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Estado de Minas

Praça da Liberdade pode ser reaberta na semana que vem

Prestes a ser reaberta após seis meses de obras, praça mais charmosa de BH é enfeitada para o Natal e voltará a receber visitantes com mobiliário, canteiros e iluminação renovados


postado em 29/11/2018 06:00 / atualizado em 29/11/2018 07:32

Do alto dos prédios do entorno do complexo cultural já é possível ver o resultado das intervenções, que custaram R$ 5,2 milhões e devem ser conhecidas pelos belo-horizontinos na próxima semana(foto: Ramon Lisboa/EM/DA Press)
Do alto dos prédios do entorno do complexo cultural já é possível ver o resultado das intervenções, que custaram R$ 5,2 milhões e devem ser conhecidas pelos belo-horizontinos na próxima semana (foto: Ramon Lisboa/EM/DA Press)


Depois de seis meses de obras, a Praça da Liberdade, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, recebe os últimos retoques, já começa a ser decorada com a tradicional iluminação de Natal e pode ser reaberta no início da próxima semana. “Da nossa parte, está tudo pronto, podendo o espaço ser aberto segunda ou terça-feira”, disse a presidente do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG), Michele Arroyo. A instituição acompanha as intervenções no espaço tombado, com destaque para recomposição dos canteiros e do piso, a estrutura física e restauração do coreto, das fontes e das esculturas. “É bom lembrar que não se trata de um projeto novo, mas da reabilitação da praça”, explicou Michele.

A presidente do Iepha afirma que a reabertura da Praça da Liberdade depende da agenda do prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil. Nas ações de reabilitação do espaço, o município ficou encarregado da iluminação pública, da acessibilidade e de obras para o trânsito. “Esses serviços ainda não terminaram”, detalhou Michele Arroyo. O custo total da obra é estimado em cerca de R$ 5,2 milhões, sendo toda a parte da prefeitura bancada com recursos municipais, e dos serviços a cargo do Iepha pelas empresas Vale e Cemig, a partir de medidas compensatórias com o estado, totalizando R$ 2,8 milhões.

Enquanto no interior da praça os serviços prosseguem, os tapumes de madeira ainda estão de pé no entorno, cobertos de grafites, para cercar o canteiro de obras de um dos espaços públicos mais nobres da cidade. Pela tela existente entre um e outro painel, é possível ver o grupo de técnicos instalando a tradicional decoração de Natal, que sempre atrai os olhares fascinados de moradores e visitantes. De acordo com a Cemig, responsável pela instalação das milhares de microlâmpadas, a previsão é de término do serviço e inauguração na primeira quinzena de dezembro.

Entre os moradores da capital, é grande a expectativa. Afinal a Praça da Liberdade, considerada um dos cartões-postais mais procurados para lazer, convívio, caminhadas, contemplação ou apenas para tirar fotos, está fechada há meses. “A Praça da Liberdade é a cara de BH”, diz a pedagoga e astróloga Martha de Paiva Lessa, moradora do Bairro Santa Inês, na Região Leste da cidade. Para ela, o lugar reúne arte, arquitetura, natureza, “um resumo da cidade-jardim”, afirma, citando o Edifício Niemeyer e construções dos primeiros tempos de BH, que completará 121 anos no próximo dia 12. Olhando o espaço na tarde ensolarada de ontem, Martha disse que, a partir da inauguração, será fundamental um trabalho de conscientização com os moradores, no sentido de preservar alamedas, canteiros, esculturas, fonte, bancos e outros equipamentos públicos.

Da escadaria do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), Felipe Leonel, de 28, formado em economia, destaca a intervenção em um dos símbolos da capital. “Gosto muito de praças, parques e outros lugares públicos, com eventos e presença das pessoas”, resume. Morador do Bairro Planalto, na Região Norte, Felipe contou que ficou um ano e meio fora, no Rio de Janeiro (RJ) e, quando chegou, viu que a praça estava em obras. “Achei importante, algo bem positivo para BH.” A conservação do lugar se torna imprescindível, diante dos impactos do tempo, do uso constante e de atos de vandalismo. 

REABILITAÇÃO
Com plano de manejo dos jardins e diagnóstico do estado de conservação da Praça da Liberdade, a cargo do arquiteto Ricardo Lana, a reabilitação do espaço públicos passou, em seis meses, pela renovação do sistema de iluminação, restauração do coreto, das estátuas de mármore de carrara e do piso, reinstalação das placas de monumentos e a reformulação do mobiliário. Além disso, o espaço recebeu equipamentos com padrões arrojados de design, com a renovação de bancos e lixeiras. “As estátuas foram recuperadas pelos restauradores do Iepha”, informou Michele Arroyo.

Desde o início da intervenção, o Estado de Minas vem documentando o andamento das obras. Em 5 de janeiro, a iniciativa de recuperar o espaço foi divulgada com exclusividade. Em 8 de maio, começaram as podas das árvores e o corte de algumas, tomadas por pragas, conforme mostraram os repórteres, dentro do projeto de reabilitação paisagística. Na época, Lana disse que o trabalho contemplaria poda de galhos de alguns espécimes de 1920, como ciprestes, junto à recomposição dos canteiros e de outros aspectos que há anos demandavam intervenção drástica. “A praça chegou no osso”, lamentou o arquiteto, que trabalhou no grande projeto de restauração do espaço público, em 1991, comandado pela arquiteta Jô Vasconcelos. Ele explicou que muitas árvores estavam degradadas pela ação de insetos, havendo outros fatores de risco para a segurança.

Em julho, chegaram as cores, com a grafitagem dos tapumes que fecharam o local para as obras. No total, 54 artistas assinaram as intervenções do Mural da Liberdade. A iniciativa foi do Instituto Amado, da Galeria de Arte Quartoamado e de profissionais individuais, com apoio da Prefeitura de BH.

 

 

Pedidos de socorro


 

Em 8 de maio, o Estado de Minas mostrou a degradação na Praça da Liberdade, por onde bastava caminhar um pouco para ver a necessidade urgente do projeto de reabilitação. A escultura Moça mirando o espelho d’água estava com um dos braços e o vaso que a compõe quebrados. Uma rachadura na base impedia que o monumento, sobre um reservatório no meio de um dos gramados, traduzisse toda a beleza da arte em mármore. A grama  exibia extensões pisoteadas, exigindo recomposição. Mesmo com os problemas visíveis, a população nunca se afastou da praça, procurando a sombra das árvores para ler um livro, namorar, tocar um instrumento ou apenas curtir um dia no sossego.

 

Luzes também na Afonso Pena


 

A Avenida Afonso Pena, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, também recebe as luzes de Natal, numa iniciativa da Cemig. Por ora, a estatal prefere manter sigilo sobre o projeto, que já chama a atenção dos moradores. No entanto, o trânsito ontem ficou lento durante quase todo o dia nas imediações do prédio da Prefeitura de Belo Horizonte, com interdição de uma das faixas entre a Rua da Bahia e a Avenida Álvares Cabral para permitir o trabalho dos operários nas árvores do canteiro central.

 

 

Espaço nobre


1894 – O Palácio da Liberdade, em estilo eclético com influência neoclássica e marco da Praça da Liberdade, sai da prancheta de José de Magalhães

1920 – Visita dos reis da Bélgica a Belo Horizonte. A Praça da Liberdade passa pela primeira grande reforma

1942 – Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), a praça se torna palco de grandes manifestações contra Alemanha, Itália e Japão. O estopim ocorre quando mais de 50 navios brasileiros, em águas nacionais, são torpedeados por submarinos alemães

1955 – Depois de nomeado prefeito de Belo Horizonte, Juscelino Kubitschek se elege governador de Minas. No dia da posse, desfila em carro aberto pela Alameda das Palmeiras

1960 – Em 31 de julho, multidão festeja a consagração de Nossa Senhora da Piedade como padroeira de Minas Gerais no local. A proclamação ocorrera dois anos antes, em Roma, pelo papa João XXIII

1969 – Criada a Feira de Artesanato da Praça da Liberdade, que ficou conhecida como Feira Hippie

1979 – Em 29 de maio, professores que reivindicavam aumento salarial e melhores condições de trabalho no complexo que abrigava a sede do governo estadual são expulsos pela polícia, que usa jatos d’água e bombas de gás lacrimogêneo

1985 – Falecido em 21 de abril, o presidente Tancredo Neves é velado no Palácio da Liberdade. Na época, a grade do entorno não suportou a pressão da multidão que se comprimia às portas da sede do governo. Houve gente pisoteada e sete mortos

1991 – Começa o projeto de restauro do espaço, a cargo da arquiteta Jô Vasconcelos. A Avenida Afonso Pena se torna endereço dos expositores da Feira de Artesanato

1997 – Em 24 de junho, o cabo da PM Valério dos Santos Oliveira, de 36 anos, é assassinado com uma bala na cabeça ao lado do Palácio da Liberdade. Ele era um dos líderes de movimento dos militares por melhores salários. O tiro partiu de um dos manifestantes

2010 – A sede do governo de Minas é transferida para a Cidade Administrativa, no Bairro Serra Verde, na Região de Venda Nova

2018 – O governador Fernando Pimentel volta a despachar oficialmente no Palácio da Liberdade

 

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