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Estado de Minas

Policial militar que atirou em jovem com deficiência mental é liberado

Jovem de 18 anos estava com um objeto confundido com arma. Segundo a PM, depoimento de testemunhas no local coincide com a versão dada pelos policiais que atenderam a ocorrência. Justiça expediu alvará de soltura na noite de ontem


postado em 01/05/2014 12:26 / atualizado em 01/05/2014 13:02

Bombeiros conseguiram apagar o incêndio causado por moradores durante um protesto(foto: Gladyston Rodrigues/EM/DA Press)
Bombeiros conseguiram apagar o incêndio causado por moradores durante um protesto (foto: Gladyston Rodrigues/EM/DA Press)


Foi liberado o policial militar que atirou no jovem Luan Moreira Madeira, de 18 anos, durante uma abordagem na tarde de quarta-feira no Bairro São Bernardo, Região Norte de Belo Horizonte. O rapaz, que é portador de deficiência mental, portava um objeto que teria sido confundido com uma arma de fogo.

Por meio da assessoria de imprensa da Polícia Militar (PM), o tenente-coronel Carlos Alberto do Sacramento, comandante do Batalhão de Rondas Táticas Metropolitanas, informou que o policial foi autuado em flagrante e teve a arma recolhida, ficando à disposição da Justiça. Porém, na noite de ontem, a Justiça Militar expediu o alvará de soltura do policial, que foi cumprido. Ainda segundo o tenente-coronel, quatro testemunhas civis foram ouvidas e os depoimentos coincidem com o relato dos Pms que atenderam a ocorrência. Apesar da liberação do policial, que não teve o nome divulgado, a apuração do caso vai continuar.

Luan está internado no Hospital Risoleta Neves, na Região de Venda Nova. A assessoria da instituição informou, na manhã desta quinta-feira, que ele evoluiu bem durante a noite e não corre risco de morrer. A bala que atingiu o rapaz feriu a axila esquerda, resvalou em uma das costelas e foi parar no braço esquerdo, segundo a instituição. Ele passou por cirurgia ontem e permanece no Centro de Terapia Intensiva (CTI), com quadro estável.

Luan tem 18 anos, mas, segundo parentes, se comporta como uma criança de 5(foto: Arquivo pessoal)
Luan tem 18 anos, mas, segundo parentes, se comporta como uma criança de 5 (foto: Arquivo pessoal)
O caso aconteceu no início da tarde de ontem. A mãe de Luan disse que ele brincava com outros meninos perto da Praça da Solidariedade e tinha nas mãos um pedaço de uma manete de videogame. Um carro da Rotam parou, os policiais desceram e mandaram o jovem colocar as mãos na cabeça. Como ele não compreendeu, em vez de obedecer, ele se abaixou para pegar o objeto no chão e foi atingido por um tiro.

Em entrevista ao Estado de Minas, ainda ontem, o tenente Lisandro Sodré, do 13º Batalhão da Polícia Militar, disse que Luan tinha nas mãos uma imitação de arma de fogo que foi achada no lixo. As armas de brinquedo haviam sido jogadas em uma caçamba perto do local da ocorrência. “Alguém, que ainda não identificamos, jogou um saco plástico cheio de armas de brinquedo em uma caçamba aqui perto. Acreditamos que os meninos tiveram acesso a esse material. Quando a nossa viatura passou perto dos meninos, esse jovem, que agora sabemos ser portador de deficiência mental, apontou o simulacro de arma e balbuciou palavras desconexas. Ao ver arma, a guarnição atirou. E imediatamente fizemos o socorro. Uma fatalidade”, disse.

Revoltados com a ação, moradores do Bairro São Bernardo foram até a Avenida Washington Luiz para protestar. Durante o ato, os passageiros e funcionários que estavam no ônibus da linha 2402 (São Bernardo/ Nossa Senhora da Glória) foram obrigados a descer e o veículo foi incendiado. As chamas altas atingiram a fiação elétrica. Os bombeiros conseguiram apagar o fogo e duas pessoas foram detidas. (Com informações de Arnaldo Viana e João Henrique do Vale)


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