Publicidade

Estado de Minas

Polícia apura desmoronamento que matou operário no Funcionários

Com muitas perguntas e falta de respostas, a Defesa Civil de Belo Horizonte interditou a obra. A Polícia Civil esteve no local para perícia


postado em 06/12/2018 06:00 / atualizado em 06/12/2018 16:15

Ver galeria . 11 Fotos Paulo Filgueiras/EM/D.A.Press
(foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A.Press )


Ainda são desconhecidas as causas do acidente que vitimou um operário de 37 anos numa obra no Bairro Funcionários, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. Cleiton Pereira morreu depois de ser soterrado dentro de um buraco, a oito metros de profundidade, quando fazia a fundação do prédio a ser erguido na Rua Piauí, entre as ruas Aimorés e Timbiras. Colegas informaram que a vítima avisou sobre perigos no local 15 minutos antes do incidente que tirou sua vida. A morte foi confirmada seis horas depois da tragédia e bombeiros trabalharam mais de nove horas até conseguir retirar o corpo. Com muitas perguntas e falta de respostas, a Defesa Civil de Belo Horizonte interditou a obra. A Polícia Civil esteve no local para perícia.

Eram cerca de 10h quando a terra cedeu. Cleiton, que atuava como tubuleiro, estava do lado esquerdo do terreno, rente ao muro de um edifício e cavava um buraco que deveria chegar a 12 metros – a profundidade das fundações, segundo os operários. Há valas por todo o perímetro e elas avançam pelo terreno até quase um terço dele. No centro da porção de terra inteira ficam máquinas pesadas, como tratores e escavadeiras.

“Havia uma escavadeira trabalhando ao lado dos tubulões. Ela estava transitando, mas não deveria, pois estávamos dentro do buraco, e chegou, inclusive, a esbarrar na máquina de tirar terra. Cleiton subiu e reclamou. Disse para não deixar o equipamento passar, pois a terra poderia cair sobre nós. Quinze minutos depois, a terra cedeu”, contou um operário. “Faltou bom senso dos responsáveis. O engenheiro devia ter subido para não deixar a máquina transitando. É um colega nosso e um pai de família que se foi”, disse.

Operários contaram que Cleiton sentiu que a terra ia desmoronar e gritou. Os colegas tentaram tirá-lo do local, até a chegada do Corpo de Bombeiros, pouco tempo depois. Os bombeiros tiveram que solicitar a presença da Polícia Militar para retirar outros operários também em risco. Inicialmente não quiseram sair para tentar resgatar o colega. Havia esperança de encontrar Cleiton vivo.

FIM DA ESPERANÇA
Às 16h20, o corpo foi encontrado, frustrando a esperança dos operários que aguardavam notícias do lado de fora de achar o colega vivo. A terra úmida e pesada das chuvas dos últimos dias dificultou ainda mais os trabalhos, feitos de forma minuciosa, escorando a terra, pois havia risco de novos desabamentos. Apenas as mãos estavam aparentes, o que obrigou bombeiros a retirar a terra com muito cuidado. De acordo com um militar, as atenções de todos estavam voltadas para a movimentação de terra, pois poderia haver novo desmoronamento, matando também o bombeiro que estava imerso num espaço de apenas 80 centímetros de diâmetro. Até as 18h, parte do tórax estava à mostra.

O técnico da Defesa Civil Marcos Vinícius Vittorio, que acompanhou os trabalhos desde o início, afirmou que a falta de segurança pode ter contribuído para a morte do operário. Segundo ele, a avaliação inicial é de que não havia um equipamento de proteção individual conhecido como bolsão – uma estrutura metálica que é instalada dentro do tubulão, de forma que, se a terra cair, não comprime a vítima.

Além de interditar a obra, a Defesa Civil notificou os responsáveis a elaborar e apresentar laudo de estabilidade e plano de ação para continuidade da obra. As causas do acidente serão definidas pela perícia da Polícia Civil.

O Edifício Vintage Residence era a segunda torre do empreendimento na Rua Piauí. Há menos de dois meses, foi concluída a construção do Design Residence Retrô, que demorou cerca de um ano e meio para ser erguido, tempo que surpreendeu os moradores vizinhos. Os dois prédios foram construídos preservando na frente três casas antigas do bairro. De acordo com os operários, a fundação do prédio foi feita manualmente, operação que se repetia na segunda torre.

Por meio de nota, a Construtora Terrazzas lamentou o incidente com o operário. “Ao longo dos últimos 15 anos, nos transformamos em uma das referências em segurança do trabalho no setor da construção civil, através de um rigoroso controle da utilização correta de todos os equipamentos de proteção e adoção de práticas e iniciativas inovadoras. Infelizmente o risco é inerente à nossa atividade e estamos muito consternados com o acontecido, nossa equipe já está prestando todas as informações às autoridades competentes, para a rápida apuração do caso”. “E, por fim, reafirmamos o nosso compromisso em prestar todo o amparo necessário à família da vítima neste momento tão difícil. A empresa está em luto e agradecemos a todas as manifestações de solidariedade que recebemos”, finalizou.

Nesta quinta-feira, a empresa divulgou nota esclarecendo que atendeu todas as normas de segurança. Confira o posicionamento na íntegra.


Em relação a informações divulgadas sobre acidente ocorrido ontem (5 de dezembro) em uma obra no bairro Funcionários, a construtora esclarece o seguinte:

- todos os equipamentos de proteção, individuais e coletivos, estavam sendo utilizados pelos trabalhadores que atuavam na escavação —seguindo as normas regulamentadoras NR6, NR18 e NR33—, conforme foi atestado pelas autoridades competentes presentes no local;

- não houve tráfego de máquina pesada perto do local do acidente, o que foi confirmado pelos profissionais responsáveis e demais trabalhadores presentes na obra;

- diferentemente do que foi veiculado, não era exigida a utilização do “encamisamento” durante a escavação, conforme projetos, relatórios técnicos e laudo de estabilidade do solo.

Portanto, o que houve foi uma fatalidade, pois, infelizmente, o risco é inerente à atividade da construção. No entanto, a construtora ressalta que mantém rigorosa política de segurança e bem-estar de todos os colaboradores, diretos ou indiretos. Ao longo dos últimos 15 anos, consolidou-se como uma das referências em segurança do trabalho no setor da Construção Civil, a partir de um rigoroso controle da utilização correta de todos os equipamentos de proteção e adoção de práticas e iniciativas inovadoras. Em relação ao acidente, a equipe técnica da empresa está prestando todas as informações às autoridades competentes para a rápida apuração do caso.

A empresa informa que lamenta profundamente o acidente que, infelizmente, vitimou o profissional Cleiton Pereira da Silva, contratado de uma prestadora de serviços. Afirma também que mantém seu compromisso de prestar amparo necessário à família da vítima neste momento tão difícil. A empresa está em luto e agradece as manifestações de solidariedade que está recebendo.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade