Publicidade

Estado de Minas

Presos divulgam imagens de fogo durante rebelião na Grande BH

Nas imagens aparentemente gravadas com telefones celulares, eles reclamam das condições do presídio. Seape apura o caso


postado em 28/01/2018 08:38 / atualizado em 28/01/2018 10:40


Presos da Penitenciária Nelson Hungria divulgaram vídeos com imagens de fogo nas celas, registradas na noite deste sábado (27), por celulares de dentro da unidade carcerária. No material, que foi replicado nas redes sociais e em aplicativos de mensagens, eles denunciaram a falta de água no presídio e alegaram que seria um “castigo coletivo” pela fuga de oito presos confirmada no sábado pela Secretaria de Administração Prisional.

Chamas em cobertores: rebelião na Nelson Hungria(foto: Reprodução/ Whatsapp)
Chamas em cobertores: rebelião na Nelson Hungria (foto: Reprodução/ Whatsapp)


Em um dos vídeos, dois presos com o rosto coberto denunciam a “negligência” com o presídio. O preso diz que não havia água para lavar a cela ou “dar baixa” nas necessidades.  “Hoje tinha criança chorando no pátio querendo água pra beber e eles não liberou água pra nós não (sic)”, diz. "Morrer de sede? Melhor morrer de fogo!", diz outro preso, em mais um vídeo gravado no presídio, que mostra chamas em cobertores no pátio.

O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil, William Santos, confirmou a autenticidade das imagens, que foram repassadas a outra advogada depois das 18h. Segundo ele, familiares de presos também confirmaram a situação de falta de água. “Em um calor desses o sujeito ficar preso em uma cela imunda lotada, não quer que fique revoltado? Estamos achando que se trata de um ‘castigo aos presos pela fuga recente de oito deles”, disse.

Santos informou ter conversado com o procurador Rômulo Ferraz sobre a situação e que ele agiu, controlando a rebelião. Para o presidente da CDH da OAB, se o problema fosse desabastecimento, a penitenciária poderia ter resolvido com um caminhão pipa para fornecer a água para os presos. “Pesquisas feitas pela advogada Cristina Paiva, membro da comissão, dizem que não é verdade que faltou água na região”, disse Santos.

William Santos tornou os vídeos públicos e usou as redes sociais para divulgar o teor da conversa que teve com o procurador Rômulo Ferraz. Nela, o procurador diz ter comunicado a situação ao promotor responsável pela área de execuções penais. “Ele (Ferraz) tomou as providências para corrigir as falhas e a má vontade por parte dos agentes ou de quem quer que seja. Porque até duvido que o Dr. Cavalieri (Wagner Cavalieri, juiz da Vara de Execuções Criminais de Contagem), que é uma pessoa séria, tenha autorizado isso. Acreditamos que a situação está controlada”, disse.

A Secretaria de Administração Prisional informou que as imagens estão sendo investigadas para verificar se realmente são de dentro do presídio ou partiram de lá. Também ressaltou que não são permitidos aparelhos de telefone  no local e que a Penitenciária Nelson Hungria tem bloqueadores de sinal que impediriam essa divulgação. Sobre o desabastecimento, a Seap informou que faltou água na instituição neste sábado porque “faltou água no bairro inteiro, em Nova Contagem, mas a situação foi reestabelcida às 17h”. De acordo com a assessoria, a água pode ter demorado a voltar para os presos em virtude da demora para encher as caixas d’água.

Nos avisos de interrupção de água nos bairros da Copasa, não havia previsão de desabastecimento na região do presídio. Porém, a Copasa, por meio de sua assessoria de imprensa, informou que houve de fato um problema de bombeamento em Contagem. "A Copasa informa que o abastecimento de água em Nova Contagem foi interrompido, emergencialmente, no sábado (27/01), para manutenção na unidade de bombeamento de água. A normalização do abastecimento ocorreu, de forma gradativa, no final da tarde do mesmo dia (27)", diz a nota.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade