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Estado de Minas

Estruturas de seis viadutos de Belo Horizonte serão monitoradas

Sudecap abre licitação para contratar empresa que vai acompanhar seis elevados de BH, cinco deles construídos para o evento esportivo de 2014, quando o Guararapes desabou


postado em 07/11/2018 06:00 / atualizado em 07/11/2018 07:40

O Viaduto Oscar Niemeyer, que apresentou problemas identificados por consultoria em 2015, é um dos que serão monitorados por dois anos(foto: Ramon Lisboa/EM/DA Press - 17/7/15)
O Viaduto Oscar Niemeyer, que apresentou problemas identificados por consultoria em 2015, é um dos que serão monitorados por dois anos (foto: Ramon Lisboa/EM/DA Press - 17/7/15)


Monitorar de perto possíveis alterações nas estruturas de todos os viadutos da cidade como forma de evitar possíveis problemas e também de economizar, visando às manutenções que sejam preventivas e não corretivas. Esse é o objetivo da Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap), que lançou ontem uma licitação para contratar empresa que vai fazer o acompanhamento visual e topográfico de seis elevados, cinco deles construídos para a Copa do Mundo, dando continuidade ao monitoramento dos pontilhões na cidade. É justamente no corredor formado pelas duas avenidas que estava o Viaduto Batalha dos Guararapes, que desabou em 3 de julho de 2014 deixando dois mortos e 23 feridos já no meio do campeonato mundial de futebol, além de outros quatro que também tiveram problemas apontados por consultorias contratadas na época da tragédia com o Guararapes pela Sudecap. No caso do Guararapes, a Polícia Civil concluiu que houve erro de cálculo no projeto estrutural pilar de sustentação da alça sul do viaduto. O elevado foi projetado pela empresa Consol e construído pela Cowan.

Segundo a Sudecap, outras licitações vão incluir mais estruturas que são chamadas de obras de arte especiais da cidade, mas a primeira delas inclui viadutos que completarão, em 2019, cinco anos de uso. Segundo o superintendente da Sudecap, Henrique Castilho, e o secretário de Obras de Belo Horizonte, Josué Valadão, o monitoramento não tem nenhum problema específico como motivação, mas sim o objetivo de garantir que os elevados alcancem a vida útil sem oferecer riscos à população. “A primeira licitação que estamos abrindo inclui a Pedro I e Antônio Carlos por conta dos trâmites que nesse caso foram mais avançados, mas teremos outros procedimentos. Vamos dar manutenção em todos os viadutos de Belo Horizonte”, diz Henrique Castilho.

De acordo com o superintendente, o monitoramento desse tipo de estrutura é feito rotineiramente na cidade, seja por equipes próprias da Prefeitura de BH seja por contratações como essa que foi publicada no Diário Oficial do Município. O escopo do edital prevê um trabalho de até dois anos para fornecimento de informações sobre as seguintes estruturas: Viaduto Lúcia Casasanta (João Samaha), Viaduto Montese, Viaduto Monte Castelo, Viaduto Oscar Niemeyer (Viaduto B), Viaduto Gil Nogueira (Viaduto A), e o Viaduto da Barragem da Lagoa da Pampulha. Na Avenida Pedro I, o problema não ocorreu apenas com o Batalha dos Guararapes, que desabou matando duas pessoas. Houve também problemas com o Viaduto Montese, que chegou a ser interditado depois de observado um deslocamento lateral de 27 centímetros em fevereiro de 2014. O pontilhão passou por teste de carga recebendo 144 toneladas antes de ser liberado ao tráfego no fim daquele ano.

Os demais viadutos construídos para o alargamento da Pedro I/Antônio Carlos (Monte Castelo, Gil Nogueira, Lúcia Casasanta e Oscar Niemeyer também tiveram problemas apontados em 2015, por meio de um relatório de consultoria apresentado pela Sudecap ao Ministério Público. Na época, o órgão de controle sugeriu a adoção de medidas para aumento da durabilidade das estruturas. Ainda segundo a Sudecap, o monitoramento previsto na licitação lançada ontem inclui investimentos de até R$ 378 mil, em um prazo que pode chegar a dois anos de trabalho depois da assinatura da primeira ordem de serviço. O objetivo é garantir inspeções visuais da situação de cada viaduto e também levantamentos topográficos para medir as movimentações das estruturas. O trabalho visual contempla, por exemplo, corrosões em armaduras aparentes, desplacamento de concreto, vazios na concretagem, entre outros.

Segundo Josué Valadão, que é secretário de Obras e Infraestrutura de Belo Horizonte, esse trabalho também é importante em um contexto em que muitas pessoas têm usado as beiradas de pontilhões para queimar fios de cobre furtados da infraestrutura da cidade. “No pé daqueles viadutos, quando as pessoas põem fogo nos fios, aquele calor gerado pode retirar o reboco e deixar ferragens expostas, que podem ficar sujeitas a oxidação. Nesse trabalho de vistoria, que já é feito na cidade, você antecipa qualquer tipo de necessidade de manutenção”, afirma o secretário.

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