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Estado de Minas

Moradores de Ibirité sofrem com a falta de remédios básicos

Entre os medicamentos em falta nos postos de saúde, estão os de controle da hipertensão, epilepsia e até depressão


postado em 10/01/2019 18:40 / atualizado em 11/01/2019 17:23

Moradores de Ibirité não encontram certos medicamentos básicos nos postos de saúde de Ibirité(foto: Reprodução/ Google Street View)
Moradores de Ibirité não encontram certos medicamentos básicos nos postos de saúde de Ibirité (foto: Reprodução/ Google Street View)
Moradores de Ibirité, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, que dependem de medicamentos gratuitos fornecidos pela prefeitura estão encontrando dificuldades para encontrar os remédios. Há pelo menos três meses faltam, nos postos de saúde da cidade, fármacos como os de controle da hipertensão, depressão e até epilepsia. De um lado, a população acusa a administração municipal de descaso. Por outro, a Secretaria Municipal de Saúde transfere a responsabilidade às distribuidoras vencedoras das licitações.

Agda Amaral Coimbra, de 51 anos, moradora do Bairro Canos, está desempregada e sofre de depressão e epilepsia. Para conseguir controlar as crises,  seu médico receitou cinco remédios: Levomepromazina, Fluoxetina, Clonazepan, Prometazina e Carbonato de lítio. Ao todo, ela deve tomar oito comprimidos e meio por dia, mas já não os encontra há cerca de três meses nos postos de saúde da cidade. De acordo com a Prefeitura de Ibirité, os medicamentos se encontram nas farmácias populares do município, no entanto, nesses estabelecimentos é necessário pagar pelo produto. “Tem dia que eu tenho convulsão. Preciso dos medicamentos, mas não posso comprá-los”, conta.

O sogro de Agda, Antônio Isidoro da Costa, de 83 anos, também está sofrendo com a falta de remédios nos postos. Residente no Bairro Canoas, o idoso sofre de diabetes e hipertensão e deve tomar quatro medicamentos por dia para controlar a pressão e o nível de insulina em seu sangue. No caso dele, o médico do Sistema Único de Saúde (SUS) recomenda o uso do Losartan, Carvedilol e Furosemida. Porém, apesar da necessidade, o aposentado pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), não encontra os remédios há mais de três meses nos postos de saúde. 

“Vamos todos os dias, nos postos, e eles [funcionários] sempre dizem que não têm [os remédios]. Quem tem condição consegue ir em uma farmácia e comprar, mas a gente não tem. Temos que escolher: ou come ou toma remédio”, conta a nora de Antônio. Caso fosse comprar os remédios, o homem de 83 anos teria que desembolsar cerca de R$ 30 pelo Losartan , R$ 15 pelo Carvedilol e R$ 6 pela Furosemida, todos com 30 comprimidos. 
Seu Antônio já está três meses sem tomar seus remédios(foto: Agda Coimbra/ Divulgação)
Seu Antônio já está três meses sem tomar seus remédios (foto: Agda Coimbra/ Divulgação)

Devido ao grande período sem os medicamentos, Antônio já desmaiou três vezes desde outubro. De acordo com Agda, em uma dessas ocasiões, os enfermeiros do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) tiveram que aplicar choque elétrico para reanimá-lo.


Empurra-empurra


Procurada pelo Estado de Minas, a Prefeitura de Ibirité informou que os medicamentos Losartan e Carvedilol foram licitados por adesão à empresa BH Farma, vencedora dos itens na licitação. No entanto, de acordo com a administração municipal, a distribuidora não cumpriu o prazo de entrega, que estava prevista para outubro de 2018. Ainda segundo a prefeitura, a empresa teria sido notificada mais de uma vez, mas não respondeu às notificações. Devido ao tempo sem os medicamentos, a administração informou que “já está aderindo a novas atas para poder solicitar a compra desses medicamentos e regularizar seu abastecimento".   

Por outro lado , por meio de nota, a BH Farma informou que o Losartan vem sendo entregue desde 12 de setembro do ano passado. Na ocasião, segundo a empresa, teriam sido entregues à prefeitura o total de 267 mil comprimidos. Além disso, outra remessa do medicamento, com 600 mil comprimidos, teria sido enviada no dia 7 de janeiro. Quanto ao Carvedilol, a BH Farma informa que 154 mil comprimidos foram entregues nesta quinta-feira (10). 

A reportagem entrou em contato com a Unidade de Saúde Canoas Canaã, posto mais próximo à residência da família Coimbra, mas até às 14h desta quinta-feira, a informação era de que os dois medicamentos estavam em falta.

Em relação à Furosemida, a Prefeitura de Ibirité informou que o remédio foi licitado a empresa Multifarma, vencedora da licitação. No entanto, a empresa teria pedido prorrogação no prazo de entrega, garantindo que, até 30 de janeiro, o medicamento seria disponibilizado à administração municipal.

Em contato com o Estado de Minas, a Multifarma preferiu não se manifestar, uma vez que  o responsável pelo assunto está de férias.

**Atualização: Na sexta-feira (11), um dia após a publicação da matéria, a Prefeitura de Ibirité confirmou que a BH Farma entregou os remédios nas duas ocasiões. No entanto, quanto à primeira, a administração informou que os comprimidos duraram pouco mais de 30 dias, uma vez que o consumo mensal seria de 200 mil comprimidos. Em relação à demanda de Losartan do dia 7 de janeiro, a prefeitura informou que o medicamento já está sendo disponibilizado nas farmácias da rede SUS, assim como o Carvedilol entregue nesta sexta-feira. 

*Estagiário sob supervisão da editora Liliane Corrêa

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