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Estado de Minas

Linhas com cerol já levaram 25 pessoas ao Pronto-Socorro de BH neste ano

HPS já atendeu 25 pessoas feridas em BH por cerol, mistura de vidro moído e cola. Uso da chamada linha chilena, mais cortante, preocupa


postado em 28/07/2016 06:00 / atualizado em 28/07/2016 07:43

Criança empina papagaio na Barragem Santa Lúcia, na Região Centro-Sul de BH: lei estadual proíbe qualquer tipo de material cortante nas pipas(foto: Alexandre Guzanshe/EM/DA Press)
Criança empina papagaio na Barragem Santa Lúcia, na Região Centro-Sul de BH: lei estadual proíbe qualquer tipo de material cortante nas pipas (foto: Alexandre Guzanshe/EM/DA Press)
O céu de Belo Horizonte está mais colorido em julho. Com as férias escolares e os ventos fortes do inverno, a criançada e até adultos se divertem soltando papagaio. Na tarde de sexta-feira passada, mais de 10 meninos e meninas empinavam o brinquedo na Barragem Santa Lúcia, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, se preparando para um festival de papagaio. A brincadeira, porém, exige cuidados: o uso de cerol para cortar a linha de outros papagaios, que pode ser mortal, já provocou ferimentos este ano na capital.

O poder de corte da linha com a mistura de vidro moído e cola é comparável ao de uma navalha. Todo ano, aumenta o número de pessoas feridas com a linha que dão entrada no Hospital de Pronto-Socorro João XXIII (HPS), na capital. No ano passado, foram 41 atendimentos de pessoas com cortes, alguns profundos. Este ano, até o dia 24 deste mês, o hospital já tinha recebido 25 vítimas de ferimentos, mas há outras vítimas em todo o estado.

Além do cerol, uma nova modalidade da mistura preocupa as autoridades, a linha chilena, que passa por processo industrializado e é mais cortante que o cerol, segundo as autoridades. No domingo, um motoqueiro de 29 anos sofreu um corte no pescoço ao ser atingido por uma linha chilena em Montes Claros, no Norte de Minas. A vítima foi socorrida pelo Corpo de Bombeiros e pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência e Emergência (Samu), e levada para o Pronto Socorro da Santa Casa de Montes Claros. O motoqueiro foi atingido quando trafegava por uma avenida da cidade.

Em muitos casos, a própria pessoa que empina papagaio se corta ao manusear a linha com cerol ou a linha chilena, mas as maiores vítimas são motociclistas e caronas. Em 27 de maio do ano passado, um motociclista ficou gravemente ferido em um acidente com uma linha de cerol no Bairro Nova Cachoeirinha, Região Nordeste da capital. O homem passava pela Avenida Manoel Gomes, na alça de acesso para a Avenida Antônio Carlos, quando sofreu o corte no pescoço.

Em junho do ano passado, uma mulher morreu depois de ser atingida no pescoço quando passava pelo Anel Rodoviário de BH. Ana Rúbia da Silva Batista estava na garupa da moto do companheiro quando, segundo a Polícia Militar, uma linha chilena ficou entre os dois e atingiu o pescoço da mulher. Ela sofreu um corte profundo no local e morreu na hora. Nenhuma pessoa que soltava o papagaio foi identificada ou presa. As maiores incidências de casos acontecem em janeiro e junho, coincidindo com as férias escolares. Por isso, os bombeiros recomendam a quem anda de moto usar antenas no veículo.

As aves também são vítimas da linha com cerol e da chilena. Na terça-feira da semana passada, um tucano ficou enroscado em uma delas no meio de uma árvore ao lado da Assembleia Legislativa de Minas, no Bairro Santo Agostinho, na Região Centro-Sul da capital. A ave foi resgatada pelo Corpo de Bombeiros e solta. Na última segunda-feira, os bombeiros resgataram uma maritaca que perdeu parte da asa ao ficar presa numa linha chilena, no Bairro Minaslândia, Região Norte da capital.

A linha com cerol também é um perigo para quem anda de helicóptero. Na quarta-feira da semana passada, uma linha quase derrubou um helicóptero do Corpo de Bombeiros em Varginha, no Sul de Minas A aeronave voltava do resgate de vítimas de um acidente na Rodovia Fernão Dias, quando o material se enrolou no rotor da aeronave. Em junho de 2014, dois helicópteros da Polícia Militar de Minas foram danificados pelo mesmo motivo.

PROIBIÇÃO A Lei Estadual 14.349/2003 proíbe, em todo território mineiro, o uso de cerol ou de qualquer outro tipo de material cortante nas linhas de pipas, de papagaios, de pandorgas e de semelhantes artefatos lúdicos, para recreação ou com finalidade publicitária. A multa é de R$ 100 por cada conjunto de material apreendido, acrescentada de 100% a título de agravante. Belo Horizonte ainda tem a Lei Municipal 7189/96, que proíbe o comércio e o uso do cerol. O estabelecimento que vender o produto estará sujeito a advertência, multa e até cassação do alvará de localização e funcionamento. Em caso de morte ou lesão de terceiros, o infrator também pode ser responsabilizado. A venda da mistura e da linha chilena também é vetada. O comércio pode sofrer sanções que vão desde a advertência, multa e cassação do alvará de funcionamento.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Motociclistas e Ciclistas de Minas Gerais (Sindimoto-MG), Rogério Santos Lara, disse desconhecer prisões por uso de cerol e de linha chilena, nem de alguém que tenha ferido ou matado pessoas com o material cortante. “Os motociclistas são as maiores vítimas. A velocidade da moto em movimento aumenta o poder de corte da linha com cerol e da chilena. Por isso, temos que usar a anteninha como barreira”, disse Rogério, Segundo ele, os motociclistas devem redobrar a atenção nesta época do ano. “Além de prestar atenção no trânsito, eles devem olhar para o céu para ver se tem papagaios e também olhar nas laterais, para ver se tem gente soltando papagaio”, recomenda.


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