As aulas do curso de direito da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), no Triângulo Mineiro, foram suspensas no período diurno nesta segunda-feira por conta de um vídeo que está circulando nas redes sociais com uma suposta ameaça feita por um dos alunos do curso.
Em nota, a UFU informou que a decisão de suspender as aulas aconteceu para proteger os estudantes e evitar a exposição do aluno que aparece no vídeo. “A DIREÇÃO DA FACULDADE DE DIREITO “JACY DE ASSIS” da Universidade Federal de Uberlândia compreende que qualquer dos componentes da comunidade universitária, individualmente considerado, merece total respeito e apreço quanto pessoa humana, sendo-lhe, portanto, sempre efetivado os deveres de cuidado, de proteção, de assistência e auxílio, que compõem a noção de Administração Pública ética e voltada aos valores essenciais que estruturam a República Federativa Brasileira. Nosso escopo foi, portanto, preservar as pessoas que tomaram conhecimento dos fatos e ficaram apreensivas, e ao mesmo tempo proteger o aluno envolvido com o propósito de evitar indevidas exposições, o que se coaduna com os mais caros princípios de solidariedade humana”, afirmou.
Um dos alunos da turma em questão fez uma postagem no Facebook comentando o fato. Ele nega que tenha acontecido ameaças por parte do aluno gravado e destaca que é “evidente” que o estudante tenha “algum transtorno psicológico”.
No vídeo que circula nas redes sociais, o aluno diz vários números. Para a turma, esses números seriam a data de hoje, 6 de junho de 2016, que não é bem vista pelo colega, por ter relações com numerologia e religiosidade. Essa situação levou os estudantes a pedirem o cancelamento da aula para que o homem pudesse permanecer em casa nesse dia.
Confira a íntegra da nota emitida pela turma:
Nota de esclarecimento e repúdio
O decorrer desse domingo foi turbilhado por informações desencontradas e exageradas, baseadas em "achismos" relativas a um fato que envolve diretamente a turma 67 diurna. Essa nota serve justamente para esclarecer tais fatos e repudiar todos os preconceitos que o rondaram.
Primeiramente, cabe esclarecer que não é verídico que um aluno de nossa sala ameaçou outros alunos dessa sala ou teve qualquer reação agressiva em relação a eles. A pessoa em questão se trata de alguém que nitidamente necessita de uma intervenção no campo social, vez que é evidente possuir algum transtorno psicológico. Sua atuação na sala é permeada por momentos de extrema lucidez e inteligência, mas também por aparentes devaneios. Porém, seu agir em sala demonstra um enorme desenvolvimento espiritual e humano. Trata-se de alguém que está sempre preocupado com o próximo e que agrada a todos.
Ocorre que por ser muito ligado a religião e numerologia, e estar em um momento de sua vida onde os devaneios estão sobrepondo os momentos de lucidez, nossa sala entendeu por necessário o cancelamento da aula de segunda-feira (06/06), vez que tal data não é bem vista por tal colega. Consideramos que seria melhor que ele permanecesse em casa em tal dia. Porém, tal fato juntamente com um vídeo descontextualizado espalhou-se por toda a faculdade e causou um estardalhaço desnecessário , em que várias opiniões preconceituosas e extremistas foram expressadas e a situação real foi destorcida a ponto de se tornar irreconhecível para aqueles que sabem realmente do que se tratou.
Entendemos que a pessoa em questão necessita de um acompanhamento individualizado, apropriado à sua necessidade. A intervenção que seria necessária em tal caso deve ser direta com a família do aluno, a fim de que esta procure tomar as medidas necessárias.
Porém, os pedidos que vimos nessa faculdade eram deprimentes. As pessoas perderam a sensibilidade e esqueceram tudo que aprenderam sobre humanidade e tratamento digno. Termos errados, informações erradas, estardalhaço desnecessário foi o presenciado hoje.
Lições tão difundidas na faculdade de Direito relativas a direitos humanos, presunção de inocência e ética foram sepultadas no dia de hoje. Além de características que deviam ser inatos ao ser humano, como compaixão, compreensão e empatia. O que se viu foram julgamento extremistas daqueles que estão se formando para ponderar e buscar a realidade dos fatos, ao invés das dos boatos.
Por esse motivo, por esse frenesi desnecessário, nossa sala julgou fundamental a edição dessa nota. Queremos deixar claro que o aluno sob o qual girou esse circo sensacionalista passa por um momento frágil e precisa de uma intervenção adequada. Ele não condiz ao que espalharem e não merece ser repetido aqui. É um ser humano, digno, inteligente, evoluído, generoso e querido por toda a nossa sala que passa por tal situação. E é assim que ele deve ser visto. Nada além disso é o que a 67 diurno vivenciou em nosso convívio diário e longo com ele. Obrigado.
