Publicidade

Estado de Minas

Falta de água seria estopim para motim na Penitenciária Nelson Hungria

Presos gravaram vídeos alegando que água teria sido cortada em retaliação à fuga de oito detentos na manhã de sábado


postado em 29/01/2018 06:00 / atualizado em 29/01/2018 07:34

Presos teriam gravado vídeos colocando fogo em colchões e denunciam que situação da água na penitenciária seria castigo coletivo(foto: Reprodução da internet/Whatsapp)
Presos teriam gravado vídeos colocando fogo em colchões e denunciam que situação da água na penitenciária seria castigo coletivo (foto: Reprodução da internet/Whatsapp)
Um problema no fornecimento de água no Bairro Nova Contagem, em Contagem, RMBH, teria levado presos da Penitenciária de Segurança Máxima Nelson Hungria a queimarem colchões e roupas de cama na noite de sábado e madrugada de ontem, num começo de motim que não foi adiante, já que todos estavam trancados em suas celas. Em vídeos, que teriam sido feito pelos internos dentro do presídio e divulgado nas redes sociais, eles reclamaram da falta de água e comida, alegando que seria retaliação da direção devido à fuga de oito detentos na manhã de sábado.

Porém, por meio de nota, a Secretaria de Estado de Administração Prisional (Seap-MG) informou que a falta de água na unidade prisional não foi um problema isolado, mas do bairro. A Copasa, em comunicado, confirmou que houve uma situação emergencial que afetou o fornecimento na região. A Seap também negou a suspensão da alimentação e das visitas ontem. Segundo a secretaria, somente no pavilhão da fuga não teve visitação, que é um procedimento normal nesses casos.

“A falta de água no bairro deixou o Complexo Penitenciário Nelson Hungria (CPNH) sem abastecimento no dia de ontem (sábado). Na manhã deste domingo, o fornecimento de água foi restabelecido parcialmente. A Secretaria de Estado de Administração Prisional entrou em contato com a Copasa e o fornecimento integral de água foi restabelecido no CPNH no final da manhã de hoje (ontem)”, diz a nota. A Seap acrescentou que, sobre os vídeos “supostamente” gravados dentro da unidade, foi aberta apuração por meio de uma equipe que acompanha a situação.

No material, que foi replicado nas redes sociais e em aplicativos de mensagens, os presos denunciaram a falta de água no presídio e alegaram que seria um “castigo coletivo” pela fuga de pelo menos oito presos. Em um dos vídeos, dois presos com o rosto coberto denunciam a “negligência” com o presídio. Um deles reclama que não havia água para lavar a cela ou “dar baixa” nas necessidades. “Hoje, tinha criança chorando no pátio querendo água pra beber e eles não liberou água pra nós não (sic)”, diz. “Morrer de sede? Melhor morrer de fogo!”, diz outro preso, em mais um vídeo gravado no presídio, que mostra chamas em cobertores no pátio.

O presidente da Comissão de Direitos Humanos (CDH) da Ordem dos Advogados do Brasil, William Santos, confirmou a autenticidade das imagens. Segundo ele, familiares de presos também confirmaram a situação de falta de água. “Em um calor desses o sujeito ficar preso em uma cela imunda lotada, não quer que fique revoltado? Estamos achando que se trata de um ‘castigo aos presos pela fuga recente de oito deles”, disse. Santos informou ter conversado com o procurador Rômulo Ferraz sobre a situação e que ele agiu, controlando a rebelião. Para o presidente da CDH da OAB, se o problema fosse desabastecimento, a penitenciária poderia ter resolvido com um caminhão-pipa.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade