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Estado de Minas

Entidades e veterinários repercutem criação de UPA para animais em BH

Com inauguração prevista até o fim do ano, hospital público para animais deverá atender aos bichos da população de baixa renda. Prefeitura aposta em parcerias para garantir projeto


postado em 06/07/2018 06:00 / atualizado em 06/07/2018 08:18

Procedimento cirúrgico em clínica particular: associação de profissionais descarta concorrência do futuro hospital com o setor privado(foto: Leandro Couri/EM/DA Press)
Procedimento cirúrgico em clínica particular: associação de profissionais descarta concorrência do futuro hospital com o setor privado (foto: Leandro Couri/EM/DA Press)

Uma UPA para animais. Assim a Prefeitura de Belo Horizonte anunciou a construção do primeiro Hospital Público Veterinário no estado, com previsão para inauguração até o fim do ano. Sediada na Rua Pedro Bizoto, no Bairro Madre Gertrudes, na Região Oeste da capital mineira, a estrutura dará vida ao abandonado Centro de Saúde Vila Imperial e vai priorizar o atendimento de animais da população de baixa renda, por meio de uma triagem e por distribuição de senhas. Inicialmente, a unidade vai oferecer atendimentos simples (consultas, curativos, fisioterapia etc.) e ambulatoriais, o que rendeu a comparação com as unidades de pronto-atendimento.

O investimento parte de uma emenda parlamentar no valor de R$ 500 mil, em articulação do vereador Osvaldo Lopes junto ao deputado federal Marcelo Aro, ambos do PSH, mesmo partido do prefeito Alexandre Kalil. A equipe e os números de consultórios e atendimentos ainda não estão definidos, pois aguardam a elaboração de um projeto de engenharia. A ideia inicial é que a prefeitura não arque com custo algum e opte por parceiras público-privadas (PPPs) com instituições de ensino. Dessa maneira, enquanto o Executivo municipal oferece um espaço de aprendizado, as faculdades disponibilizam mão de obra especializada e insumos – como um estágio.  A maioria dos profissionais deslocados, segundo a PBH, virá da Associação Nacional de Clínicos Veterinários de Pequenos Animais (Anclivepa), responsável por montar a escala de trabalhadores.

"Vai ser uma oportunidade de emprego para os médicos-veterinários e de estágios para os estudantes"

Guilherme Savassi, veterinário, dono de clínica na área



De acordo com o vice-presidente da Anclivepa, Aldair Júnio Woyames Pinto, o hospital não vai interferir no mercado da iniciativa privada. “Nossa função será trabalhar de maneira técnica, vinculados às instituições de ensino, sem prejudicar a profissão e o conceito mercadológico dentro de Belo Horizonte, na tentativa de resolver o problema daquelas pessoas que têm animais mas não dispõem de condições financeiras para arcar com os tratamentos”, afirmou. Segundo o vice-presidente da Anclivepa, procedimentos cirúrgicos, por enquanto, só poderiam ser realizados em momentos de menor demanda. Cursos de capacitação também serão oferecidos no Hospital Público Veterinário.

Dono da Clínica Cirúrgica de Cães e Gatos Dr. Guilherme Savassi, o veterinário que dá nome ao espaço considera que o hospital não vai concorrer com o setor privado. “Não é algo que venha a ameaçar a iniciativa privada, até  porque vai ser uma boa alternativa para nós indicarmos. Há muitos clientes que não têm condições (financeiras) e comentam: ‘Deveria existir o SUS para animais também’. Vejo a solução como positiva”, analisa. Além disso, o profissional ressalta a importância da oferta de um novo campo de atuação para os colegas. “Vai ser uma oportunidade de emprego para médicos-veterinários e de estágios para os estudantes”, afirma. 

RESTRIÇÕES
Apesar dos avanços significativos, serviços de castração e vacinação não serão ofertados – dois dos mais procurados pela população. De acordo com a Escola de Veterinária da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que oferece a castração gratuita semestralmente, por meio de um programa interno, filas são formadas nas dependências da faculdade nos períodos de atendimento. “Não existe verba pública para animais. Há uma capacidade limitada por falta de verba e estrutura. O atendimento abre uma vez a cada semestre e com vagas limitadas, porque, infelizmente, a faculdade não tem condição de financiar esse tipo de ação”, afirmou a assessoria da instituição, em contato por telefone. Por ano, o hospital veterinário da escola faz 35 mil atendimentos, entre consultas, cirurgias e exames de imagem e laboratoriais.

Segundo o veterinário Guilherme Savassi, a ausência da vacinação no hospital público representa uma limitação. “A vacinação que a prefeitura oferece, antirrábica, é muito importante, mas existem várias outras doenças, como a leishmaniose, cuja imunização não é ofertada administração municipal. O mesmo vale para a vacina óctupla, que evita uma série de doenças, como a cinomose, transmitida facilmente pelo contato diretor entre cães”, analisa.

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