras. Mas em virtude da ocupação das atletas do Praia e do Minas, que ontem treinaram no espaço infestado, e também dos funcionários que montam a estrutura para a grande final, não foi possível jogar os remédios nessas áreas. Apesar disso, os anéis de acesso de torcedores foram contemplados. Ontem, a líbero do Minas, Léia, mostrou alívio ao saber que foi feita a pulverização de inseticida, mas considerou que o ideal é que o trabalho tivesse ocorrido antes. Ela mostrou também preocupação com os torcedores.

Responsável pelo ginásio, a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese) informou, por meio da Subsecretaria de Esportes, que intervenções visando ao combate ao mosquito Aedes aegypti foram feitas no Mineirinho a partir do fim de 2017. Entre as ações, o órgão citou“reformas de caixas d’água e limpeza das calhas e canaletas”. De acordo com o texto, “após as apresentações do Cirque du Soleil, último evento grande, todos os entulho foram retirados”. A secretaria diz ainda que, “por causa da proximidade com a Lagoa da Pampulha, é comum a presença de grande quantidade de mosquitos em toda a região do entorno do estádio, mas que não são necessariamente o Aedes.”

Doença na região


A Região da Pampulha é uma das quatro de BH que terá hoje um centro de saúde aberto para receber a população que precisar de atendimento médico. O objetivo é desafogar as Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs), que registram aumento de 40% na procura em virtude da epidemia de dengue. Na Pampulha, abre as portas hoje o Centro de Saúde Santa Terezinha, na Rua Senador Virgílio Távola, 157, no bairro de mesmo nome, entre as 8h e às 17h.


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