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Estado de Minas

Fundação remarca para o fim do mês início das obras na Igrejinha da Pampulha

PBH remarca para o fim do mês o início da restauração da São Francisco de Assis, que deverá ser isolada com tapumes especiais, mantendo à mostra o painel de Portinari


postado em 18/07/2018 06:00 / atualizado em 18/07/2018 08:06

Turistas apreciam o painel que conta a vida de São Francisco, uma das joias do conjunto da Pampulha(foto: Ramon Lisboa/EM/DA Press)
Turistas apreciam o painel que conta a vida de São Francisco, uma das joias do conjunto da Pampulha (foto: Ramon Lisboa/EM/DA Press)
 

Novo prazo para início da restauração da Igreja São Francisco de Assis, um dos símbolos do conjunto moderno da Pampulha, que ontem completou dois anos da conquista do título de patrimônio da humanidade. De acordo com a Fundação Municipal de Cultura (FMC), vinculada à Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), até o fim do mês deverão ser montados os tapumes e instalado o canteiro de obras no monumento projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer (1907-2012). Segundo a gerente do Conjunto Moderno da Pampulha, Janaína França, o atraso de deve principalmente a ajustes e aos licenciamentos exigidos para a empresa vencedora da licitação começar a intervenção. “Trata-se de uma obra muito delicada, cercada de cuidados e com acompanhamento municipal, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG)”, destacou.

Os tapumes para o perímetro da área a ser interditada serão de madeira e merecem atenção diferenciada da equipe técnica da Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap)/PBH, de modo especial na questão de visibilidade. A ideia inicial é deixar livre, durante o período de restauração, estimado em um ano, apenas o painel de azulejos contando a vida de São Francisco de Assis, de autoria de Cândido Portinari (1903-1962). “Dessa forma, os visitantes poderão vê-lo sem interferências e com segurança”, adiantou Janaína. Ela explicou que a frente do templo católico, datado de 1943, poderá ser vista apenas do outro lado da lagoa. “A altura do tapume foi bem projetada para não atrapalhar demais a igrejinha, quando vista de longe.”

Participando de reuniões constantes para avaliação dos projetos desenvolvidos na região, Janaína diz que há muito para comemorar nesses dois anos de conquista do título concedido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) em 17 de julho de 2016, em Istambul, na Turquia. “Antes de mais nada, é preciso esclarecer que a conquista do título é um processo permanente de manutenção. E há ganhos, como a melhora da água da lagoa. A prefeitura está elaborando um plano de gestão estratégica e, nos últimos dois anos, o número de visitantes cresceu entre 30% e 50%”, disse. 

SEM PERDAS
A gerente do Conjunto Moderno, que trabalhou, desde 2012 como secretária- executiva na elaboração do projeto endereçado à Unesco, diz que não existe a menor possibilidade de a Pampulha perder o título. “Em dezembro de 2017, enviamos um relatório detalhado à Unesco e ao Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (Icomos) e ele foi aprovado. Um novo documento será enviado somente no ano que vem. Por isso, não há problema”, afirmou Janaína. O Icomos – em inglês, International Council of Monuments and Sites – é uma associação civil não governamental ligada à Organização das Nações Unidas (ONU), via Unesco.

Sobre a polêmica envolvendo o Iate Tênis Clube, que teria que demolir, conforme acordado com a Unesco, um anexo construído na década de 1970 (veja quadro) descaracterizando a construção original, Janaína garante que estão adiantados os entendimentos com a direção da entidade –  por parte da PBH, está à frente o vice-prefeito Paulo Lamac. Já o Museu de Arte da Pampulha (MAP) terá as obras iniciadas em 2019, e, para tanto, a prefeitura busca patrocínio. “A Pampulha é uma obra de valor universal excepcional, tornou-se uma referência. E os projetos se completam com ações educativas e culturais”, disse.

Mesmo com tantos avanços e projetos, os turistas lamentam a demora na restauração da chamada Igrejinha da Pampulha. Conforme mostrou, ontem, o Estado de Minas, dezenas de visitantes de Mato Grosso do Sul se mostravam frustrados pelo estado de “abandono” do templo e pelas portas fechadas. Para os guias de turismo, mesmo cientes da situação, é “lamentável” um cartão-postal da capital estar vedado à visitação desde novembro.

De acordo com o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), os casos sobre a Igrejinha da Pampulha e o anexo do Iate Tênis Clube seguem na 15ª Promotoria de Justiça de Belo Horizonte (Defesa do Meio Ambiente, Patrimônio Histórico e Cultural). Sobre o Iate, o inquérito civil está em andamento.

 

 

Cinco ícones


(foto: Leandro Couri/EM/DA Press - 11/6/18)
(foto: Leandro Couri/EM/DA Press - 11/6/18)
Igreja São Francisco de Assis
A previsão é de que o templo seja cercado por tapumes, e montado o canteiro de obras até o fim do mês. Com dinheiro do governo federal, no valor de R$ R$ 1,075 milhão, a intervenção deverá durar um ano

(foto: Leandro Couri/EM/DA Press - 11/6/18)
(foto: Leandro Couri/EM/DA Press - 11/6/18)
Museu de Arte da Pampulha (MAP)
Obras de restauração previstas para 2019. Prefeitura busca patrocínios, diante do contingenciamento de recursos federais do Programa de Aceleração do Crescimento das Cidades Histórias (PAC)

(foto: Beto Novaes/EM/DA Press - 13/7/16)
(foto: Beto Novaes/EM/DA Press - 13/7/16)
Iate Tênis Clube
Negociações por parte da PBH estão a cargo do vice-prefeito Paulo Lamac. Entendimentos estão adiantados com o clube para demolição do anexo construído na década de 1970

(foto: Alexandre Guzanshe/EM/DA Press )
(foto: Alexandre Guzanshe/EM/DA Press )
Lagoa da Pampulha
A qualidade, a partir do Projeto de Recuperação da Qualidade da Água da Lagoa da Pampulha, chegou a Classe 3, dentro dos padrões do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). O objetivo agora é manter o nível

(foto: Beto Novaes/EM/DA Press - 27/04/2018)
(foto: Beto Novaes/EM/DA Press - 27/04/2018)
Casa do Baile
Atual Centro de Referência de Urbanismo, Arquitetura e Design, o prédio passou por uma readequação na estrutura, com a demolição, em dezembro, de uma guarita, seguindo o Plano de Intervenção do Conjunto Moderno

Fonte: Gerência do Conjunto Moderno da Pampulha/FMC/PBH 

 

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