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Estado de Minas

Motoristas do Uber são contra projeto que os transformaria em taxistas auxiliares

Condutores discordam de proposta que incorpora o aplicativo ao serviço de táxi e permite que eles sejam apenas auxiliares. "Não podemos ficar desamparados", reclama um deles


postado em 03/10/2015 06:00 / atualizado em 03/10/2015 07:30

Motoristas do Uber e taxistas disputam passageiros no desembarque do Conexão Aeroporto, na Avenida Álvares Cabral, no Centro de BH(foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press 15/7/15)
Motoristas do Uber e taxistas disputam passageiros no desembarque do Conexão Aeroporto, na Avenida Álvares Cabral, no Centro de BH (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press 15/7/15)

Motoristas do aplicativo Uber são contra o projeto de lei que sugere licitação para abertura de 500 táxis de luxo em Belo Horizonte. De acordo com a proposta da Câmara Municipal entregue nessa sexta ao prefeito Marcio Lacerda (PSB), esses novos táxis somente poderiam ser usados por taxistas, e os condutores do Uber disputariam vagas de auxiliares. Um ex-taxista auxiliar, que pediu para não ser identificado, conta que deixou de ser diarista para uma empresa de táxi e considera o projeto “injusto”. “A gente teve que fazer investimento em veículos, para atender os clientes da Uber, e não podemos ficar desamparados agora”, disse o motorista, que comprou um veículo de luxo por R$ 85 mil e pagou seguro de R$ 4,5 mil. Participaram das consultas para a confecção do projeto de lei, além dos parlamentares, profissionais da BHTrans, da Polícia Militar, representantes dos taxistas e da Uber.

O motorista do Uber conta que ainda fez seguro para passageiro no valor de R$ 50 mil. “Deixei de ser diarista no sistema táxi justamente por essa vantagem de trabalhar para mim sem pagar diária. Realmente, o Uber é muito interessante para quem é diarista do táxi. Além de trabalhar por conta própria, você ainda está pagando por um veículo seu. Dei meu carro de entrada e fiz um financiamento de R$ 50 mil”, conta o motorista do Uber. “Se a Uber aceitar os termos dessa lei, vamos todos ter prejuízo”, reclama.

O motorista disse que não voltaria a ser taxista- auxiliar, pois considera que há muita exploração. “Muitas placas de táxi são concentradas em uma única pessoa. A maioria dos motoristas da Uber hoje era auxiliar de táxi”, disse o condutor, que espera uma posição da empresa.

Em princípio, como o aplicativo conta com 450 colaboradores na capital e o número de táxis especiais novos será de 500 placas, haverá espaço para todos. O problema é saber qual será a reação dos condutores do Uber em relação ao investimento que muitos fizeram para a compra de veículos luxuosos para rodar em BH. Na prática, o texto elaborado pelos vereadores “enquadra” o aplicativo.

O presidente da BHTrans, Ramon Victor Cesar, foi escalado para detalhar o projeto de lei numa coletiva na manhã de hoje. O texto, que será estudado pela Procuradoria Geral do Município (PGM), será votado em regime de urgência na Câmara Municipal.

“A Uber estará dentro do sistema. Será analisado nas comissões de Legislação e Justiça, Transportes e Administração Pública. Será em regime de urgência, devendo ser votado em um mês e meio”, afirma o vereador Wagner Messias (DEM), o Preto, líder do governo na Casa.

O parlamentar ressalta que a natureza desse projeto é inédita no país e deve estimular outras cidades onde a Uber atua a seguir o mesmo caminho. “O país todo vai acompanhar o modelo de Belo Horizonte.”

Em cidades da Alemanha, como Berlim, Hamburgo e Düsseldorf, a empresa se tornou parceira dos taxistas. Lá, onde os aplicativos UberPop (motoristas privados) e UberBlack (carros de luxo) são proibidos, funciona o UberTáxi, que usa mão de obra licenciada e custa a mesma quantia dos serviços convencionais.

O conteúdo do projeto de lei agradou José Estevão de Jesus de Paulo, presidente da Associação dos Condutores Auxiliares de Táxi de Minas Gerais (Acat). De acordo com seus cálculos, muitos taxistas vão migrar do serviço convencional para o luxuoso, o que facilitará a entrada dos auxiliares como titulares de parte da frota.

“É um projeto muito positivo. Vamos avançar na listagem de espera, de suplente. Acredito que vamos avançar 340 permissões. Quando foi feito a licitação, em 2012, foram 545 permissões, mas, ao todo, 1.687 pessoas foram classificadas”, disse José Estevão. Procurado, o Sindicato dos Taxistas (Sincavir) não retornou os telefonemas da reportagem.

COMPROMISSO A Uber não comentou a proposta do projeto de lei e informou que quer continuar a oferecer transporte seguro, confiável e com preço justo em Belo Horizonte. “Temos um compromisso com os milhares de motoristas parceiros que utilizam a plataforma na cidade, e com as 30 mil oportunidades de trabalho que ainda serão criadas no próximo ano pelo Brasil. Temos também um compromisso com os cidadãos que hoje carecem de uma nova forma de transporte nas margens da cidade”, diz a nota, ressaltando que a empresa trabalha com os poderes Executivo e Legislativo para desenvolver uma regulamentação que seja adequada. “Vale lembrar que a Uber é um transporte privado individual, completamente diferente do serviço de táxis, que é considerado transporte público individual”, ressaltou a empresa.

O QUE PREVÊ O
NOVO PROJETO

 Abertura de 500 vagas de táxis luxuosos

 Os motoristas do Uber podem se cadastrar como auxiliares dos novos táxis

 Os táxis vão operar cartões de crédito e débito



Propostas antecipadas



O Estado de Minas antecipou, na semana passada, que o projeto elaborado por uma comissão especial criada para avaliar o Uber previa unir o aplicativo ao serviço de táxis. Na reportagem, o EM também mostrou que se aliar a taxistas foi a solução encontrada pela empresa para manter funcionamento na Alemanha, onde a Justiça havia proibido o serviço. O jornal já havia revelado em agosto que a intenção da prefeitura era ampliar a frota de táxis de luxo como forma de regulamentar o aplicativo.

 

 

 

 

 

 


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