
O encontro de ontem contou com a participação do próprio Kalil, de seu vice, Paulo Lamac, e do sociólogo Cláudio Beato, que integra a equipe de transição. O coordenador municipal de Defesa Civil, coronel Alexandre Lucas, participou da reunião e disse ter repassado aos integrantes do novo governo toda a situação e a política de enfrentamento de riscos da cidade. “Passamos sugestões de manutenção e de melhoria dessa política. Ouvimos deles a reafirmação do compromisso de considerar a gestão de risco como uma prioridade”, informou.
Segundo o coordenador do Comdec, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) está se preparando para a estação chuvosa usando o padrão de 2011, quando foi registrada a pior temporada dos últimos anos, para aperfeiçoar suas ações. Para ele, uma chuva como a prevista para esta sexta-feira já representa alto risco. “Ela pode vir em um curto período de tempo, e em grande quantidade. A cidade tem que estar preparada”, disse.
Entre as ações desenvolvidas no atual governo, segundo ele, há treinamentos em comunidades sob risco e também com gestores. O Grupo Executivo da Área de Risco (Gear), afirma, está mobilizado e vem se reunindo a cada segunda-feira. “Todas as ações consideradas pela ONU exemplares para o Brasil e para o mundo com relação à gestão de risco estamos empregando na cidade e repassando para o próximo governo”, afirmou o coronel Lucas.
PREVISÃO Após alguns anos registrando pouca chuva entre outubro e março, o período chuvoso 2016/2017 deve ficar mais próximo da normalidade, com índices pluviométricos maiores em Minas Gerais do que nos últimos quatro anos, informou ontem a Cemig. “Temos a expectativa de que na faixa Norte do estado ocorram mais chuvas do que as da média histórica. E, de um modo geral, em todas as regiões vão ocorrer chuvas acima do que foi registrado nos últimos anos”, explica o meteorologista da Cemig Arthur Chaves de Paiva Neto.
Segundo ele, nos últimos períodos chuvosos o país esteve sob ação de El Niño ou La Niña, fenômenos que favorecem o aumento ou a redução das chuvas. Desta vez, as análises meteorológicas sinalizam um período sem esse tipo de influência. Considerados esses fatores, a Cemig espera uma estação boa para o fornecimento de energia. “Chuvas dentro da média ajudam a recarregar os reservatórios. Então, de certa forma, nós teremos chuva dentro da média histórica, o que vai fazer com que os níveis dos reservatórios subam em todo esse período e aguentem durante todo o período seco do próximo ano”, prevê.
Para o meteorologista Luiz Ladeia, do 5º Distrito do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), as chuvas ficarão dentro da normalidade em termo de percentual global, mas fatalmente haverá temporais em fins de tarde em Belo Horizonte. A tendência de chuva para o mês é de 227,6mm, segundo Ladeia. “Estamos ainda com pouca chuva, com 56,5mm até hoje (ontem), mas há perspectiva de que nos próximos dias a chuva seja intensificada, com pancadas ocasionais, principalmente à tarde e à noite”, disse. Ao longo da estação, o meteorologista acredita que se repetirão os transtornos historicamente enfrentados pela cidade. “Fatalmente vão acontecer problemas como alagamentos, ventanias, destelhamentos, quedas de árvores e transbordamentos. A própria topografia da cidade favorece isso. Se tivermos 30 milímetros de chuva em uma hora, já teremos problemas”, disse.
OBRAS Para tentar reduzir esse tipo de ocorrência, a Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura informou que nos últimos anos a prefeitura vem executado intervenções de prevenção e combate a inundações, totalizando R$ 1,29 bilhão em empreendimentos concluídos desde 2009 ou em andamento. Disse ainda que conta com um sistema de monitoramento hidrológico com 42 estações, sendo quatro climatológicas, 27 fluviométricas (medição de nível d’água) e 11 pluviométricas (medição da quantidade de chuva). “Esse sistema, implantado e operado pela Sudecap, conta hoje com três estações de monitoramento de nível do Ribeirão Arrudas, além de outras duas monitorando o nível do Córrego do Jatobá e uma de monitoramento do nível do Córrego Ferrugem, ambos formadores do Arrudas”, informou a secretaria, referindo-se ao curso d’água que representou mais problemas durante as chuvas de janeiro de 2009.
Ainda de acordo com a secretaria, para conter as enchentes ao longo do Arrudas foram concluídas as bacias de detenção da primeira etapa do Córrego Jatobá/Olaria e a bacia de detenção do Córrego Bonsucesso. “Também foram concluídas as obras de recuperação do canal do Arrudas, no trecho que vai da Rua Rio de Janeiro até a Alameda Ezequiel Dias, numa extensão de 1.500 metros”, informou. De acordo com a PBH, ainda está em andamento a implantação da Bacia de Detenção do Córrego do Túnel/Camarões, na Região do Barreiro.

Em seu primeiro dia como administrador da terceira maior capital do Sudeste, em 1º de janeiro de 2009, o recém-empossado Marcio Lacerda (PSB) se viu diante de um inesperado desafio. A poucas horas da virada do ano, uma tempestade acompanhada de rajadas de vento e raios desabou sobre Belo Horizonte e alguns pontos de Contagem, na região metropolitana. Na capital, a chuva forte castigou as regiões Oeste e Barreiro, inundando casas, ruas e avenidas. Um casal e uma criança de 3 anos morreram por causa do temporal. O nível do Ribeirão Arrudas subiu rapidamente, alagando a Avenida Tereza Cristina, que teve ainda parte do asfalto arrancado (foto). A correnteza destruiu carros, caminhões e ônibus e levou lama e muita sujeira a várias casas. Logo no primeiro dia do ano e da gestão, Lacerda decretou situação de emergência de três meses por causa da chuva. Em novembro de 2012, o prefeito viveu situação parecida e causou polêmica ao dizer que a Prefeitura de Belo Horizonte deveria ter sido mais “babá dos cidadãos” para tentar evitar desastres como os causados pelas chuvas da época.
