
O corpo do adolescente Caio Henrique de Souza, de 16 anos, morto depois de sofrer um mal súbito durante uma aula de educação física no Colégio Padre Eustáquio nessa quinta-feira, foi sepultado no fim desta tarde no Cemitério Bosque da Esperança, no Bairro Jaqueline, Região Norte de Belo Horizonte. O caso provocou comoção entre os alunos e pais de estudantes da escola e levantou uma discussão sobre a necessidade de atenção com a saúde dos jovens, sem, no entanto, deixar de lado a importância da atividade física para a manutenção de uma vida saudável.
Como o Estado de Minas mostrou na edição desta sexta-feira, as escolas não exigem exame detalhado sobre as condições dos jovens, limitando-se ao preenchimento de uma ficha com informações sobre a saúde dos estudantes no ato da matrícula, a fim de liberar a participação nas aulas de educação física.
O cardiologista Paulo Alves de Oliveira, que tem entre seus pacientes muitas crianças e adolescentes, destaca a não exigência dos exames nas escolas. “Não se podem estabelecer critérios para que uma escola exija uma avaliação cardíaca rigorosa para cada aluno. Quando o estudante tem um mal congênito e diagnóstico precoce, o estabelecimento de ensino deverá ser informado desde a matrícula. Se necessário, haverá a dispensa das atividades físicas”, afirma.
Já o cardiologista Haroldo Christo Aleixo, chefe do Departamento de Medicina do Esporte do Minas Tênis Clube e do Clube Atlético Mineiro, destaca duas pesquisas sobre o assunto: uma italiana aponta a incidência de 2,1 mortes para cada 100 mil pessoas por ano; a outra, dos Estados Unidos, mostra a relação de 0,4 óbito entre atletas jovens de competição em 100 mil pessoas/ano. “A atividade física continua sendo uma alternativa muito saudável e deve ser buscada por toda a população”, afirma Haroldo.
ENSINO DE MOVIMENTOS
A profissional de educação física Marley Pereira Barbosa Alvim, do Conselho Regional de Educação Física de Minas Gerais, orienta pais, professores e alunos (veja o quadro). “Aula de educação física em escola é muito diferente da atividade em academia ou clube. O objetivo na escola é ensinar os movimentos, que podem ser de prática esportiva, dança etc., e não exigir o condicionamento físico”, explica a conselheira, lembrando que as aulas com partes teórica e prática são ministradas duas vezes por semana, com duração de 50 minutos cada uma. “Os professores devem levar em consideração a faixa etária das turmas.”
Para Marley, torna-se fundamental o acompanhamento médico dos estudantes e também que o professor fique de olho nas características dos jovens durante os exercícios. “Se notar alterações, a exemplo de pele amarelada, lábios roxos e outros, deve comuniciar à equipe pedagógica da escola. Já os alunos não precisam sentir vergonha de revelar cansaço excessivo. Acima de tudo, os pais devem comunicar ao estabelecimento se o filho tiver alguma doença cardíaca ou mal congênito”, alerta.
Palavra de especialista: Paulo Alves de Oliveira, cardiologista
Fenômeno incomum
“A morte súbita de um adolescente de 16 anos pode ter diversas causas, incluindo arritmias, embora seja muito difícil relacioná-la a complicações cardíacas. Infelizmente, não se podem estabelecer critérios para que uma escola exija uma avaliação cardíaca rigorosa para cada aluno. No geral, se a criança ou adolescente tem boa saúde, tem condições de praticar atividades físicas. O certo mesmo é que não é comum uma pessoa nessa idade ter uma doença cardíaca que leve ao óbito, pois, quando esses problemas ocorrem, geralmente são congênitos e o diagnóstico precoce é feito nos primeiros anos de vida.”
