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Estado de Minas

Crise na mineração faz Ouro Preto temer fiasco na semana santa

Cidade histórica se prepara com os tradicionais tapetes de serragem, mas comerciantes se preocupam com a forte queda no turismo desde a interdição em barragem


postado em 27/03/2019 06:00 / atualizado em 27/03/2019 07:53

Restrição na BR-356, que está no sistema siga e pare, ocorreu por causa da Barragem da Mina de Vargem Grande, em Nova Lima(foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A Press - 22/2/19)
Restrição na BR-356, que está no sistema siga e pare, ocorreu por causa da Barragem da Mina de Vargem Grande, em Nova Lima (foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A Press - 22/2/19)


Perto de 60 toneladas de serragem serão recolhidos em carpintarias de Ouro Preto e região com um objetivo muito especial: ornamentar as ruas do Centro Histórico da cidade, com tapetes artesanais, para a procissão da ressurreição, no domingo de Páscoa. O serviço está entregue a funcionários da prefeitura que vão trabalhar num galpão munidos de 500 quilos de anilina nas cores roxo, laranja, azul, preto, marrom e amarelo. Mas enquanto a cidade reconhecida como Patrimônio da Humanidade se prepara, com fé e arte, para as solenidades da semana santa, as autoridades e o comércio temem pela queda no turismo devido à interdição de uma barragem no distrito de Antônio Pereira e também da rodovia BR-356 que dá acesso ao município.

“Estamos muito preocupados com o turismo em Ouro Preto, desde o rompimento da tragédia em Brumadinho, em 25 de janeiro. A queda atinge 50% no movimento de visitantes e é sentida pelos hotéis e pousadas, com cancelamento de reservadas, restaurantes e outros estabelecimentos do Centro Histórico, disse, ontem, o secretário municipal de Cultura e Patrimônio, Zaqueu Astoni Moreira. Ele destacou que o setor de serviços em turismo absorve um terço das pessoas que trabalham no Centro Histórico, daí ser necessária a recuperação urgente para não haver quebra maior na economia local e desemprego. “No fim de semana passado, a cidade estava vazia”, lamentou Zaqueu.

O hostel Brumas, com 170 leitos, registra cancelamento de reservas para a semana santa e queda na procura. “Está realmente muito baixa, bem ao contrário do tradicional, pois se trata de um período com muitos visitantes”, queixa-se a proprietária Sônia Vianna, lembrando que, no seu empreendimento, o período tem 100% de ocupação e deverá fechar em 70% desta vez. “Para se ter uma ideia da situação, as procuras estão maiores para o feriado de Corpus Christi, em 20 de junho, do que para agora.”

Localizado no antigo prédio do educandário Santo Antônio, perto da Igreja Mercês e Perdões (Mercês de Cima), o Brumas recebe grande parte dos hóspedes vindo do Rio de Janeiro e São Paulo “e tem crescido o número de pessoas do interior de Minas”. Sônia conta que atende 100% do turismo pedagógico, com estudantes de escolas e faculdades. “Estamos na torcida para o término do pare e siga na rodovia BR-356. Está muito incômodo e sem sentido, gerando pânico em quem trafega”, revela. Um dono de hotel, que prefere não se identificar, afirma que tinha recebido telefonemas de gente do Maranhão, mas, após as notícias rompimento de barragens, decidiram cancelar. 

SEM SENTIDO
Ressaltando a beleza, originalidade e história das celebrações centenárias da Paixão de Cristo, Zaqueu explica que há uma grande distância do Centro Histórico de Ouro Preto do distrito de Antônio Pereira, onde houve paralisação das atividades, por determinação da Justiça, da Barragem da Mina de Timbopeba, também da Vale. “Antônio Pereira fica a uma hora da Praça Tiradentes, no Centro Histórico, então não haveria problema para os visitantes. As pessoas que estão em outras cidades não têm essa noção de distância e, aí, ficam receosas”, disse o secretário.

Outro gargalo, sem data para terminar, está na interdição da rodovia de acesso a Ouro Preto, com prejuízo para cerca de 25 mil motoristas diariamente. O problema que afetou a BR-356 foi imposto pela Barragem da Mina de Vargem Grande, em Nova Lima, na Grande BH. Além de obrigar a restrição de tráfego na rodovia, o reservatório também exigiu a saída de 100 pessoas de suas casas, na área chamada zona de autossalvamento em caso de rompimento.

Essa necessidade de evacuação foi motivada pela mudança no fator de segurança de 1 para 2 do barramento, situação que se repetiu em outras seis barragens da Vale nos municípios de Nova Lima, Ouro Preto e Barão de Cocais, além de uma represa da Arcelor Mittal em Itatiaiuçu. Às vésperas do carnaval, o secretário de Estado de Turismo e Cultura, Marcelo Matte, reconheceu que o impacto para as cidades ligadas pela rodovia seria grande.

Zaqueu disse ontem que, na segunda-feira, o prefeito de Ouro Preto, Júlio Pimento (MDB), esteve na Coordenadoria Estadual da Defesa Civil (Cedec) pedindo às autoridades empenho no funcionamento da rodovia. Como se trata de uma questão fora dessa esfera, somente a Justiça poderá dar a última palavra. 

ORNAMENTAÇÃO
A serragem para ornamentar as ruas de Ouro Preto está sendo recolhida na cidade e também nas vizinhas de Mariana e Itabirito. No total, serão 1,2 mil sacos de 50kg. Segundo a prefeitura, a tintura no material, com anilina, será feita bem perto do domingo de Páscoa, o que vai garantir um efeito melhor nas cores. As pessoas que, todos os anos, se dedicam a fazer os tapetes – com cálices, pombas e outros símbolos sagrados para os católicos – vão receber o material na noite de sábado, para, então, se dedicarem ao ofício que encanta os olhos de moradores de visitantes e se torna um marco nas festividades da antiga Vila Rica.


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