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Estado de Minas

Com morte de dois macacos no entorno da Cidade Administrativa, servidores serão vacinados

A campanha de vacinação contra febre amarela para os servidores da Cidade Administrativa, onde foi instalado um posto especial, começou ontem e vai até quarta-feira


postado em 05/01/2018 06:00 / atualizado em 05/01/2018 07:41

(foto: Gladyston Rodrigues/EM/DA Press - 19/12/2014)
(foto: Gladyston Rodrigues/EM/DA Press - 19/12/2014)
As mortes de macacos com suspeita de febre amarela continuam em Belo Horizonte. Entre julho e dezembro, foram 70 animais encontrados mortos na cidade, com sete deles dando positivo para os exames da doença. A incidência motivou campanha de vacinação até mesmo na Cidade Administrativa, sede do Governo de Minas, e ações de bloqueio do vírus na vizinhança, já que no fim do ano passado foram localizados desses macacos no Bairro Canaã, na Região Norte. A preocupação é com o período de maior circulação virótica, que se estende até maio, e também do aumento dos vetores, como o mosquito Haemagogus e o Aedes aegypti. Outra alerta é quanto à cobertura vacinal em Minas Gerais, em 81% – o índice considerado ideal é de 95%. Em Juiz de Fora, na Zona da Mata, a morte de um primata levou a prefeitura a fechar o parque do Museu Mariano Procópio, um dos principais pontos turísticos locais.

A campanha de vacinação para os servidores da Cidade Administrativa, onde foi instalado um posto especial, começou ontem e vai até quarta-feira. “No final de dezembro e início de janeiro, mortes de macacos foram registradas no vetor Norte, próximo a Santa Luzia e Vespasiano. Por isso, em conjunto com a Secretaria Municipal de Saúde traçamos as ações necessárias, que incluem a vacinação dessas pessoas”, detalhou o subsecretário de Vigilância e Proteção à Saúde da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), Rodrigo Said. O atendimento está sendo feito também a moradores da região.

Os macacos foram encontrados mortos em 28 de dezembro numa área limítrofe com Santa Luzia. Eles foram recolhidos pela Regional de Venda Nova e encaminhados para o laboratório de zoonoses para análise. Uma ação de prevenção à proliferação dos vetores foi colocada em prática.

Dados da Secretaria Municipal de Saúde (SMSA) mostram que de janeiro a dezembro foram encontrados 70 macacos mortos na capital mineira. Destes, sete deram positivos para febre amarela, sendo que eles estavam nas regionais de Venda Nova, Centro-Sul, Oeste e Norte. Ainda são investigadas as causas das mortes de oito animais. Em Minas, a situação se repete. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES), de junho a dezembro 21 cidades mineiras tiveram confirmadas mortes de primatas ligadas à enfermidade. Entre elas, estão Sabará, Caeté, Nova Lima, Esmeraldas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

VACINAÇÃO A transmissão da doença se concentra entre outubro e maio, mesmo período de aumento dos vetores, como os mosquitos Haemagogus e Sabethes, que transmitem a forma silvestre, e o Aedes aegypti, que propaga a urbana. Por isso a preocupação é com a vacinação dos moradores. A cobertura acumulada no estado entre 2007 e 2017 é de 81%. A estimativa é de que aproximadamente 3,8 milhões de pessoas não tenham sido vacinadas no território mineiro.

Para tentar alcançar a meta, o Governo de Minas faz um chamado à população que ainda não se vacinou. A vacina está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS). “Estamos novamente no movimento de reforçar nossas atividades. A principal ferramenta de prevenção é a vacinação. Estamos fazendo um chamado e um alerta importante para a população. Não temos o risco da ocorrência de uma epidemia da magnitude que aconteceu de 2016/2017, mas é importante a intensificação desta atividade”, alertou o subsecretário.

O alerta maior é para municípios que estão com a vacinação contra a doença muito abaixo da meta, como Pedra Azul, no Vale do Jequitinhonha, com apenas 70% da população vacinada. “A grande preocupação é com as regiões Central, Triângulo e Sul de Minas, pois são nelas que temos mortandade de macacos. Casos que estão acontecendo em São Paulo e Rio de Janeiro, mostrando para toda essa área abaixo da Região Central que o vírus está circulando”, comentou o subsecretário.

Apenas uma dose da vacina é suficiente para proteger por toda a vida. Ela está inserida no calendário de vacinação. Podem se vacinar crianças a partir de nove meses de idade e adultos de até 59 anos. As pessoas que apresentam alergias ao ovo e qualquer outro componente da vacina não devem se imunizar. Gestantes e pessoas que estão amamentando devem procurar um médico para se orientar.

EPIDEMIA No ano passado, o país passou pelo pior surto de febre amarela desde 1980, segundo o Ministério da Saúde, impulsionado pelos casos registrados em Minas.  Foram 162 mortes e 475 pacientes infectados. Em 2018, dois casos suspeitos estão sendo investigados em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Uma das pessoas morreu, e o outro doente foi transferido, a pedido da família, para o Espírito Santo, onde reside.

Em Juiz de Fora, Parque do Museu Mariano Procópio foi fechado: macaco achado morto será examinado em Belo Horizonte(foto: Leonardo Costa/Tribuna de Minas)
Em Juiz de Fora, Parque do Museu Mariano Procópio foi fechado: macaco achado morto será examinado em Belo Horizonte (foto: Leonardo Costa/Tribuna de Minas)

(foto: Leonardo Costa/Tribuna de Minas)
(foto: Leonardo Costa/Tribuna de Minas)


Parque fechado na Zona da Mata

Um dos principais pontos turísticos de Juiz de Fora, na Zona da Mata, foi fechado devido ao risco de contaminação da febre amarela. A medida deve durar 30 dias. Um macaco foi encontrado morto no Parque Museu Mariano Procópio na quarta-feira. Por precaução, o local foi interditado até o resultado dos exames sobre a causa. O animal foi enviado a Belo Horizonte para análise.

Segundo a prefeitura, quase 90% da população já foi vacinada (453.685 doses entre 2007 e 2017). Estão disponíveis para o serviço as unidades básicas de saúde (UBSs), o Posto de Atendimento Médico (PAM) Marechal ou os departamentos de Saúde do Idoso e o da Criança e do Adolescente, além de um posto volante funcionando das 8h às 17h, de segunda a sexta-feira.

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