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Estado de Minas

Debate na UFMG termina em confusão entre homem e grupo de mulheres

Estudante de medicina tenta filmar alunas que participavam de oficina sobre masturbação feminina e provoca troca de insultos e agressões


postado em 01/10/2015 20:09 / atualizado em 02/10/2015 21:35

Uma confusão entre um homem e estudantes da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) precisou ser contida por seguranças do câmpus até a chegada da Polícia Militar (PM), no final da tarde desta quinta-feira. Duas estudantes da universidade afirmam ter sido agredidas durante um evento de debates e oficinas com temáticas feministas que era realizado no Centro de Atividades Didáticas (CADII), no câmpus Pampulha. O homem, um estudante de medicina, também disse ter sido ferido pelas mulheres.

Segundo o Coletivo Arara, um dos organizadores do '1º Bota a cara no sol: (in)visibilidade da diversidade sexual e de gênero', o homem invadiu uma sala em que era realizada uma oficina sobre masturbação feminina e começou a filmar o debate. Os organizadores pediram que ele se retirasse e que deletasse a gravação. "As meninas pediam para o cara sair da sala, mas ele continuou forçando a porta, até conseguir interromper a atividade. Pediram que ele excluísse o vídeo do celular, e a resposta foi insultos e agressão por parte dele, inclusive fisicamente" diz texto publicado pelo coletivo em uma rede social.

A publicação sustenta que o homem correu para uma outra sala, da Faculdade de Letras, onde ficou trancado até a chegada dos militares. Uma mensagem das estudantes relata o momento em que o homem estava registrando o debate. "Começou a filmar a cara das meninas com narrações do tipo 'é essa a ditadura comunista que estamos vivendo'." Os envolvidos foram levados para a Área Integrada de Segurança Pública (Aisp), onde foram ouvidos pelos militares.

De acordo com o estudante de medicina acusado, de 28 anos, ele estava na Faculdade de Economia quando viu os cartazes com a divulgação do evento. Contou que os cartazes chamavam pessoas de outros cursos para participar. "Quando cheguei, disseram que homem não era permitido e me mandaram sair. Disseram que não era da minha conta e me ofenderam. Então comecei a filmar", disse o estudante, que alega que a sua intenção era saber quem era o responsável pelo evento e de que forma a universidade estaria envolvida.

O estudante disse que queria divulgar a gravação para que o contribuinte soubesse a finalidade dos impostos pagos. "A universidade é gerida com recursos públicos e não deveria abrir espaço para esse tipo de eventos. "Não ameaçei nem agredi ninguém. Não tenho nada contra gays e integrantes de movimentos LGBT. Tenho amigos gays. Só acho que utilizar o espaço público para esse tipo de doutrinação é no mínimo desonesto para com os contribuintes", disse.

Segundo uma estudante, que preferiu não se identificar, o debate era somente para mulheres e a porta foi fechada, como combinado, às 14h40, para não haver interrupções. Ela diz que as estudantes estão com medo de represálias  por parte do homem "Ele já chegou gravando e dizendo que isso era marxismo cultural. É doutrinação de esquerda. Então ele forçou a porta para entrar", conta.

Ainda de acordo com a estudante, a universidade autorizou a realização do evento. "Quando uma de nós precisou sair da sala, ele filmou nosso rosto e, então, pedimos para apagar e tentamos pegar o telefone da mão dele. Não o agredimos, e ele saiu correndo para outro prédio", relata. Ela diz que muitas pessoas foram atrás dele e que, depois de professores e diretores serem chamados, ele ficou cerca de 40 minutos trancado.

Em nota, divulgada na noite desta sexta-feira, a UFMG se disse contrária a situações de homofobia, racismo, sexismo e qualquer tipo de violência. "A UFMG afirma o respeito à diversidade, à liberdade de pensamento e ao debate democrático. A instituição preza pela finalidade pública de seu espaço, pela dignidade universitária e, principalmente, pela convivência sempre respeitosa e necessária com as diferentes opiniões da comunidade universitária" diz o texto.


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